No primeiro trimestre de 2026, o mercado de criptomoedas manteve alta atividade no geral, embora os volumes de negociação tenham caído gradualmente após os picos de janeiro. O volume total de negociação spot no trimestre foi de aproximadamente US$ 1,94 trilhão, enquanto o de derivativos atingiu cerca de US$ 18,63 trilhões, totalizando US$ 20,57 trilhões. A relação entre derivativos e spot ficou em torno de 9,6x. A atividade de mercado permaneceu concentrada no setor de derivativos, com os volumes spot apresentando contração mais acentuada.
Os principais indicadores mostram que a Binance manteve a liderança do setor. O volume negociado em derivativos chegou a US$ 4,90 trilhões, correspondendo a 34,9% das 10 maiores exchanges; o juros em aberto médio diário foi de US$ 23,9 bilhões (29,9% de participação); e os ativos de usuários sob custódia atingiram US$ 152,9 bilhões, representando 73,5% entre as principais CEXs. Em comparação com as plataformas em segundo lugar, o volume de derivativos da Binance foi 2,2x o da OKX, o juros em aberto médio foi 2,2x o da Bybit e o volume de ativos de usuários foi 9,6x o da OKX. Isso evidencia que a liderança da Binance é multidimensional, abrangendo atividade de negociação, juros em aberto, liquidez e retenção de capital.
No Top 5, o mercado estabeleceu uma hierarquia clara. Em volume de derivativos, Binance, OKX, Bybit, Gate e Bitget ocupam as primeiras posições, com Bybit e Gate próximas em escala e a OKX sendo a concorrente centralizada mais próxima da Binance. Em juros em aberto, a ordem do segundo escalão é Bybit, Gate, OKX e Bitget. Em ativos de usuários, apenas a OKX mantém mais de US$ 10 bilhões após a Binance, enquanto Gate, Bitget e Bybit estão entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões. No geral, a competição entre as Top 5 é acirrada, mas ainda existe uma diferença expressiva entre a líder e o grupo seguinte.
No primeiro trimestre de 2026, o volume total de negociação de criptoativos (spot + derivativos) chegou a US$ 20,57 trilhões, sendo US$ 1,94 trilhão em spot e US$ 18,63 trilhões em derivativos. Janeiro registrou o maior volume mensal (spot US$ 704,7 bilhões + derivativos US$ 6,73 trilhões), seguido de leve queda em fevereiro e contração adicional em março, atingindo o menor nível do trimestre. Essa tendência reflete a cautela macroeconômica global do período, já que o apetite ao risco do mercado ainda não havia se recuperado totalmente após a desalavancagem acentuada do quarto trimestre de 2025.
O volume médio diário de negociação spot foi de US$ 21,8 bilhões, enquanto os derivativos somaram US$ 209,3 bilhões por dia. A relação derivativos/spot se manteve em cerca de 9,6x no trimestre, levemente acima da média anual de 2025. Isso sugere que, em períodos de ajuste de mercado, traders preferiram derivativos para estratégias de hedging e curto prazo, em vez de alocações direcionais em spot.

O volume spot acumulado da Binance no trimestre foi de US$ 639,9 bilhões, com média diária de US$ 7,19 bilhões e 34,3% de participação entre as Top 10. Mensalmente, a participação da Binance entre as Top 10 spot manteve-se estável: 34,0% em janeiro de 2026, 33,7% em fevereiro e uma recuperação para 35,4% em março. Mesmo com a contração do volume total de mercado de US$ 704,7 bilhões em janeiro para US$ 542,0 bilhões em março — queda de 23% — a participação da Binance aumentou. Isso mostra que, apesar da retração geral do mercado spot, a liquidez de alto nível continuou concentrada em poucas plataformas.
Entre as Top 5, o mercado spot é mais fragmentado do que o de derivativos. No trimestre, as cinco principais plataformas spot foram Binance, Gate, Bybit, Coinbase e OKX, com volumes de US$ 639,9 bilhões, US$ 201,4 bilhões, US$ 186,9 bilhões, US$ 167,7 bilhões e US$ 162,7 bilhões, respectivamente. Excluindo a Binance, as demais detinham cerca de 8% a 10% do mercado cada. Assim, a liderança da Binance em spot é clara, mas o segundo escalão é mais equilibrado e a competição é mais dispersa do que em derivativos.

