Guerra tecnológica para contornar paywalls: o impasse comercial da indústria de notícias

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Geração de resumo em curso

Na era cada vez mais digitalizada, a controvérsia legal desencadeada pelo plugin Bypass Paywall Clean (BPC) voltou a colocar a crise comercial da indústria jornalística sob os holofotes. Esta disputa técnica em torno de contornar os muros de pagamento reflete, na verdade, as profundas dificuldades do setor de media — sob a dupla pressão de receitas publicitárias em declínio e baixa disposição dos utilizadores em pagar, como deve a mídia sobreviver.

O início de um conflito legal com um plugin

O desejo dos utilizadores por informações gratuitas impulsionou uma série de extensões de navegador capazes de contornar as restrições dos muros de pagamento. Essas ferramentas geralmente utilizam a limpeza de Cookies, a desativação do JavaScript ou a simulação de crawlers para evitar o muro de pagamento suave imposto pelos meios de comunicação, permitindo que os utilizadores acessem o conteúdo completo sem assinatura.

Em agosto de 2024, a plataforma GitHub, atendendo a uma denúncia da Associação de Editores de Notícias (NMA), bloqueou completamente o BPC e seus 3.879 forks. A NMA representa mais de 2.200 editores de notícias, revistas e meios digitais, acusando o BPC de violar a Seção 1201 do Digital Millennium Copyright Act (DMCA) — envolvendo não apenas infrações de direitos autorais, mas também ações ilegais de evasão de medidas de proteção de conteúdo.

Após revisar a denúncia e conduzir sua própria investigação, o GitHub considerou as alegações da NMA como fundamentadas e, por fim, desativou todos os repositórios relacionados. Isso representou um golpe duro para os desenvolvedores e a comunidade de utilizadores do BPC, além de marcar uma vitória na defesa dos interesses do jornalismo na era digital.

A crise técnica dos muros de pagamento

Vale notar que as tecnologias de muro de pagamento de veículos tradicionais como Bloomberg e The New York Times são, na prática, bastante “básicas”. Essas restrições dependem principalmente de tecnologias front-end — controlando o acesso por meio de JavaScript ou Cookies no navegador, ao invés de uma autenticação criptografada de backend. Esse mecanismo não é rigoroso do ponto de vista técnico, mais parece uma cerca “que protege o justo, mas não o ladrão”, assumindo que a maioria dos utilizadores seguirá as regras, ao invés de implementar uma proteção de criptografia difícil de quebrar.

Por trás disso, revela-se o dilema do setor: por um lado, é necessário um muro de pagamento para proteger receitas de assinaturas; por outro, não se pode bloquear completamente o acesso — uma proibição total impediria a indexação por motores de busca, prejudicando o SEO e, por consequência, o tráfego orgânico e as receitas publicitárias. Assim, o muro de pagamento, em certa medida, torna-se uma delicada disputa psicológica entre mídia e utilizadores, e não uma verdadeira linha de defesa técnica.

A dura realidade da monetização do jornalismo

Segundo dados do Reuters Institute for the Study of Journalism, apenas 17% das pessoas em 20 mercados globais estão dispostas a pagar por notícias online — embora esse número tenha aumentado de 10% há uma década, o progresso é decepcionante. Nos EUA, a proporção de utilizadores pagantes é de 22%, o que significa que quase 80% dos americanos nunca pagam por conteúdo jornalístico.

Dados ainda mais desanimadores vêm de uma pesquisa da All About Cookies: 70% dos entrevistados afirmam evitar sites com muros de pagamento, e 60% “frequentemente procuram formas de acessar conteúdo pago gratuitamente”. Em contrapartida, 69% dos americanos já usaram contas de streaming de terceiros, e 80% deles não consideram o compartilhamento de senhas como roubo. Isso mostra que, na era digital, a aceitação do compartilhamento e do conteúdo gratuito é muito maior do que a disposição de pagar por um serviço único.

Mesmo entre o público que afirma estar “muito” ou “extremamente” interessado em notícias, 57% recusam pagar por notícias online. Isso revela uma dura realidade: embora haja demanda por notícias de alta qualidade, transformar essa demanda em disposição a pagar é extremamente difícil.

Os múltiplos dilemas do setor jornalístico

Lance Ulanoff, editor-chefe da TechRadar nos EUA, afirmou: “A era dos sites gratuitos está chegando ao fim, e você não pode fazer nada a respeito.” Contudo, a crise do jornalismo vai muito além da baixa taxa de conversão de assinantes. Produzir notícias de qualidade tem custos elevados — desde breves notícias de última hora, análises aprofundadas, reportagens investigativas até produções audiovisuais, cada uma requerendo investimentos significativos em edição e tecnologia.

