Da experiência à luta pelo poder no setor de criptografia: a viagem de Trump a Davos e o confronto de políticas da Coinbase

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As criptomoedas estão a passar por uma transformação de identidade. De outrora considerados “projetos de risco elevado”, evoluíram para uma batalha pelo controlo da infraestrutura financeira global. Essa mudança ficou evidente em dois eventos recentes: primeiro, a presença de Trump na próxima semana no Fórum Económico Mundial de Davos; segundo, a declaração pública do CEO da Coinbase, Brian Armstrong, contra um projeto de lei de criptomoedas. Embora pareçam independentes, ambos refletem uma realidade mais profunda — o setor de criptomoedas deixou de ser uma questão de inovação tecnológica para se tornar um campo de disputa de poder sobre as regras que sustentam a economia moderna.

Davos mudou: de “Fórum de Ideias” para “Arena de Competição de Sistemas”

A edição deste ano do Fórum de Davos enviará um sinal político importante. Trump estará presente pessoalmente na próxima semana, sendo a sua primeira participação no fórum em seis anos. Ao mesmo tempo, o pavilhão dos EUA anunciou o seu retorno oficial a Davos, prevendo-se cerca de 3.000 participantes de mais de 130 países, incluindo líderes políticos e altos executivos, num recorde histórico.

Por trás desses números, há uma mudança profunda na natureza do Fórum de Davos. Antes, era uma plataforma de troca de ideias entre elites globais; agora, transformou-se num espaço de negociações substantivas entre governos e empresas sobre “design de sistemas de infraestrutura”. Especialmente em áreas estratégicas como inteligência artificial, energia e cadeias de abastecimento, o fórum deixou de se limitar à questão de “como devemos pensar”, passando a focar em “como devemos construir e controlar”.

O núcleo dessa mudança é claro: na era da economia global impulsionada pela tecnologia, quem controla as regras da infraestrutura fundamental detém o poder sobre o futuro econômico dos próximos dez anos. A ida de Trump a Davos, de certa forma, envia um sinal global — o governo dos EUA pretende participar de forma mais ativa nesta disputa de sistemas.

As finanças cripto silenciosamente evoluem para “infraestrutura estratégica”

Em sintonia com isso, o setor de finanças digitais também está a evoluir rapidamente.

Atualmente, o volume diário de transações com stablecoins já alcança dezenas de bilhões de dólares, sendo amplamente utilizado em pagamentos transfronteiriços e gestão de fluxos de capital. Ainda mais importante, a tendência de tokenização está a penetrar nos mercados tradicionais de capitais — de fundos a ativos do mundo real, a digitalização tornou-se uma força irreversível.

O que isso significa? Significa que as criptomoedas concluíram a sua transição de “projeto de risco marginal” para “infraestrutura central”. Em 2025, a “Declaração de Davos sobre Web3”, publicada pelo Centro Web3 de Davos, estabeleceu claramente os quatro princípios de “Inovação Responsável, Sustentabilidade, Responsabilidade e Confiança”, essencialmente preparando o terreno para que as finanças digitais tenham reconhecimento legal dentro do sistema econômico tradicional.

Cripto já não é uma “opção”, mas uma componente essencial que o sistema financeiro moderno deve enfrentar de frente.

A estratégia de “competitividade digital” de Trump

A verdadeira intenção de Trump ao ir a Davos está alinhada com sua longa visão econômica. Ele sempre enfatizou “soberania, influência e competitividade nacional”, e as criptomoedas estão precisamente na interseção desses três aspetos.

Do ponto de vista político, os ativos digitais podem proporcionar uma liquidação mais rápida, criar novas formas de formação de capital e aumentar a eficiência financeira — tudo alinhado com os objetivos de crescimento económico. Contudo, também trazem questões sensíveis como “regulação financeira, execução de sanções e o papel do dólar”.

Embora Davos não seja um local de legislação, é um palco crucial para a transmissão de prioridades políticas. A postura de Trump em relação às criptomoedas e às finanças digitais aqui influenciará diretamente as expectativas do mercado e as direções das políticas dos reguladores globais. O retorno do pavilhão dos EUA reforça ainda mais essa estratégia — os EUA estão a transformar Davos numa arma estratégica para moldar narrativas tecnológicas, fluxos de capital e influência global.

O que está por trás da “resistência” da Coinbase

Nesse contexto, a recusa do CEO da Coinbase, Armstrong, em apoiar o projeto de lei de criptomoedas proposto é particularmente significativa. Não se trata de uma simples “oposição à regulação”, mas de uma resistência ordenada contra regulações irrazoáveis.

As principais preocupações de Armstrong podem ser resumidas em três pontos:

Primeiro, o projeto de lei cria “vencedores e perdedores artificiais”. Ele favorece claramente grandes empresas existentes e instituições centralizadas, potencialmente excluindo startups inovadoras e redes descentralizadas. Essencialmente, está a usar políticas para congelar o atual ecossistema.

Segundo, aumenta a carga de conformidade sem reduzir a incerteza. O projeto não define claramente as regras de funcionamento dos produtos cripto, ao invés disso, impõe uma série de novas obrigações de conformidade, elevando o risco legal ao invés de reduzi-lo.

Terceiro, destrói as vantagens centrais da descentralização. O projeto impulsionará a evolução do ecossistema cripto para uma maior centralização, prejudicando a resiliência e a interoperabilidade globais, podendo, por fim, levar à fuga de recursos de inovação.

A posição de Armstrong reflete uma mudança importante na indústria cripto: ao se tornarem parte da infraestrutura financeira, regulações mal planejadas podem gerar riscos sistêmicos. Assim, o setor evoluiu de “exigir regulação” para “exigir uma regulação científica e racional”.

A verdade na disputa pelo poder: quem define as regras econômicas

A ida de Trump a Davos e a oposição de Armstrong ao projeto de lei representam, na verdade, duas faces de uma mesma luta pelo poder.

Trump simboliza o esforço político de controlar “o quadro regulatório do futuro financeiro digital”; Armstrong representa o poder industrial tentando impedir “regras prematuras e irrazoáveis”. O primeiro busca estabelecer a liderança dos EUA na economia digital global através de influência política, enquanto o segundo luta por manter espaço para inovação e características de descentralização no ecossistema cripto.

No centro dessa disputa está uma questão antiga: quem tem o direito de decidir as regras fundamentais que sustentam a economia moderna?

Por anos, os profissionais do setor cripto defenderam que “qualquer regulação é melhor do que nenhuma”, mas essa posição mudou radicalmente. Agora, a indústria percebe que o essencial não é a existência de regulação, mas se ela é científica, protege a inovação e consegue acompanhar a rápida evolução tecnológica.

Quando Trump entra em Davos com a agenda de “competitividade dos EUA” e líderes de empresas cripto se preparam para defender suas posições legislativas, a verdadeira identidade das criptomoedas deixou de ser uma “inovação financeira marginal” para se tornar o “novo campo de batalha pelo poder econômico”. Cada política, cada discurso em fóruns, cada proposta legislativa está a redefinir quem terá o controle do sistema econômico do futuro.

A história das cripto ainda está apenas a começar.

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