A Binance registrou US$ 4,90 trilhões em volume acumulado de derivativos no trimestre, com média diária de US$ 55 bilhões. Entre as Top 10, a Binance deteve 34,9% de participação, superando amplamente os volumes combinados da OKX (US$ 2,19 trilhões) e Bybit (US$ 1,49 trilhão).
Mensalmente, a participação da Binance entre as Top 10 derivativos permaneceu forte: 33,2% em janeiro de 2026, subindo para 35,8% em fevereiro e mantendo-se em 35,7% em março. Essa trajetória de recuperação está alinhada com o retorno da liquidez para as principais plataformas após a desalavancagem do quarto trimestre de 2025. Embora os volumes tenham se dispersado brevemente no início do trimestre, à medida que o mercado se estabilizou, a liquidez voltou para plataformas com livros de ordens mais profundos e maior eficiência de execução, sendo a Binance a principal beneficiada.
A OKX é a concorrente centralizada mais próxima da Binance, mas seu volume equivale a cerca de 45% do volume da líder; Bybit e Gate estão próximas em escala, formando o centro do segundo escalão; Bitget completa o Top 5, mas há diferença acentuada entre ela e as quatro primeiras. Em termos relativos, o volume de derivativos da Binance é 3,3x o da Bybit, 3,4x o da Gate e 5,5x o da Bitget.

Ao comparar os mercados spot e de derivativos, as estruturas competitivas divergem de forma acentuada. Em spot, a Binance lidera, mas o segundo escalão — Gate, Bybit, Coinbase e OKX — está próximo em participação. Em derivativos, a liderança da Binance é mais pronunciada, e a hierarquia entre a OKX (segunda) e as demais é mais definida. Isso destaca que a dominância da Binance é mais concentrada em derivativos, enquanto o mercado spot é caracterizado por uma “plataforma líder com segundo escalão fragmentado”.
Pela posição das plataformas, a OKX é solidamente a segunda em derivativos e a concorrente mais próxima da Binance; Bybit e Gate estão no mesmo nível, com a Bybit tendo forte engajamento de traders globais ativos e a Gate mantendo destaque em volume e juros em aberto. BingX, LBank, WhiteBIT, Coinbase e Hyperliquid seguem ativas fora do Top 5, porém em escala menor.
Plataformas descentralizadas de derivativos já fazem parte do cenário principal. O volume da Hyperliquid no trimestre chegou a US$ 492,7 bilhões, colocando-a entre as Top 10, com juros em aberto médio de cerca de US$ 6 bilhões. Isso demonstra que os derivativos on-chain não são mais periféricos, mas começam a competir em determinados segmentos. No entanto, sua escala geral ainda fica atrás das plataformas centralizadas líderes, como Binance, OKX, Bybit e Gate.
No primeiro trimestre de 2026, o juros em aberto médio diário em derivativos (OI) foi de US$ 117,2 bilhões, atingindo o pico de US$ 152,5 bilhões em 15 de janeiro. Por mês, o OI médio diário foi de US$ 141,1 bilhões em janeiro, caiu para US$ 102,6 bilhões em fevereiro (queda de 27%) e teve leve recuperação para US$ 106,0 bilhões em março.
O OI médio da Binance no trimestre foi de US$ 23,9 bilhões, representando 29,9% das Top 10 e ocupando o primeiro lugar. Bybit, Gate, OKX e Bitget vieram em seguida, com OI médio de US$ 11,0 bilhões, US$ 10,8 bilhões, US$ 6,8 bilhões e US$ 6,4 bilhões, respectivamente. O OI médio da Binance foi 2,2x o da Bybit, 2,2x o da Gate, 3,5x o da OKX e 3,7x o da Bitget, evidenciando sua liderança clara.
A participação em OI da Binance permaneceu na faixa de 20%–21% durante o trimestre, indicando posição de mercado estável. Vale destacar que o pico de OI da Binance foi de US$ 32,1 bilhões — 2,2x o pico da Bybit de US$ 14,5 bilhões —, demonstrando a capacidade da Binance de absorver mais posições durante períodos de volatilidade.

