Na corrida global pela regulamentação de ativos digitais, os Estados Unidos enfrentam uma pressão sem precedentes. A União Europeia aprovou o MiCA (Regulamento de Mercados de Criptoativos), enquanto vários centros financeiros na Ásia estão aprimorando seus próprios sistemas de licenciamento e estruturas de custódia de ativos. Ao mesmo tempo, a Lei CLARITY (H.R. 3633) dos EUA ainda aguarda votação no Senado — essa proposta redefinirá a divisão de competências regulatórias dos ativos digitais, mas enfrenta obstáculos políticos e econômicos mais complexos do que se imagina.
O que é o MiCA? É uma estrutura regulatória unificada da UE para o mercado de criptoativos, abrangendo todos os Estados-membros, com categorias claras de ativos, requisitos de licença para exchanges e padrões de gestão de riscos. A existência dessa estrutura já pressiona os legisladores americanos — se Washington continuar a atrasar, o risco de capital e talentos migrarem para o exterior aumenta. Essa urgência da competição internacional transformou o CLARITY de uma discussão acadêmica em um verdadeiro jogo político e econômico.
Como o MiCA mudou o jogo regulatório global
O quadro do MiCA na UE estabeleceu um princípio fundamental: regulamentação clara é mais eficaz do que incerteza total na proteção dos consumidores e na estabilidade do mercado. Ele não só define o status das stablecoins, mas também cria caminhos claros para DeFi, serviços de custódia e transações transfronteiriças. Para o mercado americano, o surgimento do MiCA significa um ecossistema mais atraente para o capital internacional — a menos que os EUA possam oferecer a mesma certeza.
O CLARITY é a resposta americana a esse desafio. A proposta busca definir quando um ativo digital é considerado um valor mobiliário (sob supervisão da SEC) ou uma mercadoria (sob supervisão da CFTC). Mas essa delimitação envolve interesses muito além do imaginado — desde bancos tradicionais até empresas nativas de cripto, todos disputam uma posição regulatória favorável.
Por que o Senado virou o gargalo do CLARITY
A Câmara já aprovou o CLARITY, mas isso é apenas o começo. Agora, a batalha ocorre no Senado, especialmente na Comissão de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos. Diferente da Câmara, o Senado tende a buscar consenso, não depender da maioria partidária. Isso significa que qualquer avanço radical pode gerar debates longos, emendas e confrontos políticos.
A questão mais sensível é o rendimento das stablecoins. Os bancos tradicionais temem que juros ou recompensas oferecidas por stablecoins possam retirar depósitos bancários. As empresas de cripto argumentam que proibir esses rendimentos prejudicaria a inovação e distorceria os incentivos de mercado. Não é uma questão teórica — envolve estabilidade de depósitos, transmissão monetária e a posição competitiva entre bancos e infraestrutura financeira blockchain. Se os legisladores insistirem em resolver esse conflito dentro do quadro do CLARITY, sem uma lei específica para stablecoins, o processo será lento e complicado.
O calendário político de 2026 já começou a contar
Estamos em fevereiro, com menos de dois anos até as eleições presidenciais de 2026. Esse prazo oferece uma janela clara para o CLARITY, mas também impõe um prazo invisível. Os legisladores são cautelosos ao votar em algo que possa ser interpretado como favorecendo um setor financeiro em detrimento de outro. Mesmo com um consenso bipartidário em princípios, o timing da votação pode mudar devido a dinâmicas políticas mais amplas.
A competição internacional fornece um argumento para impulsionar a lei — se os EUA não oferecerem uma estrutura de mercado adequada, o capital migrará para a Europa ou Ásia. Mas se esse argumento será suficiente para superar as considerações políticas internas, ainda é uma incógnita.
Depois do CLARITY, o trabalho realmente começa
Muitos pensam que, uma vez aprovado, o CLARITY transformará imediatamente o setor. A realidade é mais complexa. A aprovação é apenas o começo da implementação. SEC e CFTC ainda precisarão criar regulamentos detalhados, definir requisitos de registro, esclarecer padrões de reporte, estabelecer limites de fiscalização e orientar as empresas na transição. Esses processos incluem períodos de consulta pública e podem levar meses após a assinatura da lei. Assim, mesmo que o CLARITY seja lei em 2026, a operacionalização efetiva pode não acontecer até 2027.
Quando será aprovado? Três janelas realistas
Primavera de 2026: rota acelerada
Se o Comitê de Bancos do Senado realizar audiências rapidamente e chegar a um acordo de emendas gerenciáveis, o projeto pode avançar para votação no Senado até o final da primavera ou início do verão. Isso exigiria um compromisso sobre stablecoins que alivie as preocupações bancárias e mantenha a inovação cripto. Nesse cenário, a aprovação poderia ocorrer no segundo trimestre de 2026. Contudo, essa aceleração depende de uma vontade política extraordinária.
