
Atualmente, 61% dos singapurenses com literacia financeira detêm criptomoedas, segundo um inquérito abrangente que revela um mercado amadurecido, onde a confiança e o cumprimento regulatório têm maior relevância do que as comissões baixas. O estudo, publicado na quinta-feira pela plataforma de comparação financeira MoneyHero em parceria com uma grande exchange de criptomoedas, sondou 3 513 investidores de retalho e adultos interessados em cripto em todo o território de Singapura.
Os resultados registam um dos mais elevados níveis de adoção no país, comprovando o papel de Singapura como principal centro de investimento em ativos digitais na Ásia. Esta adoção expressiva entre pessoas informadas em finanças reflete a crescente aceitação das criptomoedas como classe de ativos legítima entre investidores sofisticados.
Entre os investidores inquiridos, a confiança é o critério principal na escolha da plataforma de negociação, ultrapassando considerações como comissões baixas, programas de recompensas e facilidade de utilização. Esta alteração revela uma mudança estrutural na atitude dos investidores singapurenses face ao trading de criptomoedas, que abandona uma abordagem centrada apenas no custo e valoriza cada vez mais plataformas com segurança reforçada, cumprimento regulatório e fiabilidade duradoura.
As conclusões do inquérito indicam uma evolução significativa na forma como Singapura encara os ativos digitais. Os intervenientes no mercado dão prioridade a ambientes regulados, proteções claras ao consumidor e plataformas com reputação consolidada. Esta tendência acompanha o movimento global dos mercados de criptomoedas, onde a segurança institucional e o cumprimento regulatório são agora requisitos essenciais, em vez de atributos extra.
O inquérito revela perspetivas valiosas sobre comportamento e formação dos investidores da comunidade cripto em Singapura. Uma maioria expressiva (58%) dos participantes identifica-se como detentores de longo prazo, evidenciando uma abordagem de investimento estratégica e não especulativa. Adicionalmente, 42% mantêm os seus investimentos em criptomoedas há mais de dois anos, demonstrando convicção sustentada nos ativos digitais como opção de investimento viável.
Apesar do envolvimento, os investidores singapurenses mantêm uma estratégia de alocação cautelosa. A maioria limita as suas detenções de cripto a menos de 10% das respetivas carteiras de investimento, detendo em média três tokens diferentes por investidor. Esta postura revela que, embora a adoção seja elevada, prevalece uma gestão de risco rigorosa e diversificação da carteira.
Apesar das taxas de posse entre os participantes informados financeiramente, existe potencial de crescimento significativo. Segundo o inquérito, 27% dos atuais não detentores tencionam entrar no mercado de criptomoedas nos próximos 12 meses. Este fluxo constante de novos investidores aponta para uma expansão continuada do mercado cripto de retalho em Singapura ao longo do próximo ano.
A perceção pública dos ativos digitais permanece dividida, refletindo o debate em curso sobre o papel das criptomoedas nas finanças contemporâneas. Dos inquiridos, 44% consideram o cripto uma classe de ativos legítima, equiparada a ações ou obrigações, enquanto cerca de um terço mantém uma visão sobretudo especulativa. Esta divisão realça o desafio permanente da literacia e formação do setor.
No que toca à aprendizagem sobre criptomoedas, as redes sociais destacam-se como principal fonte, com 62% dos participantes a indicá-las como canal prioritário. Apesar de representarem oportunidades para formação e envolvimento comunitário, os investigadores alertam para os riscos de propagação rápida de desinformação e alegações sem verificação.
Amigos e família surgem como segundo canal mais citado, com 55%, evidenciando a importância das redes pessoais na adoção das criptomoedas. As fontes noticiosas tradicionais aparecem em terceiro lugar, com 43%, mostrando que os media convencionais mantêm relevância na formação da opinião pública sobre ativos digitais.
A confiança dos investidores apresenta-se equilibrada: 48% sentem-se confiantes na compreensão dos fundamentos das criptomoedas e da dinâmica do mercado, enquanto 52% reconhecem falta de confiança. Esta divisão revela uma necessidade clara de reforçar iniciativas de educação e criar recursos de aprendizagem mais acessíveis.
Este inquérito é publicado numa fase em que Singapura reforça o seu quadro regulatório sobre ativos digitais ao abrigo do Payment Services Act, supervisionado pela Monetary Authority of Singapore (MAS). Este regime exige que todos os prestadores de serviços de tokens de pagamento digital tenham licença adequada e cumpram normas rigorosas de prevenção de branqueamento de capitais (AML) e combate ao financiamento do terrorismo (CTF).
O enquadramento regulatório transparente e rigoroso de Singapura reforçou a sua posição como um dos centros mais dinâmicos de blockchain na Ásia, ainda que as autoridades adotem uma postura conservadora face ao trading de retalho. A conjugação de uma proteção exigente ao consumidor com o apoio institucional à finança digital continua a atrair grandes empresas internacionais que procuram estabilidade regulatória.
Em 2024, a MAS atribuiu 13 novas licenças de criptomoeda, mais do que duplicando o número do ano anterior. Estas licenças destinaram-se a plataformas cripto de referência, incluindo várias exchanges internacionais, sublinhando a crescente importância de Singapura como polo regional de operações cripto reguladas. Esta expansão reflete a maior procura por serviços regulados e a confiança da MAS no seu modelo de supervisão.
