Autor: danny; Fonte: X, @agintender
Recentemente, as performances de montanha-russa do tipo “cavalo pequeno puxando carro grande” de moedas especulativas como $MYX, $AIA, $COAI não só causaram perdas milionárias a inúmeros traders, como também apontaram diretamente para os mecanismos de liquidação e gestão de risco das exchanges. A técnica agressiva de “puxar para cima e vender” revela uma contradição: as exchanges dependem da volatilidade para ganhar taxas, mas uma volatilidade descontrolada pode esgotar o fundo de garantia e até abalar a confiança do mercado.
Este artigo tenta, a partir da “primeira pessoa” do controle de risco das exchanges, inferir seu equilíbrio entre manter a atividade do mercado e garantir a solvência do sistema. Analisaremos como, por meio de sistemas de monitoramento em níveis e algoritmos avançados de quantificação, como o concentração de posições (OICR) e toxicidade do fluxo de ordens (OTSI), as exchanges podem antecipar manipulações.
Além disso, para operadores profissionais que desejam sobreviver e lucrar dentro deste quadro, oferecemos algumas diretrizes de autoproteção: como monitorar em tempo real sua prioridade ADL e proporção de posições, evitando ser marcado pelo sistema de risco como “potencial violador” ou " manipulador de mercado". No selvagem oeste do mercado de derivativos cripto, a chave para sobreviver é entender as regras — e aquela linha vermelha que não se deve cruzar.
Atenção: Este artigo apenas faz uma análise externa dos algoritmos das exchanges, sem informações internas, apenas para fins acadêmicos, sem responsabilidade por qualquer consequência.
Como infraestrutura financeira que oferece plataformas de negociação e liquidação, o objetivo central das exchanges é buscar um equilíbrio dinâmico: maximizar as taxas de negociação sem restringir severamente a volatilidade do mercado, ao mesmo tempo que garantem que essa volatilidade não comprometa sua solvência ou reputação.
1.1.1 Maximizar receitas de taxas e permitir volatilidade
Aumentar o volume de negociações aumenta diretamente as receitas de taxas. Movimentos de preço intensos, mesmo que resultem em pump and dump (P&D), atraem especuladores, elevando o volume de negociações. Portanto, as exchanges não rejeitam toda volatilidade; na verdade, precisam de certo nível de especulação para manter o mercado ativo.
1.1.2 Evitar perdas próprias e riscos sistêmicos
O fundo de garantia (Insurance Fund) das exchanges é um pool de recursos que cobre perdas de posições de alta alavancagem (como liquidações a preços abaixo de zero ou falências de contrapartes). Quando essas perdas esgotam o fundo, a exchange é forçada a ativar o mecanismo de redução automática de posições (Auto Deleveraging, ADL). O ADL, que penaliza lucros e fecha posições de hedge, é uma espécie de “balanço democrático” de perdas e ganhos sob circunstâncias desesperadas. É importante notar que frequentes ativações de ADL prejudicam a reputação da exchange e indicam que o fundo de garantia está no limite.
1.1.3 Pressão da opinião pública e integridade do mercado
Eventos de pump and dump, especialmente em ativos de baixa liquidez, podem causar colapsos severos, prejudicando investidores e gerando forte pressão pública, além de danificar a reputação da exchange. Assim, é necessário antecipar e isolar comportamentos manipulativos que possam levar a falhas sistêmicas, mesmo que alguma volatilidade especulativa seja permitida.
Conclusão
A linha de fundo das exchanges é: como permitir um mercado livre de apostas sem incorrer em prejuízo próprio. O sistema de risco não busca eliminar toda P&D, mas sim identificar e intervir preventivamente antes que ela evolua para uma crise que esgote o fundo de garantia. Quando acionado, o sistema de risco pode limitar ordens, bloquear contas, congelar fundos ou até envolver ações judiciais.
Seguindo o modelo tradicional, supomos que as exchanges adotem uma governança por níveis, para garantir que as medidas de controle de risco sejam compatíveis com a vulnerabilidade inerente aos contratos. Gerenciam-se contratos por níveis de risco, com maior atenção aos “contratos de alto risco” (Tier 1), pois nesses, manipuladores precisam de menos capital para impactar os preços de forma desproporcional.