Verão de 2026: rota mais provável
Mais plausível é uma trajetória mais ordenada, com negociações prolongadas, emendas cuidadosamente elaboradas para manter o apoio bipartidário. A votação no Senado costuma depender de prioridades legislativas mais amplas, então, mesmo com aprovação na comissão, a votação geral pode ser adiada. Assim, a aprovação final poderia ocorrer entre meados e o final de 2026, possivelmente envolvendo ajustes entre as versões do Senado e da Câmara.
Após as eleições: atraso político
Se a dinâmica política se deteriorar ou a tensão aumentar, os líderes podem hesitar em avançar com o projeto antes das eleições. Nesse caso, a lei pode ficar paralisada, aguardando uma nova oportunidade na próxima sessão legislativa. Embora essa não seja a preferência da maioria, é uma possibilidade estrutural.
Sinais observáveis a acompanhar
Não confie apenas em comentários especulativos ou previsões de mercado. Acompanhe marcos legislativos mensuráveis. A primeira sinal confiável será a realização de audiências no Comitê de Bancos do Senado e a publicação de emendas propostas. O segundo será a votação favorável na comissão, encaminhando o projeto ao plenário. A confirmação pública do calendário de votação pelo líder do Senado será o terceiro passo decisivo. Sem esses marcos, qualquer otimismo será apenas especulação.
Avaliação final
O CLARITY tem maior apoio estrutural em 2026 do que nunca, pois o debate mudou de “devem os ativos digitais ser regulados?” para “como devem ser regulados”. Essa mudança reflete uma maturidade na discussão política e uma compreensão mais clara dos prejuízos da ambiguidade.
Porém, leis que envolvem a divisão de poderes regulatórios e a influência do setor financeiro sempre avançam com cautela. O CLARITY faz duas coisas: redefine as fronteiras de poder entre instituições e influencia a interseção entre stablecoins e o sistema bancário tradicional. Essas mudanças não são pequenas — representam uma redistribuição sistêmica de poder.
Se as negociações permanecerem estáveis e as concessões forem firmes, o verão de 2026 parece a janela mais realista para a aprovação. Se o comitê acelerar o ritmo, a primavera ainda é possível. Se a matemática política mudar ou a cautela aumentar, o atraso pode se estender até o próximo ciclo legislativo.
A UE já demonstrou que um quadro claro para ativos digitais é viável. Os EUA agora decidem se seguirão esse caminho, e quando. A resposta não é apenas sobre o CLARITY, mas sobre o papel dos EUA na competição global por ativos digitais.
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Quando entra em vigor a CLARITY? O MiCA incentiva os EUA a acelerar o ritmo da regulamentação de ativos digitais
Na corrida global pela regulamentação de ativos digitais, os Estados Unidos enfrentam uma pressão sem precedentes. A União Europeia aprovou o MiCA (Regulamento de Mercados de Criptoativos), enquanto vários centros financeiros na Ásia estão aprimorando seus próprios sistemas de licenciamento e estruturas de custódia de ativos. Ao mesmo tempo, a Lei CLARITY (H.R. 3633) dos EUA ainda aguarda votação no Senado — essa proposta redefinirá a divisão de competências regulatórias dos ativos digitais, mas enfrenta obstáculos políticos e econômicos mais complexos do que se imagina.
O que é o MiCA? É uma estrutura regulatória unificada da UE para o mercado de criptoativos, abrangendo todos os Estados-membros, com categorias claras de ativos, requisitos de licença para exchanges e padrões de gestão de riscos. A existência dessa estrutura já pressiona os legisladores americanos — se Washington continuar a atrasar, o risco de capital e talentos migrarem para o exterior aumenta. Essa urgência da competição internacional transformou o CLARITY de uma discussão acadêmica em um verdadeiro jogo político e econômico.
Como o MiCA mudou o jogo regulatório global
O quadro do MiCA na UE estabeleceu um princípio fundamental: regulamentação clara é mais eficaz do que incerteza total na proteção dos consumidores e na estabilidade do mercado. Ele não só define o status das stablecoins, mas também cria caminhos claros para DeFi, serviços de custódia e transações transfronteiriças. Para o mercado americano, o surgimento do MiCA significa um ecossistema mais atraente para o capital internacional — a menos que os EUA possam oferecer a mesma certeza.
O CLARITY é a resposta americana a esse desafio. A proposta busca definir quando um ativo digital é considerado um valor mobiliário (sob supervisão da SEC) ou uma mercadoria (sob supervisão da CFTC). Mas essa delimitação envolve interesses muito além do imaginado — desde bancos tradicionais até empresas nativas de cripto, todos disputam uma posição regulatória favorável.
Por que o Senado virou o gargalo do CLARITY
A Câmara já aprovou o CLARITY, mas isso é apenas o começo. Agora, a batalha ocorre no Senado, especialmente na Comissão de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos. Diferente da Câmara, o Senado tende a buscar consenso, não depender da maioria partidária. Isso significa que qualquer avanço radical pode gerar debates longos, emendas e confrontos políticos.