Apesar disso, a abordagem rigorosa da MAS manteve-se durante 2025. A meio do ano, duas grandes plataformas de criptomoedas iniciaram a redução das operações em Singapura após receberem avisos finais do regulador para cessar serviços a clientes estrangeiros sem autorização. Esta ação ilustra o compromisso inflexível de Singapura com o cumprimento regulatório, mesmo num contexto de expansão do mercado.
O ecossistema de ativos digitais em Singapura já ultrapassa largamente o trading tradicional de criptomoedas. Recentemente, a MAS iniciou projetos-piloto de tokenização de títulos da própria autoridade, liquidados com uma moeda digital de banco central (CBDC), testando o potencial da blockchain para modernizar instrumentos financeiros tradicionais. Os três maiores bancos—DBS, OCBC e UOB—concluíram com sucesso testes de empréstimos interbancários com liquidação em sistema baseado em CBDC, comprovando aplicações reais da tecnologia de moeda digital na banca convencional.
A cooperação internacional está também a intensificar-se. A MAS estabeleceu uma parceria com a Comissão de Valores Mobiliários do Estado do Vietname para apoiar o desenvolvimento regulatório dos mercados de capitais e ativos digitais, partilhando o know-how de Singapura na criação de modelos que equilibram proteção do consumidor com promoção de inovação.
A participação empresarial no ecossistema cripto de Singapura cresce substancialmente. A cadeia de lojas Metro introduziu pagamentos com stablecoins via Dtcpay, permitindo compras em USDT, USDC e WUSD. Esta integração no retalho marca um ponto de viragem na passagem das criptomoedas de investimento de nicho para meio de pagamento quotidiano.
O mercado de stablecoins registou crescimento notável na região Ásia-Pacífico. A Circle comunicou que a região processou 2,4 biliões de dólares em fluxos de stablecoin on-chain entre junho de 2024 e junho de 2025, posicionando Singapura entre os três maiores polos mundiais de stablecoin. Este volume de transações evidencia a importância estratégica de Singapura na infraestrutura global de ativos digitais.
A infraestrutura institucional acompanha a adoção de retalho. Uma exchange de referência lançou recentemente a sua plataforma empresarial em Singapura, assinalando a primeira expansão internacional. A plataforma disponibiliza às startups e empresas locais ferramentas para pagamentos imediatos em USDC e transferências globais sem barreiras, respondendo à procura de soluções eficientes para pagamentos internacionais.
Este lançamento seguiu-se à participação da empresa na Iniciativa BLOOM da MAS, programa de sandbox regulatório dedicado à inovação em pagamentos transfronteiriços em conformidade. Estas iniciativas comprovam que a abordagem regulatória de Singapura incentiva a inovação, mantendo ao mesmo tempo supervisão rigorosa.
Apesar da prudência macroeconómica evidenciada nalguns estudos de mercado, os investidores financeiramente informados de Singapura mantêm o seu compromisso com as criptomoedas. O relatório da Independent Reserve, de fevereiro de 2025, indicou que a posse geral de cripto na população baixou para 29%, sugerindo uma diminuição do entusiasmo do público em geral.
Contudo, entre os singapurenses com maior literacia financeira—com conhecimento aprofundado de investimento e dinâmica de mercado—os níveis de adoção mantêm-se elevados em 61%. Esta diferença revela uma tendência clara: com o amadurecimento do mercado, o investimento em criptomoedas concentra-se cada vez mais em investidores informados, que privilegiam confiança, segurança e conformidade regulatória em detrimento do ganho especulativo.
Os resultados do inquérito traçam o retrato de um mercado em amadurecimento, onde a especulação de curto prazo é substituída pelo investimento estratégico de longo prazo. Com o aperfeiçoamento do enquadramento regulatório de Singapura e a expansão da infraestrutura de ativos digitais, a confiança assume um papel central nas decisões de investimento e na escolha das plataformas.
Os investidores de Singapura valorizam a confiança porque o cumprimento regulatório e a segurança das plataformas são fundamentais para proteger ativos e investimentos. Nos mercados cripto, plataformas fiáveis com operações transparentes e sistemas de segurança reforçados reduzem o risco de perda de fundos, tornando justas comissões superiores face a alternativas não reguladas.
Segundo o inquérito, 'confiança' abrange segurança da plataforma, cumprimento regulatório, operações transparentes, guarda fiável dos ativos e execução consistente dos serviços. Os investidores singapurenses informados em finanças privilegiam estes fatores de confiança em detrimento das estruturas de comissões competitivas ao escolher plataformas cripto.
Os investidores informados em finanças em Singapura priorizam confiança e credibilidade como fator principal, com 61% a optarem pela fiabilidade acima das comissões baixas. Segurança, operações transparentes, cumprimento regulatório e historial sólido são também critérios determinantes nas decisões de seleção de produtos financeiros.
Os investidores informados em finanças em Singapura dão prioridade à confiança, segurança e qualidade do serviço em vez do preço. Preferem plataformas fiáveis, cumprimento regulatório e apoio profissional em detrimento de poupanças marginais, escolhendo prestadores estabelecidos e credíveis.
Os investidores avaliam a fiabilidade através do cumprimento regulatório, operações transparentes, certificações de segurança, histórico comprovado, auditorias independentes, avaliações de clientes e reservas de capital robustas. Instituições estabelecidas, com percurso operacional sólido e apoio institucional, transmitem confiança.
A segurança da plataforma e o cumprimento regulatório devem ser prioritários—a confiança é essencial para proteger ativos. Comissões mais baixas são relevantes, mas secundárias face ao histórico do prestador, cobertura de seguros e transparência. Uma guarda de qualidade e fiabilidade comprovada justificam custos razoáveis.