A estrutura de juros em aberto difere da de volume de negociação. A liderança da Binance em volume supera em mais de 19 pontos percentuais o segundo lugar, mas em OI, a diferença entre Binance (29,9%), Bybit (13,8%), Gate (13,4%) e OKX (8,5%) é menor. Isso reflete as forças únicas de cada plataforma em atrair posições de longo prazo.
Destaque para a escala da Hyperliquid, com OI médio diário de US$ 6 bilhões e pico próximo a US$ 9,7 bilhões — próximo à Bitget e superior à WhiteBIT ou BingX. O avanço das plataformas on-chain em juros em aberto mostra seu apelo crescente para estratégias de trading e alta alavancagem. Embora ainda não desafiem a dominância da Binance, concorrentes on-chain elevam o nível para o segundo escalão. O rápido crescimento do OI da Hyperliquid reforça a visão do relatório anual de 2025 de que “os derivativos descentralizados estão passando da prova de conceito para a competição real por participação de mercado”.
Esta seção utiliza dados instantâneos do Livro de Ordens para comparar a profundidade bilateral de ±1% para BTC e ETH em spot e futuros nas principais plataformas. A profundidade, mais do que volume ou OI, mede diretamente a capacidade de uma plataforma de absorver grandes ordens, sendo um teste fundamental de “liderança de qualidade”.

Em futuros de BTC, a profundidade bilateral média de ±1% foi de US$ 284 milhões para a Binance, US$ 160 milhões para a OKX e US$ 76,55 milhões para a Bybit. A Binance superou a OKX em 1,8x e a Bybit em 3,7x, mantendo liderança clara. Para traders institucionais, isso significa que a Binance pode absorver ordens maiores de futuros de BTC sem impacto excessivo no preço, traduzindo-se em valor de execução.
No spot de BTC, a profundidade bilateral média de ±1% foi de US$ 37,54 milhões para a Binance, US$ 26,82 milhões para a Bybit e US$ 20,18 milhões para a OKX. Diferente dos futuros, a Bybit ficou em segundo, mas a Binance superou a Bybit em 40% e a OKX em 86%. Isso confirma a liderança da Binance em ambos os pools centrais de liquidez de BTC, com o vice-líder variando conforme o segmento.
Em futuros de ETH, a profundidade bilateral média de ±1% foi de US$ 139 milhões para a Binance, US$ 117 milhões para a OKX e US$ 90,15 milhões para a Bybit. A competição em futuros de ETH é mais acirrada do que em BTC, com a OKX reduzindo a diferença para a Binance para 16% e a Bybit ficando 35% atrás da líder. Ainda assim, a Binance permanece em primeiro, mostrando que sua vantagem vai além do BTC.
No spot de ETH, a profundidade bilateral média de ±1% foi de US$ 16,84 milhões para a Binance, US$ 11,58 milhões para a Bybit e US$ 10,57 milhões para a OKX. Assim como no spot de BTC, a Bybit é a segunda, mas a Binance superou a Bybit em 45% e a OKX em 59%. No geral, a Binance lidera nos quatro segmentos centrais, com o segundo lugar alternando entre OKX e Bybit, evidenciando a abrangência — e não apenas a profundidade — da vantagem da Binance.
Para execução, a profundidade é melhor indicador da verdadeira qualidade de liquidez do que o volume. Os dados do trimestre mostram que a Binance lidera tanto em volume spot e de derivativos quanto em profundidade de liquidez de BTC e ETH. A OKX é mais competitiva em profundidade de futuros, e a Bybit está mais próxima do topo em profundidade spot, mas nenhuma plataforma atualmente desafia a Binance nos quatro segmentos centrais. Isso ressalta a estabilidade estrutural da liderança da Binance.
No primeiro trimestre de 2026, os ativos sob custódia média diária da Binance foram de US$ 152,9 bilhões, correspondendo a 73,5% das Top 10. Esse valor é muito superior à sua participação em volume de negociação (34,9%) ou juros em aberto (29,9%), demonstrando a dominância da Binance em custódia de ativos. Os ativos de usuários estão fortemente ligados à confiança na marca, ao ecossistema de produtos, à facilidade de depósitos e saques on/off-chain e ao uso de múltiplos serviços — tornando esse um forte indicador de competitividade de longo prazo.
