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Caso de 14 mil milhões de dólares em Bitcoin: Chen Zhi do Prince Group foi detido, grande esquema de fraude em criptomoedas expõe luta entre os EUA e a China
Os casos de fraudes com criptomoedas têm surgido incessantemente nos últimos anos, mas poucos envolvem ativos de centenas de milhões de dólares, jurisdições de três países e impacto na diplomacia entre EUA e China. A prisão e extradição do fundador do Grupo Taizi, Chen Zhi, colocaram um grande esquema internacional de fraude sob os holofotes, enquanto a disputa pela propriedade de 127.271 bitcoins que ele controla evolui para um jogo político entre duas grandes potências pelo controle regulatório de ativos digitais.
Encerramento da investigação internacional: Chen Zhi é preso no Camboja e extraditado para a China
No início deste mês, Chen Zhi, fundador do Grupo Taizi, foi detido pelas autoridades no Camboja e posteriormente extraditado para a China. O Ministério do Interior do Camboja anunciou que a operação de prisão resultou de uma investigação conjunta de vários meses envolvendo crimes transnacionais, e foi realizada a pedido de Pequim, sem divulgar as acusações específicas contra ele na China.
Vale notar que a identidade de Chen Zhi passou por várias mudanças. Em 2014, ele renunciou à cidadania chinesa e tornou-se cidadão do Camboja. Sua cidadania cambodjana foi revogada no final do ano passado, deixando-o na condição de “apatridia”, o que complicou o processo de extradição sob o aspecto legal.
Acusações nos EUA: a origem do esquema de 127.271 bitcoins
O Departamento de Justiça e o Departamento do Tesouro dos EUA apresentaram acusações contra Chen Zhi e o Grupo Taizi em outubro de 2025, envolvendo crimes graves como fraude por transferência eletrônica, lavagem de dinheiro e trabalho forçado, especialmente na organização e liderança de fraudes do tipo “pump and dump”. Segundo a acusação, os ativos criptográficos apreendidos totalizam 127.271 bitcoins, cujo valor de mercado atual de US$ 89.910 por bitcoin equivale a mais de US$ 114 bilhões, muito acima da estimativa inicial de US$ 14,2 bilhões. Além disso, os EUA congelaram bens imobiliários e outros ativos no valor de várias centenas de milhões de dólares em nome dele.
A razão pela qual as fraudes com criptomoedas diferem das tradicionais reside na sua natureza transnacional e na sua maior ocultação. Após obter fundos por meio de investimentos falsos, fraudes amorosas e outros golpes, os criminosos geralmente convertem o dinheiro em bitcoins ou outros ativos criptográficos, usando a pseudo-anonimidade do blockchain para transferir e lavar dinheiro, dificultando o rastreamento.
Caso Bitcoin: o conflito entre hackers e fundos de fraude
À medida que o caso evolui, surgem divergências fundamentais entre as narrativas dos EUA e da China.
Em novembro de 2025, o Centro Nacional de Resposta a Vírus de Computador da China revelou de repente que a origem dos bitcoins controlados por Chen Zhi é um mistério — mais de 120.000 bitcoins supostamente foram roubados de uma fazenda de mineração na China em 2020. Ainda mais explosivo, alguns desses bitcoins roubados apareceram inesperadamente na lista de ativos confiscados pelos EUA, sugerindo que as autoridades americanas podem estar de posse de ativos roubados.
Porém, as autoridades americanas rejeitaram veementemente essa hipótese, afirmando que todos os bitcoins apreendidos derivam de atividades criminosas de fraude e lavagem de dinheiro de Chen Zhi e entidades relacionadas, sem qualquer ligação com hackers. Cada lado mantém sua versão, sem dados independentes de terceiros que possam validar qualquer uma delas.
Jogo de poder por trás: as criptomoedas como novo campo de batalha entre grandes potências
Este caso, que parecia simples de início, transformou-se em uma disputa entre EUA e China pelo controle e a narrativa sobre ativos digitais e sua regulamentação.
Por um lado, os EUA detêm o poder de congelar ativos físicos e podem exercer controle temporário sobre bitcoins. Por outro, a China controla Chen Zhi e questiona a propriedade dos ativos sob a alegação de “roubo por hackers”. Não há um vencedor claro nesta disputa — se os EUA obtiverem a autoridade sobre os bitcoins, isso será interpretado como uma extensão do domínio do dólar na esfera dos ativos virtuais; se a China prevalecer, poderá redefinir o marco legal para a recuperação de ativos criptográficos transnacionais.
E as vítimas — pessoas comuns que tiveram suas contas esvaziadas por fraudes do tipo “pump and dump” — permanecem com voz fraca nesta confrontação internacional, com a recuperação de fundos ainda distante. Talvez essa seja a maior tragédia das fraudes com criptomoedas: o avanço tecnológico não só não protege os mais vulneráveis, como também se torna um palco de disputa de poder entre nações.