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Uma Proposta de Controle Total de Custódia
Emissor de stablecoin, a Circle solicitou uma licença de banco fiduciário nacional junto do Office of the Comptroller of the Currency (OCC), dando mais um passo para se integrar ainda mais no sistema financeiro dos EUA. Se aprovada, a solicitação permitirá à empresa estabelecer o “First National Digital Currency Bank, N.A.”, uma instituição fiduciária preparada para manter reservas em moeda fiduciária e ativos cripto para clientes institucionais.
A iniciativa ocorre poucas semanas após a listagem pública da Circle e indica a ambição da empresa de formalizar ainda mais sua infraestrutura e postura regulatória. Atualmente, as reservas do USDC da Circle estão sob custódia de terceiros, incluindo a BNY Mellon e a gestora de ativos BlackRock.
De Dependente de Infraestrutura a Proprietária de Infraestrutura
Ao tornar-se um banco fiduciário com licença nacional, a Circle deixaria de depender exclusivamente de parceiros externos para proteger seus ativos. Isso inclui não apenas reservas de stablecoin, mas potencialmente uma gama mais ampla de ativos tokenizados, como títulos digitais ou ações sintéticas.
O modelo de banco fiduciário também colocaria a Circle sob supervisão direta dos reguladores bancários federais, oferecendo um quadro mais claro para as operações, enquanto os EUA se aproximam de introduzir legislação formal para stablecoins.
Alinhamento Regulatório ou Estratégia de Hedge?
O momento da solicitação coincide com o aumento do momentum regulatório em Washington em relação às stablecoins denominadas em dólar. Diversas propostas legislativas, algumas com apoio bipartidário, visam estabelecer padrões de reserva, estruturas de licenciamento e requisitos de divulgação para tokens cripto focados em pagamentos.
Para a Circle, estabelecer um banco fiduciário poderia simplificar futuras obrigações de conformidade e criar uma barreira regulatória à medida que mais concorrentes entram no espaço das stablecoins. Também pode servir como uma estratégia de hedge: se os EUA limitarem a emissão de stablecoins a depósitos segurados ou entidades com licença fiduciária, a Circle já estaria preparada para atender a esse padrão.
O Panorama Geral: Stablecoins e Estratégia do Dólar
Em termos estratégicos, a solicitação da Circle destaca uma mudança mais ampla. As stablecoins não operam mais às margens do sistema financeiro. Elas estão sendo testadas como infraestrutura para pagamentos e liquidações em dólar, inclusive por instituições que tradicionalmente evitavam ativos digitais.
As licenças fiduciárias não equivalem a licenças completas de banco comercial, mas oferecem algumas das mesmas capacidades de custódia sem exigir seguro do FDIC. Para a Circle, essa estrutura oferece flexibilidade sem expô-la aos requisitos de capital de um banco tradicional.
O Que Vem a Seguir
A aprovação não é garantida. O OCC tem demonstrado cautela em relação às licenças bancárias de criptoativos, especialmente sob lideranças que enfatizam a proteção do consumidor e a gestão de riscos. No entanto, a agência deixou a porta aberta para que empresas de ativos digitais busquem supervisão federal por meio do modelo fiduciário, desde que atendam a rigorosos padrões operacionais e de conformidade.
Se aprovada, o First National Digital Currency Bank representará mais um passo na convergência entre finanças tradicionais e infraestrutura cripto. Também colocará a Circle entre um grupo seleto de fintechs que obtiveram uma presença regulatória direta no sistema bancário dos EUA.