

Zac Prince, ex-CEO da BlockFi, iniciou um novo percurso profissional no setor da tecnologia imobiliária após a insolvência da sua empresa de crédito em criptoativos. Recentemente, Prince anunciou que assumiu funções como CEO da RE Cost Seg, uma empresa dedicada à realização de estudos de segregação de custos para investidores imobiliários.
Os estudos de segregação de custos são instrumentos fiscais avançados que consistem numa análise detalhada de cada elemento de um imóvel. Estes estudos permitem identificar componentes específicos que beneficiam de depreciação acelerada – um mecanismo fiscal que possibilita aos proprietários recuperar os custos de renovação e melhoria num período mais curto. Ao antecipar o calendário de depreciação, os proprietários podem aproveitar benefícios fiscais relevantes logo nas primeiras fases de posse do imóvel.
Os elementos sujeitos a depreciação acelerada podem incluir uma diversidade de componentes, como instalações de canalização, sistemas elétricos, alcatifas, materiais de pavimento, paisagismo e passeios. Normalmente, estes itens seriam depreciados ao longo de 27,5 anos para imóveis residenciais ou 39 anos para imóveis comerciais. Contudo, os estudos de segregação de custos viabilizam a reclassificação destes componentes em classes de 5, 7 ou 15 anos, proporcionando vantagens fiscais imediatas.
Prince destacou as vantagens competitivas da RE Cost Seg face aos prestadores tradicionais. Referiu que a abordagem inovadora da empresa torna esta ferramenta de poupança fiscal acessível a um maior número de investidores imobiliários. Antes, estes estudos estavam reservados sobretudo a proprietários de grandes imóveis comerciais, devido aos custos elevados e aos processos complexos. O método simplificado e a estrutura de preços competitiva da RE Cost Seg democratizam o acesso a estes benefícios.
Ainda que a empresa mantenha o foco nos clientes institucionais e grandes carteiras imobiliárias, Prince referiu que a RE Cost Seg também apoia investidores particulares com imóveis de habitação própria, que, até agora, estavam excluídos dos serviços de segregação de custos. Este posicionamento representa uma alteração significativa face ao modelo de negócio anterior.
Esta mudança de carreira representa um afastamento claro da anterior função de Prince na BlockFi, uma plataforma de crédito em criptoativos dirigida sobretudo a investidores de retalho. A BlockFi oferecia aos detentores médios de criptomoeda a possibilidade de obter rendimentos sobre as suas detenções de Bitcoin e aceder a empréstimos colateralizados por ativos digitais. O modelo de negócio assentava na re-hipoteca dos ativos dos clientes junto de contrapartes institucionais, captando o diferencial entre as taxas pagas aos clientes e os juros recebidos dos mutuários institucionais.
No entanto, a BlockFi sofreu um impacto devastador quando uma das suas principais contrapartes, a Alameda Research – braço de trading de uma grande exchange de criptoativos – colapsou em 2022. Este acontecimento originou perdas consideráveis tanto nos ativos da BlockFi como nos fundos dos clientes, levando ao pedido de insolvência. Após mais de um ano a lidar com os complexos processos de insolvência, Prince afirmou sentir-se preparado para abraçar novos desafios profissionais.
Na sua declaração, Prince manifestou confiança no processo de recuperação da BlockFi, destacando que já decorrem distribuições do espólio e que as recuperações do espólio da exchange falida evoluem positivamente. Este progresso permitiu-lhe fechar esse capítulo e dedicar-se ao setor tecnológico imobiliário.
O anúncio da nova etapa de Prince levou seguidores nas redes sociais a recordá-lo de uma aposta pública feita em 2021. O ex-executivo apostou 1 BTC com um conhecido defensor do Bitcoin sobre a continuidade operacional da BlockFi ao longo de 37 anos.

O colapso da BlockFi apenas um ano depois confirmou Prince como parte perdedora. Pelos termos da aposta, teria de transferir 1 BTC para a contraparte – valor que, hoje, supera os 72 000$, tornando esta obrigação particularmente relevante.
Após os lembretes públicos, Prince reconheceu a aposta pendente e comprometeu-se a resolver o assunto, afirmando que iria “tratar do tema”. Este reconhecimento público demonstra vontade de cumprir os compromissos, apesar da relevância financeira e do desfecho desfavorável do seu projeto anterior.
A BlockFi pediu insolvência em 2022, sobretudo devido à exposição ao colapso da FTX e à retirada massiva de fundos por clientes. A empresa registou ainda perdas nas operações de crédito em criptoativos e enfrentou condições de mercado adversas durante o inverno cripto.
Zac Prince, ex-CEO da BlockFi, saiu após o processo de insolvência. Desde então, anunciou novos projetos no setor cripto, centrados no desenvolvimento de blockchain e oportunidades em ativos digitais.
O fundador da BlockFi, Mike Rubinstein, apostou com o investidor Kevin Roose sobre a viabilidade financeira da empresa. Os termos envolviam uma aposta sobre a continuidade da BlockFi, que Rubinstein perdeu quando a empresa entrou em insolvência em novembro de 2022.
A insolvência da BlockFi afetou os fundos dos clientes na plataforma. Os depositantes registaram perdas relevantes durante a reestruturação. O processo de recuperação foi conduzido em tribunal, com os credores a receberem compensações parciais conforme a hierarquia dos créditos e os ativos recuperados.
Estas plataformas enfrentam riscos de contraparte e liquidação. Os utilizadores devem diversificar os ativos por várias plataformas, recorrer a carteiras físicas para armazenamento de longo prazo, manter rácios de colateralização adequados e apenas investir quantias que possam suportar perder. É essencial monitorizar regularmente a solvência da plataforma e o cumprimento regulatório.