A questão mais sensível é o rendimento das stablecoins. Os bancos tradicionais temem que juros ou recompensas oferecidas por stablecoins possam retirar depósitos bancários. As empresas de cripto argumentam que proibir esses rendimentos prejudicaria a inovação e distorceria os incentivos de mercado. Não é uma questão teórica — envolve estabilidade de depósitos, transmissão monetária e a posição competitiva entre bancos e infraestrutura financeira blockchain. Se os legisladores insistirem em resolver esse conflito dentro do quadro do CLARITY, sem uma lei específica para stablecoins, o processo será lento e complicado.
O calendário político de 2026 já começou a contar
Estamos em fevereiro, com menos de dois anos até as eleições presidenciais de 2026. Esse prazo oferece uma janela clara para o CLARITY, mas também impõe um prazo invisível. Os legisladores são cautelosos ao votar em algo que possa ser interpretado como favorecendo um setor financeiro em detrimento de outro. Mesmo com um consenso bipartidário em princípios, o timing da votação pode mudar devido a dinâmicas políticas mais amplas.
A competição internacional fornece um argumento para impulsionar a lei — se os EUA não oferecerem uma estrutura de mercado adequada, o capital migrará para a Europa ou Ásia. Mas se esse argumento será suficiente para superar as considerações políticas internas, ainda é uma incógnita.
Depois do CLARITY, o trabalho realmente começa
Muitos pensam que, uma vez aprovado, o CLARITY transformará imediatamente o setor. A realidade é mais complexa. A aprovação é apenas o começo da implementação. SEC e CFTC ainda precisarão criar regulamentos detalhados, definir requisitos de registro, esclarecer padrões de reporte, estabelecer limites de fiscalização e orientar as empresas na transição. Esses processos incluem períodos de consulta pública e podem levar meses após a assinatura da lei. Assim, mesmo que o CLARITY seja lei em 2026, a operacionalização efetiva pode não acontecer até 2027.
Quando será aprovado? Três janelas realistas
Primavera de 2026: rota acelerada
Se o Comitê de Bancos do Senado realizar audiências rapidamente e chegar a um acordo de emendas gerenciáveis, o projeto pode avançar para votação no Senado até o final da primavera ou início do verão. Isso exigiria um compromisso sobre stablecoins que alivie as preocupações bancárias e mantenha a inovação cripto. Nesse cenário, a aprovação poderia ocorrer no segundo trimestre de 2026. Contudo, essa aceleração depende de uma vontade política extraordinária.
Verão de 2026: rota mais provável
Mais plausível é uma trajetória mais ordenada, com negociações prolongadas, emendas cuidadosamente elaboradas para manter o apoio bipartidário. A votação no Senado costuma depender de prioridades legislativas mais amplas, então, mesmo com aprovação na comissão, a votação geral pode ser adiada. Assim, a aprovação final poderia ocorrer entre meados e o final de 2026, possivelmente envolvendo ajustes entre as versões do Senado e da Câmara.
Após as eleições: atraso político
Se a dinâmica política se deteriorar ou a tensão aumentar, os líderes podem hesitar em avançar com o projeto antes das eleições. Nesse caso, a lei pode ficar paralisada, aguardando uma nova oportunidade na próxima sessão legislativa. Embora essa não seja a preferência da maioria, é uma possibilidade estrutural.
Sinais observáveis a acompanhar
Não confie apenas em comentários especulativos ou previsões de mercado. Acompanhe marcos legislativos mensuráveis. A primeira sinal confiável será a realização de audiências no Comitê de Bancos do Senado e a publicação de emendas propostas. O segundo será a votação favorável na comissão, encaminhando o projeto ao plenário. A confirmação pública do calendário de votação pelo líder do Senado será o terceiro passo decisivo. Sem esses marcos, qualquer otimismo será apenas especulação.
Avaliação final
O CLARITY tem maior apoio estrutural em 2026 do que nunca, pois o debate mudou de “devem os ativos digitais ser regulados?” para “como devem ser regulados”. Essa mudança reflete uma maturidade na discussão política e uma compreensão mais clara dos prejuízos da ambiguidade.
Porém, leis que envolvem a divisão de poderes regulatórios e a influência do setor financeiro sempre avançam com cautela. O CLARITY faz duas coisas: redefine as fronteiras de poder entre instituições e influencia a interseção entre stablecoins e o sistema bancário tradicional. Essas mudanças não são pequenas — representam uma redistribuição sistêmica de poder.
Se as negociações permanecerem estáveis e as concessões forem firmes, o verão de 2026 parece a janela mais realista para a aprovação. Se o comitê acelerar o ritmo, a primavera ainda é possível. Se a matemática política mudar ou a cautela aumentar, o atraso pode se estender até o próximo ciclo legislativo.
A UE já demonstrou que um quadro claro para ativos digitais é viável. Os EUA agora decidem se seguirão esse caminho, e quando. A resposta não é apenas sobre o CLARITY, mas sobre o papel dos EUA na competição global por ativos digitais.