
O Banco de Reserva da Índia está a investigar soluções tecnológicas para responder às preocupações com a privacidade no âmbito da sua iniciativa de moeda digital de banco central (CBDC). Este avanço representa um passo significativo na abordagem cautelosa e metódica da Índia à implementação do sistema da rupia digital.
De acordo com uma fonte conhecedora da estratégia governamental para o desenvolvimento da CBDC, a Índia tem feito progressos notáveis no setor, mantendo sempre uma postura prudente e orientada para a segurança. Esta fonte, citada pela CoinDesk, indicou que o banco central tem dado prioridade ao reforço das proteções de privacidade para os utilizadores da rupia digital, reconhecendo que a privacidade é componente essencial para o êxito de qualquer moeda digital.
"A legislação de privacidade não é o único caminho. Existem outras formas de abordar este problema – especialmente a tecnologia – e a nossa equipa está a explorá-las," referiu o responsável. Esta afirmação mostra que o Banco de Reserva da Índia está a investir em soluções tecnológicas inovadoras, em vez de depender apenas de quadros regulatórios para garantir a privacidade dos utilizadores.
Entre as soluções tecnológicas em avaliação encontram-se métodos criptográficos avançados, zero-knowledge proofs e outras tecnologias que reforçam a privacidade, capazes de proteger os dados dos utilizadores sem comprometer os requisitos de transparência e segurança de uma moeda digital emitida por um banco central. Estas abordagens podem oferecer um quadro de privacidade mais flexível e robusto do que as tradicionais medidas legislativas.
Além disso, a fonte revelou que o programa-piloto da CBDC da Índia poderá vir a contar, no futuro, com a participação de startups locais e empresas de fintech. Esta colaboração pode acelerar a inovação e facilitar a identificação de soluções práticas para desafios técnicos. Ao envolver o setor privado, o Banco de Reserva procura tirar partido da diversidade de competências e perspetivas no desenvolvimento de um sistema de moeda digital abrangente e acessível.
"A evolução de uma CBDC exige experimentação e esforços significativos para garantir um produto seguro para o país, processo que pode demorar," acrescentou o responsável. Esta observação espelha o compromisso do banco central com uma validação rigorosa antes da implementação alargada, dando prioridade à segurança e à estabilidade em detrimento da rapidez.
O responsável clarificou ainda que o Banco de Reserva da Índia não tem competência sobre questões fiscais relativas a criptomoedas. A tributação de ativos digitais insere-se no âmbito legislativo e é da responsabilidade exclusiva do ministério das finanças do governo, sublinhou a fonte. Esta distinção é relevante para perceber os diferentes papéis das entidades governamentais no ecossistema de ativos digitais da Índia.
A sessão orçamental da Índia em 2024 terminou sem alterações à política existente de imposto deduzido na fonte (TDS) sobre criptomoedas. O país já havia implementado uma taxa de 30% sobre os lucros com criptomoedas e 1% de TDS em todas as transações, medidas que afetaram significativamente os prestadores de serviços locais e investidores individuais.
Estas políticas fiscais, introduzidas no orçamento de 2022, têm suscitado debate contínuo na comunidade cripto indiana. A taxa de 30% sobre os ganhos, aliada à proibição de compensação de perdas, tornou o investimento em criptomoedas menos apelativo para os investidores indianos. O requisito de 1% de TDS criou também desafios operacionais para as plataformas e aumentou os custos de transação para os utilizadores.
A 1 de fevereiro de 2024, as redes sociais registaram uma forte atividade com hashtags como #ReduceCryptoTax, à medida que membros da comunidade apelaram ao governo indiano para rever e reduzir os impostos sobre criptomoedas. Esta campanha refletiu o descontentamento generalizado com a estrutura fiscal vigente e o seu impacto no setor cripto nacional.
No orçamento intercalar apresentado no parlamento, a ministra das finanças da Índia, Nirmala Sitharaman, confirmou que não haverá alterações aos impostos atualmente aplicados sobre moedas digitais. Esta decisão desapontou muitos membros da comunidade cripto, que esperavam algum alívio fiscal ou até alterações que tornassem a estrutura fiscal mais favorável ao setor de ativos digitais em crescimento.
