

"Scared Money Don't Make Money" é um princípio central no trading e no investimento, que evidencia a ligação entre a tolerância ao risco e a acumulação de riqueza. Este conceito diz respeito a traders e investidores excessivamente cautelosos e receosos de assumir riscos calculados nas suas decisões. Como consequência direta desta postura avessa ao risco, acabam por perder oportunidades de ganhos que uma abordagem mais equilibrada à gestão do risco poderia proporcionar.
Esta expressão dirige-se sobretudo a traders e investidores que deixam que o medo dite as suas decisões financeiras, impedindo-os de tomar medidas estratégicas que poderiam acelerar a acumulação de riqueza para além dos retornos médios do mercado. Contudo, este princípio vai muito além do universo financeiro. Aplica-se igualmente a várias dimensões do desenvolvimento pessoal e profissional, incluindo progressão na carreira, empreendedorismo e a própria busca pelo sucesso em qualquer área.
A mensagem central é inequívoca: sem aceitar um nível razoável de risco, o potencial para alcançar retornos extraordinários e oportunidades transformadoras fica limitado. Não se trata de defender comportamentos imprudentes, mas sim de destacar a importância do risco calculado como elemento essencial para a construção de riqueza e o crescimento pessoal.
A mentalidade "scared money" manifesta-se em vários contextos e afeta as pessoas de formas distintas. No mundo dos negócios, quem adota esta postura tem estatisticamente menos probabilidade de se tornar empreendedor de sucesso, CEO, proprietário de empresa ou líder de setor. Isto acontece porque atingir o sucesso excecional implica frequentemente correr riscos que outros não estão dispostos a assumir ou executar.
No desporto, campeões e detentores de recordes distinguem-se por ultrapassar os limites convencionais e correr riscos nos treinos, estratégias de competição e decisões de carreira. Da mesma forma, em funções de liderança, os líderes mais eficazes são frequentemente aqueles que tomam decisões ousadas em contextos de incerteza, aceitando os riscos inerentes à inovação e à mudança.
O princípio fundamental é simples: assumir riscos que outros evitam conduz a posições e oportunidades fora do alcance da maioria. É este o sentido da sabedoria popular: "quanto maior o risco, maior a recompensa". Sempre que se opta sistematicamente pelo caminho mais seguro, limita-se o potencial de valorização.
Pelo contrário, quem recusa assumir riscos calculados — seja ao lançar a startup que sempre idealizou, ao executar uma ordem de compra ou venda no momento considerado ideal, ou ao acumular mais ativos durante uma correção de mercado com potencial elevado de retorno — tenderá a permanecer no grupo dos investidores que "não fazem dinheiro" face aos que arriscam. Por isso, a comunidade financeira repete o mantra: "scared money don't make no money".
No dia 22 de setembro, Gary Gensler, presidente da US Securities and Exchange Commission, publicou um vídeo educativo de 1:30 minutos sobre investimento na sua conta do Twitter. Este vídeo integrava a série "Office Hours with Gary", que referencia o Investor.org, um recurso online destinado a apoiar decisões de investimento informadas e evitar fraudes. Apesar do objetivo de promover a literacia financeira, o conteúdo e as recomendações de Gensler geraram debate e críticas online.
Dirigindo-se a estudantes universitários, Gensler apresentou o seguinte cenário:
"Se poupares 5$ por semana e obtiveres talvez 8% de rendimento, começando ainda na universidade, poderás ter mais de 130 000$ acumulados até à reforma. Apenas com cinco dólares por semana. Mas, se em vez disso, esperares até, digamos, teres 40 anos para começar a poupar, para atingir o mesmo valor terias de poupar cerca de 30$ por semana. Por isso, começa cedo, poupa com frequência."
Este exemplo ilustra uma estratégia de investimento "scared money" e revela problemas relevantes. Embora poupar 5$ por semana seja uma meta realista para muitos estudantes, Gensler omite um aspeto crucial: não explica de que forma os estudantes poderiam, na prática, obter um retorno de 8% sobre as poupanças. Seria através de ações, obrigações, fundos de investimento ou contas poupança? Esta falta de clareza torna o conselho pouco exequível e potencialmente enganador.
