# Estados Unidos buscam reserva estratégica de Bitcoin



A reserva estratégica de Bitcoin dos Estados Unidos (Strategic Bitcoin Reserve, SBR) está acelerando sua transformação de um slogan de campanha para um sistema de políticas sérias fundamentado por ordens executivas, legislação no Congresso e um quadro coordenado pela Casa Branca. Isso não é uma simples ajuste de alocação de ativos, mas sim o endosso sistemático do maior economia global à propriedade estratégica do Bitcoin como “ouro digital”, cujo alcance irá muito além do mercado de criptomoedas, tocando diretamente as raízes de um sistema de reservas soberanas que dura um século.

Um, caminho político: de ordens executivas a estrutura legal

6 de março de 2025, Trump assinou uma ordem executiva que estabeleceu oficialmente a direção política para criar uma reserva estratégica de Bitcoin e um depósito de ativos digitais dos EUA. A ordem especifica que o Tesouro deve criar uma agência dedicada para gerenciar a reserva de Bitcoin, cuja origem será BTC confiscado em processos criminais ou civis, e que os Bitcoins na reserva não poderão ser vendidos, sendo mantidos como ativos estratégicos nacionais de forma perpétua. Isso põe fim a uma prática tradicional dispendiosa do governo americano — anos de leilões de Bitcoin confiscado pelo Departamento de Justiça, que, segundo estimativas, fizeram os contribuintes americanos perderem mais de 17 bilhões de dólares em potenciais receitas.

No entanto, a ordem executiva é apenas o primeiro passo. Ela pode ser facilmente revogada por um próximo presidente, e para que a política seja “incorporada no sistema”, é necessário legislar. Para isso, a senadora Cynthia Lummis e o deputado Nick Begich reintroduziram a “Lei de Modernização da Reserva dos EUA” (ARMA, anteriormente conhecida como BITCOIN Act), cujo núcleo estabelece metas rígidas: adquirir 1 milhão de Bitcoins em cinco anos, manter por pelo menos 20 anos, com provas de reserva trimestrais e auditorias independentes — colocando o Bitcoin na mesma categoria de ativos estratégicos nacionais que ouro e petróleo.

Dois, quem paga a conta? — A lógica “orçamento neutro” de forma inteligente

A controvérsia mais importante da ARMA não é “comprar ou não”, mas “como pagar”. A lei exige claramente que seja “orçamento neutro” — sem usar despesas adicionais dos contribuintes. A proposta mais discutida é a “reavaliação do ouro por meio de certificados”: atualmente, as reservas de ouro do Federal Reserve são contabilizadas ao preço legal de 42 dólares por onça, de 1973, enquanto o valor de mercado já ultrapassou esse nível. Se o Congresso aprovar a reavaliação do ouro ao preço de mercado, apenas o ajuste contábil liberaria cerca de 1,24 trilhão de dólares em espaço de ativos, e o governo poderia trocar esses certificados de ouro recém-emitidos por BTC. Essa solução é politicamente viável, fiscalmente sem aumento de impostos e mais convincente na opinião pública do que uma alocação direta de fundos.

Outra fonte importante é o Fundo de Estabilidade Cambial (ESF). Este fundo administra mais de 200 bilhões de dólares em ativos, amplamente utilizados para estabilizar a taxa de câmbio do dólar e o fluxo de moeda internacional, com alta flexibilidade, pois seu uso não requer aprovação individual do Congresso. Se o Tesouro incluir BTC na lista de ativos investíveis do ESF, seria possível construir uma posição inicial significativa de Bitcoin sem precisar passar pelo processo de apropriação do Congresso.

Três, restrições reais: apenas armazenar, sem comprar, o sonho de trilhões encontra obstáculos institucionais

Atualmente, há uma diferença clara na postura da Casa Branca e do Tesouro. Patrick Witt, diretor executivo do Comitê de Ativos Digitais da Casa Branca, sugeriu na conferência Bitcoin 2026, em abril de 2026, que “nos próximos semanas haverá avanços importantes”, indicando que o Executivo já trabalha há meses para esclarecer o quadro legal e operacional. Por outro lado, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, é mais conservador: o Tesouro não comprará Bitcoin no mercado ativamente, e o crescimento da reserva será estritamente limitado aos BTC confiscados por lei, postura que permanece desde janeiro de 2026.

