O impacto do preço do petróleo varre o mundo, mas o Bitcoin mantém-se firme em 67.000 dólares: a correlação com Wall Street torna-se uma variável-chave

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9 de março de notícias, o conflito geopolítico no Médio Oriente continua a intensificar-se, os preços internacionais do petróleo já ultrapassaram a barreira de 100 dólares por barril, causando oscilações evidentes nos mercados globais. No entanto, num contexto de queda generalizada nas ações asiáticas e aumento dos rendimentos dos títulos, o preço do Bitcoin mantém-se relativamente estável, ainda rondando os 67.000 dólares, praticamente inalterado em relação às 24 horas anteriores.

Análises de mercado indicam que uma das razões principais para a resistência do Bitcoin é a crescente ligação com o mercado financeiro dos EUA. Após o início do conflito, o mercado de ações dos EUA mostrou-se mais resiliente do que o asiático, e a correlação do Bitcoin com as ações tecnológicas americanas e o índice Nasdaq tem vindo a aumentar, refletindo uma estabilidade semelhante.

Analistas do JPMorgan, Kriti Gupta e Justin Beimann, no seu relatório mais recente, destacaram que os EUA possuem uma vantagem clara na oferta de energia, o que, em certa medida, mitiga o impacto do aumento dos preços do petróleo. Dados mostram que as principais importações de petróleo dos EUA vêm do Canadá e do México, com apenas cerca de 4% vindo da Arábia Saudita, e que os EUA já se tornaram o maior exportador líquido de petróleo do mundo. Assim, mesmo com interrupções no transporte pelo Estreito de Hormuz, o impacto direto nos EUA é relativamente limitado.

Em contraste, os mercados asiáticos sofreram impactos mais severos. Desde o início do conflito em 28 de fevereiro, o índice Nikkei do Japão caiu cerca de 10%, o índice Nifty da Índia caiu aproximadamente 5%, e o KOSPI da Coreia do Sul caiu mais de 16%. Ao mesmo tempo, os futuros dos principais índices americanos tiveram quedas menores, revelando diferenças regionais evidentes na avaliação de risco do mercado.

Com a entrada contínua de fundos institucionais no mercado de criptomoedas, a natureza do ativo Bitcoin também mudou. Desde 2024, os EUA lançaram ETFs de Bitcoin à vista, oferecendo aos investidores institucionais uma via mais direta de alocação, o que tem impulsionado a visão do Bitcoin como um ativo de risco ligado ao mercado americano. Além disso, após a eleição de Trump no final de 2024, as expectativas de uma regulamentação mais branda para as criptomoedas reforçaram ainda mais essa ligação.

Para além dos fatores macroeconómicos, o Bitcoin passou por uma forte correção, chegando a aproximar-se dos 60.000 dólares. Alguns analistas acreditam que esta correção eliminou posições especulativas de curto prazo, criando uma base de preço mais sólida para o mercado.

No entanto, o aumento dos preços da energia pode ainda ter efeitos retardados na economia dos EUA. Kriti Gupta e Justin Beimann apontam que, mesmo com um elevado grau de independência energética, o aumento global dos preços do petróleo pode, a longo prazo, influenciar os preços da gasolina e, por sua vez, o consumo dos consumidores. Se os preços do petróleo permanecerem elevados por um período prolongado, a pressão inflacionária poderá voltar a ser uma preocupação no futuro.

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