
Nos últimos anos, a República do Quirguistão tem enfrentado sérios desafios no abastecimento energético. A principal fonte de eletricidade do país — a energia hidroelétrica — registou uma descida acentuada nos níveis de água dos reservatórios. Esta diminuição resulta de vários fatores: efeitos das alterações climáticas, menor precipitação e aumento da procura de eletricidade nos meses de inverno.
A energia hidroelétrica é o pilar do sistema elétrico do Quirguistão, pelo que a queda dos níveis dos reservatórios afeta diretamente a estabilidade energética nacional. Neste cenário, o governo viu-se obrigado a dar prioridade ao fornecimento de eletricidade à população e aos setores essenciais. A mineração de criptomoedas — uma atividade com elevado consumo energético — foi sujeita a ajustes operacionais temporários para ajudar a aliviar a escassez de energia.
Para enfrentar a crise energética, o governo do Quirguistão lançou uma iniciativa abrangente de poupança de eletricidade. No âmbito desta medida, as instalações domésticas de mineração de criptomoedas foram obrigadas a suspender atividade durante o inverno de 2024. Como as mining farms consomem volumes expressivos de eletricidade, a sua suspensão nos invernos mais críticos foi uma decisão inevitável.
Esta medida foi estratégica para equilibrar a oferta e procura de eletricidade, assegurando um fornecimento estável para as famílias e infraestruturas essenciais. Para prevenir falhas em períodos de pico de procura no inverno, o governo restringiu temporariamente os setores de maior consumo energético, permitindo uma gestão mais eficiente dos recursos elétricos disponíveis.
O Presidente Sadyr Japarov anunciou um plano faseado para a retoma gradual da mineração de criptomoedas, dependente de melhorias nas condições energéticas. Com a chegada da primavera e o aumento das temperaturas, espera-se uma redução da procura energética e uma recuperação da produção hidroelétrica. Nessa fase, duas grandes instalações de mineração prevêem retomar atividade.
A primeira instalação, situada na região de Kemin, funciona com um modelo específico — importa eletricidade da Rússia, operando sem sobrecarregar a rede nacional. A mineração com eletricidade importada gera receitas fiscais para o orçamento do Quirguistão, promovendo benefícios económicos diretos.
A segunda instalação, junto à Central Hidroelétrica de Kambar-Ata, foi desenvolvida para aproveitar a capacidade excedentária da central. Ao utilizar energia sobrante em períodos de menor procura, esta unidade maximiza os recursos disponíveis. Esta solução inovadora reduz o desperdício energético e aumenta a eficiência económica da produção, captando o interesse do setor.
O Presidente Japarov delineou uma visão de longo prazo para o setor de mineração de criptomoedas no Quirguistão. O governo está a investir em novas infraestruturas energéticas para garantir estabilidade no fornecimento e criar capacidade excedente. Estão em curso projetos de construção de novas centrais hidroelétricas e de reforço das redes de transmissão. Após a conclusão, estas iniciativas vão expandir significativamente a capacidade de fornecimento energético nacional.
A estratégia assenta na utilização eficiente da energia excedente. Da primavera ao outono, a geração hidroelétrica do Quirguistão aumenta, originando eletricidade em excesso. Direcionar este excedente para a mineração de criptomoedas reduz o desperdício e gera retorno económico.
O governo pretende também atrair operadores de mineração nacionais e internacionais sempre que a oferta energética estiver estabilizada. Com tarifas competitivas e um quadro regulatório estável, o Quirguistão ambiciona afirmar-se como o principal polo de mineração de criptomoedas da Ásia Central, promovendo a diversificação económica e o aumento da receita fiscal.
Adicionalmente, o governo está a alinhar as estratégias energética e digital. Ao impulsionar simultaneamente o desenvolvimento sustentável do setor energético e o crescimento da economia digital, o Quirguistão procura novos motores para dinamizar a economia. Esta política integrada é crucial para a segurança energética e o progresso económico.
O Quirguistão está a retomar a mineração porque a crise energética foi ultrapassada e o abastecimento estabilizou. A suspensão anterior decorreu da escassez, mas as condições melhoraram e o governo relança a mineração como novo motor de crescimento económico e de obtenção de divisas.
A mineração aumenta a procura de eletricidade, exigindo investimento público em infraestruturas. Simultaneamente, cria emprego e receita fiscal, impulsionando o crescimento económico. No entanto, a concorrência pelos recursos energéticos permanece relevante.
O Quirguistão vai aplicar um imposto de 15% sobre o consumo de eletricidade na mineração, com entrada em vigor do novo regulamento prevista para meados de 2026. Neste regime, as empresas de mineração serão tributadas consoante o consumo energético, pagando um imposto específico em vez de imposto sobre o rendimento.
Sim. A mineração agravou claramente a crise energética nacional. Para mitigar esta situação, o governo suspendeu todas as atividades de mineração até março de 2026.
Muitos países encaram positivamente as políticas de mineração do Quirguistão. As taxas competitivas e o enquadramento regulatório favorável atraíram o interesse dos principais operadores do setor. O forte apoio governamental consolidou o Quirguistão como líder regional nesta área.