Um obstáculo mais profundo vem do Federal Reserve. Jerome Powell já declarou várias vezes que a “Lei do Federal Reserve” não autoriza o Fed a possuir Bitcoin, e que o banco central não planeja buscar uma mudança legal, deixando essa responsabilidade ao Congresso. Isso significa que, mesmo com esforços do Executivo e do Legislativo, o Fed — núcleo do sistema financeiro americano — atualmente opta por ficar de fora. Dados de mercado também confirmam essa resistência estrutural: na Polymarket, a probabilidade de o SBR realmente acontecer durante o mandato de Trump é de apenas cerca de 31%.

Quatro, jogo global: a corrida pelo acúmulo de Bitcoin já começou silenciosamente

Enquanto avança na estrutura legislativa, os EUA também lideram uma “corrida armamentista” global de acumulação de Bitcoin. Países como República Tcheca, Brasil e Rússia já estão se movimentando: o Banco Central da República Tcheca estuda alocar até 5% de suas reservas em BTC; o Congresso brasileiro discute uma lei para destinar 5% das reservas externas ao BTC; há propostas de emenda constitucional para incluir Bitcoin na reserva nacional; e a Rússia promove a industrialização da mineração por meio de um quadro tributário unificado.

O total de Bitcoin é limitado a 21 milhões de unidades. Se os EUA bloquearem 1 milhão, isso representa quase 5% do fornecimento total, que ficará permanentemente indisponível por pelo menos 20 anos. Para países que ainda não têm exposição ao BTC, isso cria um dilema estratégico: gastar dinheiro de verdade para comprar ou aceitar uma lacuna estrutural de duas décadas na sua reserva de ativos “digitais”. Essa é a “sistema de Bretton Woods digital” que os think tanks alertam — os EUA não usam força militar, mas aproveitam sua vantagem financeira para forçar o mundo a reconsiderar a robustez das moedas fiduciárias. Como referência, El Salvador possui mais de 5700 BTC, mas essa quantidade ainda está longe do potencial de reserva de milhões de Bitcoins que os EUA podem acumular, tornando essa disputa uma redefinição do conceito de “ativo de reserva” em nível soberano.

Cinco, três impactos concretos para investidores comuns

O SBR já começa a impactar os investidores comuns: primeiro, uma mudança no paradigma de precificação. Assim que a reserva for implementada, ela irá retirar grande parte da liquidez do mercado de circulação, o que, junto ao aumento de limites de ETFs, pode gerar um efeito de “compressão de gama”, tornando o Bitcoin mais sensível às políticas macroeconômicas e às ações de reserva soberana; segundo, surgirão novos modelos de negociação impulsionados por políticas. Sinais do governo ou audiências no Congresso podem provocar volatilidade intensa — após uma audiência no Senado, o preço do BTC subiu 12%, e analistas da S&P elevaram a previsão de preço para US$ 250 mil até o final do ano, enquanto bancos como Morgan Stanley e Citigroup estimam intervalos de US$ 170 mil a US$ 189 mil. Em cenários extremos, se os países do G7 agirem em conjunto, o preço pode ultrapassar US$ 250 mil; terceiro, fornece uma base para estratégias de investidores de varejo que desejam acompanhar sinais “soberanos”. É importante acompanhar a evolução do ARMA, as declarações oficiais do Tesouro sobre a reavaliação do ouro e anúncios importantes da Casa Branca, pois esses eventos costumam estar associados a aumentos súbitos na volatilidade implícita do Bitcoin e à reavaliação do centro de preço do mercado.

Em suma, a essência da reserva estratégica de Bitcoin dos EUA é uma atualização sistêmica em três níveis: a certificação do ativo como soberano — elevando o Bitcoin do status de ativo de especulação marginal ao de reserva soberana equivalente ao ouro; a reconstrução do sistema de reservas ao longo de um século — por meio de uma estratégia “reavaliação do ouro + confiscos” que seja neutra em orçamento; e a fixação de uma vantagem de liderança global — usando ativos existentes sem gastar dinheiro para conquistar a iniciativa no pós-fiduciário, forçando o mundo a reavaliar a robustez das moedas fiduciárias. Essa transformação não acontecerá de uma hora para outra, mas cada passo que ela dá é uma mudança que vale a pena acompanhar de perto.
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