

O juiz federal argentino Marcelo Giorgi emitiu uma ordem judicial especial designada "prohibición de innovación" (proibição de inovação), que funciona como uma medida preventiva ao abrigo da legislação argentina. Esta ordem determina o congelamento de todos os ativos pertencentes ao empresário norte-americano Hayden Davis e a outros dois especialistas em criptomoedas implicados no caso do memecoin LIBRA.
O congelamento de ativos é um procedimento habitual em investigações de criminalidade financeira, impedindo que os suspeitos transfiram fundos antes do termo do processo judicial. Neste caso, a ordem incide sobre três indivíduos que, segundo os investigadores, terão organizado e executado transações com o token LIBRA, causando perdas financeiras significativas aos investidores.
O processo judicial baseia-se em alegações de que Hayden Davis transferiu 507 500 $ USD através de uma grande exchange pouco depois de o Presidente argentino Javier Milei ter publicado um tweet em 30 de janeiro de 2025. O tweet incluía uma fotografia supostamente utilizada para gerar entusiasmo em torno do token LIBRA.
Os investigadores encaram esta sequência de eventos como um possível esquema de manipulação de mercado. O Ministério Público sustenta que os participantes do projeto poderão ter aproveitado a atenção mediática gerada pelo tweet para aumentar artificialmente o interesse pelo memecoin, retirando de seguida os fundos dos investidores. Esta prática — conhecida na comunidade cripto como "pump and dump" — é ilegal na maioria das jurisdições.
O Ministério Público realizou uma avaliação preliminar das perdas financeiras sofridas pelos investidores devido às transações com o token LIBRA. Os investigadores estimam que o projeto poderá ter defraudado várias centenas de investidores, com perdas totais entre 100 milhões $ e 120 milhões $ USD.
Isto faz do caso LIBRA uma das maiores investigações de fraude cripto na Argentina. A dimensão das perdas alegadas comprova que o projeto atraiu um elevado número de investidores privados, muitos dos quais terão perdido somas relevantes. As autoridades continuam a contabilizar os investidores afetados e a rastrear os fluxos financeiros associados ao projeto LIBRA.
O congelamento de ativos constitui uma ação preventiva destinada, sobretudo, a impedir que os suspeitos transfiram ou levantem fundos antes da resolução do processo. Esta prática comum nos casos de criminalidade financeira visa salvaguardar ativos para eventual restituição aos investidores lesados.
Em paralelo à ordem judicial, o regulador argentino do mercado de valores mobiliários (Comisión Nacional de Valores) deve garantir o cumprimento das regras pelos prestadores de serviços de ativos virtuais a operar no país. Isso inclui monitorizar as transações relacionadas com o caso LIBRA e assegurar que as plataformas cripto cumprem as normas de prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo. O regulador pode ainda solicitar dados de transações dos suspeitos, tanto a exchanges nacionais como internacionais, para apoiar a investigação.
LIBRA é um memecoin inspirado pela cultura da Internet, sem qualquer utilidade prática. O seu valor depende do envolvimento da comunidade e da especulação. Esta moeda atrai investidores que procuram risco e volatilidade no mercado cripto.
O juiz argentino congelou os ativos do LIBRA no âmbito de uma investigação de fraude relacionada com a promoção do memecoin. A investigação examina igualmente um eventual envolvimento do Presidente Javier Milei e de outras figuras centrais do projeto.
O congelamento dos ativos dos detentores do LIBRA restringe o acesso aos respetivos fundos e reduz a liquidez. Esta medida pode prejudicar os investimentos ao minar a confiança no projeto e ao fazer descer o valor de mercado do token.
Este caso revela riscos como infrações à legislação sobre valores mobiliários, ausência de registo, fraude e esquemas de pump-and-dump. As plataformas de memecoins enfrentam processos judiciais, proibições em redes sociais e danos reputacionais devido à especulação não regulada.
Consultar o histórico judicial e os registos de crédito de um projeto através de registos oficiais. Analisar o enquadramento regulatório da jurisdição em causa. Diversificar a carteira e manter-se informado sobre ações judiciais envolvendo o projeto.











