Visão rápida da situação no Oriente Médio | 28 de abril



As negociações entre EUA e Irã entraram em impasse processual, o Irã propôs um plano de "três passos" para postergar a questão nuclear, enquanto os EUA insistem que ela seja tratada prioritariamente, havendo uma séria descompasso nas demandas centrais de ambos. O cessar-fogo temporário entre Líbano e Israel está praticamente morto, com o exército israelense novamente exigindo que os residentes de 16 vilarejos no sul do Líbano "imediatamente evacuem", alegando que podem "lutar o ano todo". O parlamento iraniano intensificou as medidas de controle do Estreito de Ormuz, propondo institucionalizar o controle em tempo de guerra; os Houthis divulgaram um "mecanismo de cobrança de passagem" pelo Estreito de Mandeb; uma nova proposta de cessar-fogo em Gaza ainda é recebida com frieza por Israel. A China, através do Conselho de Segurança, afirmou que a origem do bloqueio do estreito está nas ações militares ilegais dos EUA e de Israel.

1. Negociações EUA-Iran: Irã lança plano de "três passos", EUA insiste na prioridade do nuclear

Irã propõe estrutura de negociações por etapas, com questão nuclear adiada

27 de abril, o Irã enviou, por mediação do Paquistão, uma proposta de negociação em três fases aos EUA. O plano divide as negociações em três etapas: a primeira com foco na cessação total da guerra e na resolução do trânsito pelo Estreito de Ormuz; a segunda dedicada ao estudo de um mecanismo de controle duradouro do estreito; a terceira, que trata da questão nuclear. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã destacou que essas negociações não são apenas discussões técnicas sobre o programa nuclear, mas sim negociações de fim de guerra para determinar responsabilidades e buscar reparações. O porta-voz da Casa Branca, Levitt, confirmou que Trump e sua equipe de segurança nacional se reuniram naquele dia para discutir a nova proposta iraniana, tendo também consultado altos funcionários do governo responsáveis pela segurança do país.

EUA insatisfeitos com a proposta, demandas centrais desajustadas

Os EUA demonstraram frieza diante da novo plano. Uma fonte americana revelou que Trump expressou insatisfação, alegando que a proposta não aborda a questão nuclear, que é o núcleo do conflito, e que ela deve ser tratada logo no início das negociações. Especialistas analisam que a aceitação do plano de três fases pelo lado americano é altamente improvável, pois as demandas centrais de ambos os lados estão completamente desalinhadas: o Irã busca reparações e a liberação de sanções, exigindo que os EUA levantem o bloqueio e compensem pelos danos; os EUA, por sua vez, exigem que o Irã suspenda indefinidamente seu programa nuclear, entregando instalações e materiais enriquecidos. O parlamento iraniano, com 261 deputados, publicou uma declaração conjunta reafirmando sua firmeza na defesa dos interesses nacionais, afirmando que a delegação não vacilará na proteção dos interesses essenciais do país.

ONU alerta: abertura do estreito sem tarifas ou discriminação

O secretário-geral da ONU, Guterres, discursou na reunião pública do Conselho de Segurança sobre "segurança e proteção das vias marítimas", pedindo a abertura imediata do Estreito de Ormuz, com a passagem de navios comerciais "sem tarifas e sem discriminação", para dar fôlego à economia global em colapso. O representante permanente do Irã na ONU, Iraj, rebateu acusando os EUA de agirem como "piratas e terroristas", violando abertamente o direito internacional ao apreender navios e tripulações iranianas.

Próximas negociações ainda envoltas em incertezas

Analistas avaliam que a iniciativa iraniana visa passar de uma postura de "defesa passiva" para uma de "ação proativa", usando o controle do trânsito no estreito como moeda de troca para que os EUA levantem o bloqueio e concedam espaço para o desenvolvimento econômico do país. Contudo, ainda é incerto se os EUA aceitarão esse quadro. A desconfiança mútua é grande, e, diante do impasse atual, negociações presenciais parecem improváveis no curto prazo. Israel mantém postura reservada quanto às concessões dos EUA, tendo anteriormente se ausentado de várias rodadas de negociações devido ao descontentamento com a proposta iraniana.

2. Conflito Líbano-Israel: exército israelense exige evacuação de 16 vilarejos, cessar-fogo praticamente morto

Exército israelense emite ordem de evacuação, operação de limpeza se aproxima do rio Litani

28 de abril, o IDF (Forças de Defesa de Israel) publicou uma declaração nas redes sociais exigindo que os moradores de 16 vilarejos no sul do Líbano "imediatamente evacuem", afirmando que o exército israelense "tomará ações" na região e alertando que "qualquer pessoa próxima às instalações do Hezbollah estará em risco de vida". A área de evacuação fica ao sul do rio Litani, e o IDF pediu que os civis se deslocassem para a região de Sídon, ao noroeste. Essa não é a primeira ordem de "limpeza de vilarejos", mas a primeira vez que uma evacuação abrangendo 16 vilarejos é ordenada de uma só vez, indicando que a operação de limpeza está se aproximando de forma abrangente do rio Litani.

