
As stablecoins ocupam uma posição singular no mercado de criptomoedas. Combinam as propriedades dos ativos digitais e das moedas fiduciárias, servindo, na prática, de ponte entre estas duas categorias de instrumentos financeiros. O USDT, emitido pela Tether Limited e popularmente conhecido como Tether, é uma das stablecoins mais reconhecidas e de maior capitalização de mercado.
O conceito de criar uma criptomoeda indexada a uma moeda tradicional foi desenvolvido no verão de 2014 pelos fundadores do projeto Realcoin. Contudo, o ativo só foi lançado com êxito em março de 2015, altura em que a empresa adotou o nome Tether Limited.
A emissão inicial foi composta por apenas 250 000 tokens USDT, garantidos por dólares americanos numa relação de 1:1. A necessidade de uma criptomoeda estável, que proporcionasse as vantagens dos ativos digitais sem a volatilidade de preço habitual, já havia sido identificada muito antes do surgimento deste ativo, motivo pelo qual a comunidade o recebeu de forma positiva.
A primeira stablecoin foi desenvolvida a partir do código do Bitcoin, recorrendo à plataforma Omni Layer. Com a evolução do projeto, os programadores da Tether passaram a emitir tokens noutras blockchains:
Houve ainda tentativas de lançar o USDT noutras redes, mas esses tokens não conquistaram uma adoção significativa junto dos utilizadores.
Ao longo do tempo, a oferta total de Tether cresceu consideravelmente, tornando-o uma das principais criptomoedas por capitalização de mercado. A indexação do USDT ao dólar norte-americano é assegurada pela empresa emissora, que mantém reservas em moeda e títulos. O público e os reguladores têm levantado, por diversas vezes, dúvidas quanto à dimensão e composição das reservas que sustentam o USDT, acusando a Tether Limited de falta de transparência relativamente a esses ativos.
A TRON é uma blockchain amplamente utilizada, capaz de processar milhares de transações por segundo. A rede recorre ao seu token próprio, TRX, para o pagamento de comissões de transação.
Os primeiros tokens USDT com o padrão TRC-20 na rede TRON foram lançados em 2019. Nessa altura, as blockchains do Bitcoin e da Ethereum já enfrentavam limitações de escalabilidade — atrasos relevantes nas transações e custos acrescidos em períodos de maior congestionamento da rede. Esta situação afetava igualmente as transferências de USDT com padrões anteriores.
A rede TRON não apresenta esses constrangimentos, pelo que o USDT TRC-20 se distingue por:
O lançamento deste ativo trouxe benefícios relevantes:
Assim, o USDT TRC-20 passou a ser utilizado, de forma expressiva, para liquidações tanto dentro como fora da comunidade cripto.
Ao utilizar a stablecoin Tether, é essencial ter em conta os diferentes padrões de token. Muitos utilizadores — em especial os menos experientes — descuram este aspeto. No entanto, para o USDT, trata-se de uma característica determinante para o armazenamento e transferência do ativo.
A maioria das criptomoedas permite o uso de distintos tipos de carteiras, sem restrições. Nem o remetente nem o destinatário precisam de se preocupar com o software utilizado pela contraparte. Por exemplo, o Bitcoin pode ser enviado, recebido e guardado em qualquer carteira que suporte BTC.
Com o Tether, porém, a situação é diferente:
Em suma, não é possível enviar USDT TRC-20, por exemplo, para uma conta USDT BEP-20. Caso um utilizador tente proceder dessa forma, a transação pode nem sequer ser criada ou resultar na perda das moedas. Um endereço na rede TRON começa sempre por "T" e só para esses endereços podem ser transferidos tokens TRC-20.
Esta especificidade pode causar certos constrangimentos aos utilizadores do Tether. Existem, contudo, serviços que suportam diferentes padrões de USDT, facilitando a sua gestão. Clientes das principais plataformas de negociação podem receber, enviar e armazenar tokens em múltiplos padrões — TRC-20, ERC-20, BEP-2, BEP-20, entre outros — mantendo uma conta USDT unificada, sincronizada com todos os serviços da plataforma, incluindo trading, staking e investimentos.
Relativamente a outras formas de armazenamento do USDT TRC-20, este é compatível com diferentes tipos de carteiras:
Regra geral, utilizam-se carteiras compatíveis com a blockchain TRON e respetivos tokens ou soluções multi-moeda que operam com várias blockchains.
Importa salientar que existem carteiras de custódia que suportam TRX mas não aceitam tokens TRC-20. Se o titular de uma dessas contas tentar receber USDT, o remetente poderá concluir a transação na blockchain, mas o destinatário não terá acesso aos tokens recebidos.
Outro ponto relevante é o pagamento das comissões de transação:
Entre as carteiras recomendadas para utilização de tokens TRC-20 destacam-se:
Estas carteiras podem ser integradas, sempre que necessário, com aplicações descentralizadas.
Existe atualmente uma vasta oferta de serviços para utilização de USDT TRC-20, permitindo a todos os utilizadores beneficiarem das vantagens desta stablecoin sem complexidades técnicas.
Não. O USDT TRC20 corresponde ao USDT emitido na blockchain TRON, enquanto o USDT existe em várias blockchains, como Ethereum, Polygon e outras. Trata-se da mesma stablecoin, mas funciona em redes diferentes, com endereços de contrato distintos.
Descarregue uma aplicação compatível com TRC20, como TronLink, Trust Wallet ou Ledger Live. Crie uma conta, gere um novo endereço de carteira e receba tokens USDT TRC20 diretamente para esse endereço.
Para levantar USDT TRC20, transfira os tokens para a sua carteira pessoal utilizando o endereço correspondente. Conecte-se a uma plataforma de exchange descentralizada ou protocolo DeFi, troque USDT pela moeda pretendida e, por fim, faça o levantamento para a sua conta bancária através dos canais de pagamento disponíveis.











