Repensar Escala e Confiança no Fintech: Por que Atender Pequenas Empresas Ainda Exige Rigor - Entrevista com Anchit Singh

Anchit Singh é Diretor de Negócios na Fundbox.


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A Complexidade Sutil de Construir Fintech para os Desatendidos

Há mais de uma década, “empoderamento de pequenas empresas” tem sido um grito de guerra no setor financeiro. É uma missão clara, fácil de apoiar e muitas vezes difícil de concretizar. O setor está cheio de soluções ambiciosas, mas as empresas que atendem continuam complexas, fragmentadas e financeiramente frágeis. Construir para elas significa lidar com nuances. Trata-se de confiança, timing e uma compreensão silenciosa de como o risco realmente funciona.

Agora que as finanças incorporadas estão ganhando força, o foco volta a uma questão central: como construir ferramentas financeiras que sejam tanto escaláveis quanto responsáveis, especialmente quando visam empresas sem CFOs ou equipas financeiras? No cerne desse desafio está o crédito — não como um produto, mas como uma disciplina.

É por isso que esta conversa é oportuna.

Muitas fintechs passaram os últimos anos acelerando a distribuição: APIs mais rápidas, integrações melhores, UX mais fluida. São conquistas reais. Mas também elevaram novas apostas — pois quanto mais invisível e incorporado o capital se torna, mais disciplinado ele deve ser. O futuro não é apenas sobre transferir dinheiro mais rápido. É sobre fazer o crédito funcionar nas margens sem aumentar o risco no núcleo.

Poucas pessoas entendem melhor esse equilíbrio do que Anchit Singh, Diretor de Negócios na Fundbox. A experiência de Singh é fundamentada em crédito e risco, mas seu papel atual abrange crescimento, parcerias e estratégia de produto — tornando-o uma ponte rara entre rigor fundamental e execução de mercado.

Nossa entrevista com Anchit explora o que realmente é necessário para atender em escala ao segmento de PME: por que confiança e usabilidade ainda precisam ser conquistadas, como o ajuste produto-mercado evolui ao longo do tempo e por que retenção é tão importante quanto aquisição em finanças incorporadas. Singh também compartilha como parcerias podem acelerar a adoção sem diluir responsabilidades, e por que construir fluência cross-funcional é essencial para quem leva a sério uma carreira em fintech.

Como sempre, esta entrevista não trata de manchetes. Trata-se de aprender com as pessoas que realmente fazem o trabalho.

Aproveite a entrevista!


1) O que o inspirou a focar sua carreira no desenvolvimento de soluções financeiras para pequenas empresas?

Minha jornada no setor financeiro e, especificamente, em atender pequenas empresas foi moldada por uma profunda valorização pelos desafios que esses negócios enfrentam ao acessar capital. Pequenas empresas são a espinha dorsal da economia, mas muitas vezes não são atendidas pelas instituições financeiras tradicionais. Atualmente, concentro-me em preencher essa lacuna, construindo ferramentas financeiras intuitivas e orientadas por dados que atendam os empresários onde eles estão. O que me inspirou então e ainda me motiva hoje é o impacto tangível que podemos gerar ao melhorar o fluxo de caixa e impulsionar o crescimento de milhões de empreendedores.

2) Como sua experiência em crédito e gestão de risco moldou sua abordagem na construção de produtos fintech confiáveis?

Crédito e gestão de risco são fundamentais no setor financeiro. Meu trabalho inicial foi prático, construindo e escalando nossos modelos de crédito, colaborando com ciência de dados para refinar continuamente a análise de risco e garantindo que pudéssemos emprestar de forma responsável, mantendo uma experiência de usuário fluida. Essa experiência me ensinou a importância de equilibrar inovação com disciplina. Em fintech, não basta construir rápido — é preciso construir com confiança. Cada decisão de produto deve refletir uma compreensão profunda do risco, especialmente ao incorporar capital nos fluxos de trabalho das empresas.

3) Quais são os maiores desafios na escalabilidade de soluções fintech, especialmente ao direcionar pequenas e médias empresas?

Um dos maiores desafios é atender às PME onde elas estão, tanto em termos de tecnologia quanto de confiança. Diferentemente das grandes empresas, as PME são extremamente diversas, em setor, tamanho, adoção digital e comportamento financeiro. Isso torna a escala uma tarefa muito nuanceada. É preciso infraestrutura flexível, segmentação precisa e, muitas vezes, parcerias com plataformas que as PME já utilizam. Além disso, as fintechs devem navegar por regulações em evolução, gerenciar capital de forma eficiente e manter um forte foco na economia unitária para escalar de forma sustentável.

4) Pode compartilhar algumas lições-chave que aprendeu ao desenvolver novos produtos e estabelecer estratégias de crescimento em fintech?

Uma lição central é que o ajuste produto-mercado nunca é estático; ele evolui conforme seus clientes crescem e sua tecnologia amadurece. Aprendemos a iterar rapidamente, guiados por dados, mas sempre com empatia pelo cliente. Outra lição importante é o poder do alinhamento cross-funcional: estratégias de crescimento têm sucesso quando produto, crédito, marketing e parcerias avançam em sintonia. Por fim, crescimento não é só aquisição. Retenção, expansão e valor ao longo da vida do cliente são igualmente críticos, especialmente em um espaço como finanças incorporadas, onde os relacionamentos se aprofundam com o tempo.

5) Qual o papel de parcerias e marketing no sucesso de uma fintech?

Eles são absolutamente essenciais. À medida que priorizo essas relações simbióticas no trabalho, vejo que, por meio de parcerias, as fintechs podem incorporar soluções em plataformas que os usuários já confiam. Isso acelera a distribuição e melhora a experiência do usuário. O marketing, por sua vez, ajuda a construir confiança e a educar os clientes. Especialmente em fintech, onde os produtos podem ser complexos e as decisões financeiras de alto risco, uma comunicação clara e credível é fundamental.

6) Como você vê a evolução do crédito incorporado e das soluções de pagamento, especialmente para pequenas empresas?

Ainda estamos nos primeiros passos do setor de finanças incorporadas. Acredito que o futuro está em tornar o capital invisível, mas disponível, e integrá-lo de forma tão fluida nos fluxos de trabalho que os empresários nem percebam que estão tomando emprestado. Avanços em infraestrutura de dados e APIs permitirão produtos financeiros mais personalizados e em tempo real. Para as PME, isso significa decisões mais rápidas, condições mais flexíveis e melhor alinhamento com suas operações diárias. Os vencedores nesse espaço serão aqueles que combinarem crédito inteligente com uma experiência de usuário excepcional.

7) Que conselho você daria a profissionais aspirantes que desejam construir uma carreira em fintech, especialmente em áreas como gestão de crédito e desenvolvimento de produto?

Aproxime-se do problema. Seja em crédito, produto ou análise, entender as dores do seu cliente é tudo. Em segundo lugar, não tenha medo de atuar em várias funções. Minha própria trajetória — de analista a Diretor de Negócios — foi moldada pela disposição de explorar diferentes áreas e conectar os pontos entre elas. Fintech é inerentemente interdisciplinar, e aqueles que conseguem atuar na interseção de dados, tecnologia e negócios terão mais sucesso. Por fim, mantenha-se humilde e curioso. O setor evolui rapidamente, e há sempre mais a aprender.

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