Para piorar, a popularidade de bloqueadores de anúncios tem causado uma queda contínua nas receitas de publicidade online, que sempre foram uma fonte importante de renda para os sites de notícias. Veículos tradicionais como CNN.com enfrentam dificuldades, pois os jovens cada vez mais recorrem ao YouTube e TikTok para obter notícias. Um vídeo de dois minutos no TikTok, embora careça da profundidade de uma reportagem jornalística, é mais confiável para os jovens, levando a um fluxo massivo de tráfego que migra de sites tradicionais para as redes sociais.

Esse fenômeno tem provocado profundas reflexões na indústria jornalística. Margaret Sullivan, diretora executiva do Craig Newmark Center for Ethics and Safety in Journalism na Columbia Journalism School, considera “complexa” a questão dos muros de pagamento — ela também se cansa de abrir diferentes sites de notícias e ser solicitada a pagar, admitindo: “Fico frustrada toda vez que encontro um muro de pagamento.” A postura dessa veterana comentarista de notícias reflete que, mesmo dentro do setor, há uma certa frustração com os muros de pagamento.

A verdade revelada pelos dados

Para entender a efetividade real de diferentes estratégias de muro de pagamento, a empresa de análise de dados Mather Economics realizou um estudo aprofundado de 118 sites de notícias. Entre março de 2023 e março de 2024, acompanharam as mudanças de desempenho antes e depois da adoção de diferentes estratégias de pagamento.

A pesquisa dividiu os editores em dois grupos: “fechados” (limitando o número de artigos gratuitos, levando mais visitantes a enfrentarem muros de pagamento) e “abertos” (permitindo mais conteúdo gratuito, com menos visitantes atingidos por muros). Os resultados foram bastante reveladores:

Tendências de usuários e tráfego: ambos os grupos experimentaram queda no tráfego, mas o grupo fechado sofreu uma queda mais acentuada. A partir de agosto de 2023, a diferença no número de páginas visualizadas se ampliou; a partir de outubro de 2023, a diferença no número de utilizadores também se tornou evidente.

Taxa de conversão e receita: embora o grupo fechado apresentasse uma taxa de conversão de assinantes relativamente baixa, devido à maior base de usuários e ao efeito de marca, sua taxa de conversão por milhão de utilizadores foi superior à do grupo aberto. O grupo aberto, por sua vez, aumentou o engajamento ao oferecer mais conteúdo gratuito, resultando em uma taxa de conversão mais elevada.

Crescimento de assinantes e retenção: o grupo fechado cresceu em média 46% no número de novos assinantes — um dado encorajador. Contudo, a troca foi uma menor retenção de utilizadores, indicando maior risco de perda de assinantes ao longo do tempo. Por outro lado, o grupo aberto, para alcançar o mesmo número de assinantes, precisa manter uma taxa de retenção mais alta — cerca de 85% no primeiro ano e 63% ao longo de dois anos.

Impacto na receita publicitária a longo prazo: devido à queda no tráfego, a receita de publicidade do grupo fechado sofreu impacto visível após alguns meses. O grupo aberto, com uma redução de tráfego mais moderada, viu uma queda mais suave na receita publicitária.

Os dilemas do caminho futuro

A pesquisa revela o dilema central do jornalismo: não há uma solução perfeita.

Mídias que adotam estratégias de assinatura mais agressivas, como o grupo fechado, podem obter um aumento significativo de assinantes e receitas no curto prazo, mas correm o risco de maior perda de utilizadores e queda de receita publicitária a longo prazo. Por outro lado, os veículos mais abertos, com muros mais frouxos, podem melhorar a experiência do utilizador e o engajamento geral, mas precisam investir mais em retenção e estratégias de precificação para alcançar receitas comparáveis às estratégias mais radicais.

Independentemente da estratégia adotada, os veículos de comunicação enfrentam uma responsabilidade comum: demonstrar de forma convincente o valor do seu conteúdo ao público, explicando por que essas notícias valem a pena ser pagas. Na prática, uma parte considerável dos utilizadores já está disposta a pagar por notícias de alta qualidade, mas a maioria ainda não foi convencida.

Isso explica por que ferramentas como o Bypass Paywall Clean continuam surgindo. A ação dos utilizadores ao evitar muros de pagamento não reflete, na essência, uma questão moral, mas sim a incapacidade do setor de comunicar de forma convincente seu valor. Em uma era de explosão de informações, há, de fato, notícias de alta qualidade, mas a questão final é como transmitir esse valor de forma eficaz aos utilizadores, convertendo-o em disposição a pagar, que permanece como o maior desafio do setor de mídia.

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