Lógica de classificação e alocação de peso de monitoramento (exemplo):

Lógica de risco: Quanto maior o risco do contrato (como MYX, AIA, COAI), maior a probabilidade de ataques de P&D. Uma vez iniciada a liquidação, devido à baixa liquidez, há maior chance de perdas serem absorvidas pelo fundo de garantia. Portanto, a exchange aplica um monitoramento “de alta pressão” nesses contratos, aumentando margens, reduzindo alavancagem e posições, além de usar algoritmos de alta frequência e indicadores como OTSI para detectar manipulações precocemente, acionando intervenções ao primeiro sinal de risco.
Para atuar preventivamente contra manipulações, o sistema de risco das exchanges emprega algoritmos multilayer e de alta dimensão para monitorar o comportamento do mercado. Analisaremos três aspectos: concentração de posições (fase de acumulação de P&D), desvios de base (pressão estrutural) e toxicidade do fluxo de ordens (manipulação de alta frequência).
A preocupação central é o controle de “uma entidade com controle desproporcional do mercado”. Assim, monitorar a concentração de posições em aberto é fundamental.
Indicador: índice de concentração de posições em aberto (OICR)
OICR mede a proporção do total de posições em aberto (OI) que pertencem aos principais traders (por exemplo, os 5 ou 10 maiores).

Alerta de quantificação (contrato Tier 1):
Uma tática comum na fase de execução de P&D é o spoofing: enviar ordens de grande volume e cancelá-las antes de execução, criando uma falsa demanda ou liquidez. O sistema detecta essa prática analisando a eficiência do fluxo de ordens.
Exemplo de alerta (conta de alta frequência):
Para evitar grandes desalinhamentos de preço que possam gerar liquidações em massa, a diferença entre preço futuro e spot (base) é monitorada.
Exemplo de alerta
Para traders profissionais ou projetos, o mais importante é evitar serem marcados pelo sistema de risco como ameaça à solvência ou à integridade do mercado. Para isso, é necessário monitorar indicadores de autoproteção, como:
( 3.1 Risco central 1: risco de solvência sistêmica (fundo de garantia e ADL)
O fundo de garantia atua como buffer contra liquidações. Operadores devem acompanhar sua saúde, especialmente o nível de prioridade ADL.
Estratégias de mitigação:
3.1.1 Monitorar prioridade ADL
Este indicador mostra o risco de liquidação forçada. Quanto maior a prioridade, maior o risco de liquidação ao ativar o ADL. Para evitar, operadores devem reduzir posições quando a prioridade estiver alta (ex.: nível 4 ou 5 de 5), reduzindo o potencial de perdas e a probabilidade de ativação do ADL.
3.1.2 Acompanhar o saldo do fundo de garantia
Observar o saldo do fundo de garantia da exchange e anúncios oficiais. Quedas abruptas indicam risco sistêmico crescente, devendo-se ajustar posições ou reduzir exposição.
3.1.3 Evitar alta alavancagem
Em contratos de baixa liquidez (Tier 1), a exchange exige margens mais altas. Operadores devem aumentar suas margens para diminuir a alavancagem efetiva, reduzindo risco de liquidação em mercados voláteis.
) 3.2 Risco central 2: controle de concentração e manipulação (IOIR)
Evitar que uma única conta ou grupo de contas domine o contrato, especialmente em ativos de baixa liquidez.
Estratégias de autoproteção:
Operadores devem garantir que seus algoritmos e padrões de negociação estejam alinhados com comportamentos legítimos de market makers, evitando padrões manipulativos.
Estratégias de autoproteção:
Lembre-se: esses indicadores são exemplos de métricas quantitativas. Se você ainda não estabeleceu uma rotina de autoavaliação, pense duas vezes antes de agir.
Lembre-se de uma frase que ouvi: “Se vai roubar, esteja preparado para devolver.”
Por fim, recomenda-se cautela: pense bem antes de operar.