Por mês, os ativos sob custódia da Binance caíram no início do trimestre e depois se estabilizaram: US$ 172,7 bilhões por dia em janeiro (máxima do trimestre, refletindo sentimento otimista), US$ 136,4 bilhões em fevereiro (queda de 21%, acompanhando a retração do OI) e US$ 147,8 bilhões em março (indicando estabilização dos saques). O pico trimestral foi de US$ 182,1 bilhões em 15 de janeiro.
As Top 5 plataformas foram Binance, OKX, Gate, Bitget e Bybit, com ativos médios de usuários de US$ 152,9 bilhões, US$ 15,9 bilhões, US$ 6,8 bilhões, US$ 6,7 bilhões e US$ 5,6 bilhões. Apenas a OKX manteve mais de US$ 10 bilhões após a Binance; as três seguintes ficaram entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões. O padrão é “líder clara, segunda distante e restante agrupado”.

A concentração de ativos de usuários é muito maior do que em volume de negociação ou OI. Entre as Top 10, os US$ 152,9 bilhões da Binance superam amplamente os US$ 15,9 bilhões da OKX (apenas 1/10 desse valor). Gate (US$ 6,8 bilhões), Bitget (US$ 6,7 bilhões) e Bybit (US$ 5,6 bilhões) têm escala semelhante, mas estão muito atrás da Binance — cujos ativos são 8x o total combinado dessas três. Os ativos médios de usuários na Binance são 9,6x os da OKX, 22,4x os da Gate, 22,9x os da Bitget e 27,1x os da Bybit. A dominância da Binance em ativos é ainda maior do que em derivativos ou OI. Isso significa que sua posição de mercado é definida não apenas pela atividade de negociação, mas pela preferência de capital de longo prazo. Essa concentração extrema tende a ser mais estável e difícil de replicar, tornando a Binance uma “infraestrutura sistêmica” para custódia de criptoativos, com suas operações e compliance impactando de forma desproporcional a estabilidade do mercado.
O segundo escalão inclui HTX (US$ 5 bilhões), MEXC (US$ 4,8 bilhões), Deribit (US$ 4,1 bilhões), KuCoin (US$ 3,7 bilhões) e Crypto.com (US$ 2,4 bilhões).
A análise de volume de negociação, juros em aberto, profundidade de liquidez e ativos de usuários sob custódia permite tirar várias conclusões principais:
Primeiro, a liderança de mercado da Binance é abrangente e robusta. Ela ocupa o primeiro lugar em todos os principais indicadores: US$ 4,90 trilhões em volume de derivativos (34,9% das Top 10), US$ 23,9 bilhões de OI médio diário (29,9%), US$ 284 milhões em profundidade de futuros de BTC (54,6%) e US$ 152,9 bilhões em ativos de usuários (73,5%). Mais importante, a liderança da Binance em profundidade de liquidez e custódia de ativos supera amplamente sua vantagem em volume de negociação, confirmando seu papel como infraestrutura central dos mercados de criptoativos.
Segundo, o cenário competitivo em derivativos está mudando. A OKX é a concorrente centralizada mais próxima, principalmente em volume de derivativos e profundidade de futuros; a Bybit é equilibrada em volume, OI e liquidez spot; a Gate mantém forte presença em derivativos e OI, mas é mais fraca em ativos sob custódia; a Bitget é um player relevante do segundo escalão, figurando consistentemente entre as Top 5 em volume de derivativos e OI. O mercado de derivativos, tradicionalmente dominado por poucas CEXs líderes, agora enfrenta dupla disrupção: de canais institucionais regulados, como a CME, que atraem operações de hedging e basis, e de protocolos descentralizados, como a Hyperliquid, que atraem traders de alta frequência e estratégias com resistência à censura, composabilidade e operação 24/7.
Terceiro, o mercado está em fase de recuperação cautelosa. Os volumes do primeiro trimestre caíram mês a mês, e o OI se estabilizou após forte queda, refletindo recuperação pós-choque dos eventos extremos do quarto trimestre de 2025. Ao entrarmos no segundo trimestre, variáveis-chave a observar incluem: a direção da política monetária do Fed, mudanças nos fluxos de ETF spot de BTC e a implementação de estruturas regulatórias nas principais jurisdições.