Netanyahu: exército avança para norte do rio Litani, possivelmente "luta o ano todo"

O primeiro-ministro israelense, Netanyahu, afirmou em 27 de abril que as forças israelenses estão atacando a "linha de frente" no Líbano e ao norte do rio Litani, alegando que, para alcançar seus objetivos de segurança, Israel tem liberdade de ação no país. O chefe do Estado-Maior, Zamir, declarou que 2026 "provavelmente continuará sendo um ano de batalhas", devido ao aumento contínuo da carga de tarefas do exército, que precisa de mais tropas e reservistas. Em 27 de abril, o IDF realizou múltiplos ataques a mais de 20 infraestruturas do Hezbollah no leste do Líbano e no sul, atingindo arsenais e instalações de lançamento de foguetes.

Ministro da Defesa de Israel: sem cessar-fogo enquanto houver ataques

O ministro da Defesa, Gantz, afirmou com firmeza em 27 de abril que, enquanto suas tropas continuarem sendo atacadas, não há possibilidade de cessar-fogo no Líbano. Essa declaração nega diretamente todas as expectativas externas de um cessar-fogo entre Israel e Líbano.

Mortes reais muito superiores aos números oficiais, imagens de satélite da CNN revelam "apagamento" de vilarejos

27 de abril, o Ministério da Saúde do Líbano divulgou que, desde 2 de março, quando recomeçaram os combates entre Israel e Líbano, os ataques israelenses causaram 2.521 mortes e 7.804 feridos. Imagens de satélite analisadas pela CNN mostram que, após seis semanas de operações militares israelenses, várias vilas no sul do Líbano foram praticamente destruídas, com construções transformadas em escombros, incluindo mesquitas. Em 27 de abril à noite, o IDF lançou ataques intensivos contra vários alvos no sul, causando 14 mortos e 37 feridos, incluindo crianças e mulheres.

Cessar-fogo como papel molhado, impasse entre Líbano e Israel

Analistas do CCTV (CCTV, emissora estatal chinesa) apontam que, embora o acordo de cessar-fogo ainda seja mantido verbalmente, os conflitos militares já fizeram com que o acordo perca sua efetividade real. Com grandes perdas e fricções, o cessar-fogo pode ser destruído a qualquer momento, levando ambos a um impasse prolongado de negociações e confrontos.

3. Estreito de Ormuz: Irã inicia 11 propostas de lei, primeiro navio de LNG suspeito de cruzar

Irã propõe 11 medidas para institucionalizar controle em tempo de guerra

Na linha de frente do confronto EUA-Iran, o Estreito de Ormuz, o Irã está elevando seu controle de emergencial para uma estrutura legal. O presidente do Comitê de Segurança Nacional do Parlamento, Aziz, revelou em 27 de abril que o parlamento elaborou uma proposta de 11 leis abrangentes para o estreito, incluindo restrições à passagem de navios hostis, proibição de navios relacionados a Israel e tentativa de legalizar o controle institucional. Isso indica que o Irã está passando de um controle de força temporário para uma postura de controle institucionalizado e de longo prazo, assumindo uma postura de "soberania absoluta" na região.

Ministro das Relações Exteriores do Irã faz diplomacia multilateral, contornando os EUA e dialogando com países do Golfo

O vice-ministro das Relações Exteriores, Alavi, realizou uma série de visitas a Paquistão, Omã e Rússia em apenas quatro dias, buscando ampliar sua diplomacia. Essa estratégia visa evitar o impasse nas negociações com os EUA, ao mesmo tempo em que busca apoio dos países do Golfo para garantir a segurança na passagem pelo estreito, além de aprofundar a cooperação estratégica com a Rússia para obter respaldo diplomático.

Primeiro navio de LNG suspeito de cruzar o estreito, sinal de brecha na crise de abastecimento

Dados de rastreamento de navios indicam que uma embarcação chamada "Mubaraz", carregada de gás natural liquefeito, passou pelo Golfo Pérsico e chegou às águas do sul da Índia, partindo da instalação de liquefação de Abu Dabi Dast, com destino a um terminal na China. Este é o primeiro LNG suspeito de atravessar o Estreito de Ormuz desde o início do conflito. Apesar de o navio ter desligado seus sinais de localização antes e depois de passar pelo estreito, essa operação de navegação silenciosa não é incomum em tempos de guerra. Embora o volume de tráfego ainda seja bem menor que o normal, o fato de uma embarcação assim ter conseguido passar representa uma brecha na crise de abastecimento global de LNG.

4. Houthis: proposta de cobrança de passagem no Estreito de Mandeb, risco no Mar Vermelho aumenta

Copiando o modelo de Ormuz, tentativa de institucionalizar tarifas

Os Houthis, grupo aliado ao Irã, tentam replicar o modelo de passagem remunerada do Estreito de Ormuz no Estreito de Mandeb. Segundo a Obsidian International, órgão de inteligência britânico, altos dirigentes do grupo estão discutindo internamente a criação de um "mecanismo de cobrança de tarifas" no Mandeb, com o objetivo de transformar as ações de ataque de longo prazo na região em uma política de controle formal. Ainda que o sistema de pagamento enfrente dificuldades operacionais, sua implementação significaria que o risco na rota do Mar Vermelho passaria de ataques ocasionais para uma cobrança política institucionalizada.