O cofundador e CEO de uma das principais plataformas cripto da Índia afirmou que a campanha para reduzir o imposto cripto "não vai parar". Na sua publicação na X (antigo Twitter), escreveu:
"Em fevereiro de 2024, assinalou-se o segundo aniversário da campanha #reducecryptotax que lançámos em 1 de fevereiro de 2022. O dia do discurso do orçamento em que foram anunciados 30% de imposto sobre rendimentos, 1% de TDS e impossibilidade de compensação de perdas. Não vai parar até que haja um imposto justo sobre criptomoedas."
Esta posição evidencia a persistência da comunidade cripto na defesa de políticas fiscais mais equilibradas. Os dois anos de campanha mostram que a questão permanece prioritária para os intervenientes do setor e continua a gerar debate público relevante.
O Vice-presidente de outra plataforma cripto de referência destacou que as criptomoedas podem ser um fator multiplicador para alcançar o objetivo da Índia de se tornar uma nação desenvolvida. Sublinhou ainda que a infraestrutura pública digital beneficiaria da integração de mecanismos para financiar projetos cripto nacionais a longo prazo, especialmente tendo em conta o momento crucial da Índia na revolução cripto global.
Esta perspetiva reforça os potenciais benefícios económicos que um quadro regulatório e fiscal mais favorável pode proporcionar à Índia. Ao promover a inovação e o investimento cripto nacional, o país pode posicionar-se como líder em blockchain e finanças digitais, criar empregos e impulsionar a evolução tecnológica.
"Esperamos que estes desenvolvimentos sejam considerados na agenda do governo, juntamente com os nossos pedidos de redução da taxa de TDS para 0,01 por cento e possibilidade de compensação de perdas para investidores."
Entre os pedidos do setor destacam-se a redução da taxa de TDS de 1% para 0,01%, o que diminuiria substancialmente os custos de transação e aumentaria a liquidez do mercado. Permitir que os investidores compensem perdas com ganhos aproximaria a tributação cripto dos princípios aplicados aos investimentos tradicionais, proporcionando tratamento mais justo aos investidores.
Enquanto a Índia prossegue o desenvolvimento da CBDC e mantém a posição atual sobre tributação de criptomoedas, a tensão entre inovação e regulação mantém-se evidente. A cautela do governo relativamente às CBDC contrasta com a fiscalidade rígida aplicada às criptomoedas privadas, ilustrando a complexidade das políticas necessárias para gerir o ecossistema de ativos digitais. Nos próximos anos, prevê-se que o diálogo entre a indústria cripto e os decisores políticos se mantenha, na busca de um quadro equilibrado que apoie a inovação e responda aos desafios regulatórios.
A CBDC é uma moeda digital emitida por bancos centrais, com garantia do Estado, e representa a forma digital da moeda fiduciária oficial. Ao contrário das criptomoedas, emitidas por entidades privadas sem apoio governamental, a CBDC é centralizada, reconhecida legalmente e sujeita ao controlo da autoridade monetária sobre a oferta e as transações.
O projeto e-Rupee da Índia já avançou para fases de testes em paralelo nos segmentos grossista e retalhista. Após as iniciativas-piloto, o Banco de Reserva da Índia continua a desenvolver a infraestrutura da rupia digital para aplicações institucionais e de consumo.
CBDC将提升印度金融系统效率,加快数字支付普及。消费者可享受更快速安全的交易体验,跨境支付成本下降,金融服务更加便捷包容,长期促进经济数字化转型。
A rupia digital da Índia foi lançada em dezembro de 2022 e está prevista para lançamento público oficial em 2025. O Banco de Reserva da Índia continua a avançar com o desenvolvimento da CBDC.
A CBDC oferece maior segurança através da supervisão do banco central e constitui uma moeda digital garantida pelo Estado. Reduz a dependência de entidades privadas, assegurando maior estabilidade e inclusão financeira em todo o ecossistema de pagamentos.
Os cidadãos indianos devem possuir uma conta de Rupia Digital para utilizarem a e-Rupee em pagamentos. As transações offline têm um limite de 200 rupias por operação. É necessário um dispositivo de pagamento compatível e uma carteira digital aprovada pelo Banco de Reserva da Índia para aceder ao sistema CBDC.











