
O CEO de uma das principais plataformas de troca de criptomoedas considera o arquivamento do processo pela Securities and Exchange Commission dos Estados Unidos uma “vitória significativa” para a organização de ativos digitais. Numa entrevista recente ao Squawk Box, da CNBC, Richard Teng destacou a decisão do regulador federal de desistir do litígio prolongado contra a plataforma.
Este acontecimento representa um marco determinante na relação entre as plataformas de criptomoedas e as autoridades regulatórias dos EUA. O arquivamento não só constitui uma vitória para a própria plataforma, como assinala uma mudança profunda no panorama regulatório, com possíveis consequências de grande alcance para todo o setor dos ativos digitais.
“Estamos profundamente gratos ao presidente Perkins, ao presidente Trump e à administração Trump por optarem verdadeiramente por apoiar e fomentar a inovação, em vez de a travar, e por adotarem uma abordagem ponderada e criteriosa na formulação e regulação das criptomoedas”, declarou Teng na entrevista.
O CEO sublinhou o impacto transversal para o setor, acrescentando: “Esta é uma vitória significativa para nós enquanto empresa e para todo o setor. Os Estados Unidos têm agora condições para se afirmarem como o principal centro mundial de criptoativos.”
A perspetiva otimista de Teng reflete o crescente sentimento na comunidade das criptomoedas de que a clarificação regulatória e o apoio das instituições públicas podem posicionar os EUA como líder mundial em inovação e adoção de ativos digitais.
As declarações de Teng surgiram pouco depois de a SEC, a plataforma de troca de criptomoedas e o seu fundador, Changpeng 'CZ' Zhao, terem apresentado uma moção conjunta, no final de maio, para arquivar a queixa apresentada pelo regulador em junho de 2023. Esta moção conjunta traduz uma mudança significativa face à postura adversarial que marcou a relação entre o regulador e a plataforma durante quase dois anos.
A SEC acusara inicialmente a empresa de criptoativos e Zhao de violarem várias leis federais sobre valores mobiliários, alegando que ambos “participavam numa vasta rede de enganos”. Estas acusações lançaram dúvidas sobre as operações da plataforma e suscitaram preocupações quanto ao futuro da regulação das criptomoedas nos EUA.
No entanto, o enquadramento regulatório alterou-se profundamente desde que o presidente Donald Trump apelou a uma inversão de política no setor dos ativos digitais. Esta mudança confirmou-se quando Trump substituiu o anterior presidente da SEC, Gary Gensler, pelo antigo comissário Paul Atkins, amplamente reconhecido pelo seu posicionamento favorável à inovação cripto.
O regulador federal arquivou, nos últimos meses, vários processos mediáticos contra entidades-chave do setor cripto. Entre os casos arquivados ou retirados contam-se ações contra plataformas como a Coinbase, o marketplace de NFT OpenSea e Justin Sun, fundador da rede Tron. Esta vaga de arquivamentos indica uma reavaliação profunda da estratégia de enforcement da SEC no universo dos ativos digitais.
Como sinal adicional desta inversão de política, a SEC criou uma força-tarefa dedicada às criptomoedas, liderada pela Comissária Hester Peirce, há muito reconhecida pela sua postura pró-cripto no seio da comissão. Esta força-tarefa foi mandatada para desenvolver regulamentação “abrangente e clara” para o setor, respondendo às críticas de longa data dos participantes do mercado quanto à incerteza regulatória.
“Os membros da força-tarefa de criptoativos aguardam com expetativa o envolvimento do público nestas matérias, através de reuniões, pedidos de informação e mesas-redondas”, anunciou a SEC em comunicado oficial. Esta abordagem colaborativa marca uma rutura clara com a estratégia de intervenção prioritária seguida pela anterior administração na relação com o setor cripto.
A criação desta força-tarefa e o arquivamento dos processos pendentes sugerem que os Estados Unidos poderão estar a entrar numa nova fase de regulação das criptomoedas—um equilíbrio entre a proteção do consumidor, a inovação e a competitividade económica num setor de ativos digitais em rápida evolução.
A SEC acusa frequentemente que tokens de plataforma são valores mobiliários não registados, violando a legislação aplicável. Outras acusações incluem operar como intermediários, negociantes e custodiantes sem licença adequada e não implementar sistemas sólidos de compliance e vigilância para prevenir manipulação de mercado.
O arquivamento representa uma mudança regulatória fundamental, indicando que os métodos de negociação cripto têm mais relevância do que a classificação dos ativos. Diminui a pressão de compliance sobre plataformas e distribuição pública de tokens, clarifica o enquadramento legal para transações em mercado secundário e reforça o impulso para legislação cripto no Congresso, ao mesmo tempo que limita o excesso de intervenção da SEC.
A administração Trump adota uma postura favorável ao setor, nomeando reguladores pró-cripto e reduzindo as exigências regulatórias sobre ativos digitais, sinalizando uma orientação mais permissiva para o setor das criptomoedas.
Os principais riscos incluem ações por emissão de valores mobiliários não registados, sistemas de compliance KYC/AML insuficientes e enquadramentos regulatórios transfronteiriços inconsistentes. Mudanças recentes criaram novos requisitos de compliance e incertezas operacionais para plataformas em todo o mundo.
Não. O arquivamento do processo não equivale a uma decisão de legalidade. Termina o litígio sem determinar se os produtos violam as leis de valores mobiliários. A SEC não tomou posição quanto ao cumprimento regulatório ou ao estatuto legal.
Os Estados Unidos procuram equilibrar o controlo de risco com a inovação, mantendo alguma ambiguidade regulatória. O Japão impõe regulamentação rigorosa e abrangente, com legalização do bitcoin. A Coreia do Sul adota políticas mais restritivas. Países europeus procuram quadros harmonizados, enquanto certos mercados emergentes favorecem uma abordagem mais permissiva para atrair desenvolvimento blockchain.