Somália também entra na jogada, bloqueando o Estreito de Mandeb?

Ao mesmo tempo, o governo da Somália anunciou uma proibição total e rígida de passagem de navios israelenses pelo Estreito de Mandeb. A medida foi motivada pelo reconhecimento de Israel como o primeiro país a reconhecer oficialmente a "Independência de Somaliland", considerado por Mogadíscio uma afronta à soberania nacional. Se o bloqueio na parte sul do Mar Vermelho se consolidar, a segurança do abastecimento de petróleo na Ásia poderá sofrer interrupções mais frequentes e abruptas.

EUA realizam ataques aéreos contra posições dos Houthis, reforçando a dissuasão

Diante da crescente ameaça dos Houthis no Estreito de Mandeb, os EUA realizaram ataques recentes. O Comando Central dos EUA confirmou um ataque preciso na província de Abyan, no sul do Iêmen, atingindo uma posição de lançamento de mísseis anti-navio. Os Houthis afirmam que, na mesma região, já sofreram 16 mortos e mais de 40 feridos. Os porta-aviões USS Ford, USS Lincoln e USS Bush estão se deslocando para o Oriente Médio, uma movimentação incomum desde a guerra do Iraque.

Pressões militares e institucionais

Os Houthis já alertaram publicamente que, se as negociações entre EUA e Irã fracassarem, o Estreito de Mandeb será completamente fechado. Para os EUA, essa situação representa um dilema: agir de forma precipitada pode levar a um conflito prolongado e dispendioso; não agir, pode enfraquecer a dissuasão na região.

5. Faixa de Gaza: nova proposta de cessar-fogo é ignorada por Israel, impasse político persiste

Hamas aceita nova proposta de cessar-fogo

No conflito de Gaza, esforços de mediação estão estagnados. Diversos grupos palestinos, incluindo o Hamas, anunciaram na semana passada que concordaram com a última versão da proposta de cessar-fogo elaborada pelo Egito e pelo Qatar. No entanto, Israel ainda não respondeu oficialmente.

Israel mantém postura de contenção, exército continua ataques pontuais

Apesar do Hamas ter aceitado a proposta, a postura de Israel indica que um cessar-fogo real ainda está distante. Além disso, o exército israelense continua realizando ataques pontuais em Gaza, com múltiplos incidentes de feridos e mortos, demonstrando que a situação humanitária permanece difícil.

Eleições municipais em Gaza ocorrem discretamente

Em meio ao impasse, as eleições municipais em Gaza foram realizadas em 25 de abril, marcando a primeira eleição local desde 2005 e a primeira votação de âmbito municipal na Palestina em 21 anos. O evento revela que, mesmo sem um acordo de cessar-fogo, o processo de governança local continua de forma irregular.

6. Reações internacionais e impacto energético

China alerta: origem do bloqueio do estreito está nas ações ilegais dos EUA e de Israel

27 de abril, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma sessão de alto nível sobre segurança marítima. O embaixador chinês, Fu Cong, afirmou que o Estreito de Ormuz é uma rota vital de transporte de energia internacional, e que o bloqueio é causado pelas ações ilegais dos EUA e de Israel contra o Irã. Fu Cong criticou duramente a continuação do bloqueio marítimo pelos EUA, mesmo após acordos provisórios de cessar-fogo, e afirmou que a única solução é uma resolução negociada e duradoura para o conflito.

Mercado aguarda com expectativa os desdobramentos EUA-Iran

No mercado financeiro, investidores aguardam sinais de avanços nas negociações. O ouro na Ásia caiu brevemente em 28 de abril, enquanto o mercado acompanha de perto os desdobramentos e decisões de bancos centrais. No setor de criptomoedas, o sentimento permanece pressionado, com o Bitcoin caindo quase 2,50%, Ethereum recuando 3,65%, e outras moedas principais também em baixa. $BTC

Resumo: Apesar de as negociações EUA-Iran entrarem em uma nova fase de propostas, as demandas centrais continuam desalinhadas, e a estratégia do Irã de postergar a questão nuclear dificilmente será aceita pelos EUA a curto prazo. O conflito entre Líbano e Israel continua a se intensificar, com ações do exército israelense avançando no território libanês. O Irã também promove a institucionalização do controle do estreito, enquanto a ameaça dos Houthis no Mandeb se amplia. A nova proposta de cessar-fogo em Gaza ainda aguarda resposta de Israel. Quando o Estreito de Ormuz voltará à normalidade e quando os EUA e Irã voltarão às negociações, permanecem como as maiores incógnitas do cenário futuro.
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Ryakpanda
· 7h atrás
É só avançar 👊
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