Analisando os dados concretos, a situação agrava-se. De acordo com uma sondagem Gallup de 2018, apenas 18% dos jovens americanos entre os 18 e os 25 anos investiam ativamente. Além disso, a maioria não investia no mercado acionista, mas optava por contas poupança tradicionais. No entanto, contas poupança em grandes bancos como o Chase oferecem normalmente apenas 0,01% de rendimento anual (APY), muito aquém dos 8% referidos por Gensler.
Surge assim um fosso entre o conselho dado e a realidade vivida pelos jovens investidores. A pequena percentagem que investe tem poucas opções para obter 8% de retorno, sobretudo com contribuições semanais modestas. Após a graduação, será provavelmente necessário adotar estratégias mais agressivas para alcançar retornos relevantes, sobretudo tendo em conta a inflação, que nos últimos anos rondou os 5% nos EUA — outro fator que Gensler ignorou no seu exemplo simplificado.
O custo de oportunidade de seguir estratégias tão conservadoras é considerável. Se a inflação reduz o poder de compra entre 3-5% ao ano, um retorno de 8% (se alcançável) resulta num retorno real de apenas 3-5%. Para jovens investidores com décadas até à reforma, esta abordagem ultra-conservadora pode dificultar a acumulação de riqueza a longo prazo.
Em resumo, as estratégias de investimento "scared money" tendem a deixar os investidores em pior situação financeira face ao seu potencial. São abordagens conservadoras que mal superam a inflação anual e, por vezes, nem acompanham o aumento do custo de vida. O verdadeiro impacto está no elevado custo de oportunidade de evitar riscos razoáveis.
Por exemplo, se um jovem investidor adotasse uma postura mais tolerante ao risco e aplicasse os mesmos 5$ semanais em ativos de crescimento — como ações tecnológicas consolidadas (Apple, Tesla, Microsoft) ou criptomoedas como Bitcoin, Ethereum e Solana — os retornos potenciais ao longo de várias décadas poderiam superar largamente os das estratégias conservadoras.
Historicamente, os mercados acionistas apresentaram retornos médios anuais próximos dos 10% em horizontes longos, e determinados ativos tecnológicos e digitais registaram valores superiores nas fases de crescimento. Embora o passado não garanta resultados futuros, e estes investimentos impliquem maior volatilidade e risco, oferecem potencial de valorização muito superior ao das poupanças conservadoras.
Por isso, recomenda-se que quem inicia carreira adote uma filosofia de investimento tolerante ao risco, em vez de optar pela aversão total. Não significa investir sem critério ou alocar tudo em ativos especulativos, mas construir um portefólio diversificado, incluindo investimentos orientados para o crescimento e adaptados a um horizonte temporal longo. O essencial é compreender que assumir riscos calculados, fundamentados em investigação e alinhados com objetivos pessoais, é indispensável para construir riqueza de forma consistente.
Os jovens investidores dispõem da vantagem do tempo, o que lhes permite absorver a volatilidade do mercado e beneficiar do efeito de capitalização. Ao adotar uma abordagem equilibrada que aceite riscos razoáveis para obter retornos superiores, em vez da mentalidade "scared money", posicionam-se para atingir objetivos financeiros que as estratégias conservadoras não permitem alcançar.
Risco e acumulação de riqueza apresentam correlação positiva. Investimentos de maior risco podem gerar retornos substanciais, mas também expõem a perdas. Conhecimento sólido e uma gestão prudente do risco são fundamentais para o crescimento sustentado da riqueza.
Indivíduos avessos ao risco escolhem tipicamente opções de baixo retorno, limitando a acumulação de riqueza. Estratégias conservadoras dificultam oportunidades de crescimento financeiro necessárias à prosperidade futura.
Avalie a tolerância ao risco através de questionários financeiros que analisam a experiência de investimento, situação financeira e resposta emocional a perdas potenciais. Considere o horizonte de investimento, reservas de capital e reações passadas ao mercado. Uma autoavaliação abrangente destes fatores revela a verdadeira capacidade de risco.
Retornos elevados implicam maior volatilidade e potenciais perdas. O equilíbrio faz-se através da diversificação do portefólio, compreensão da tolerância ao risco e alocação estratégica do capital por diferentes classes de ativos e oportunidades.
Investidores de sucesso abordam o risco de modo estratégico, diversificando portefólios para evitar concentração, monitorizando tendências de mercado e privilegiando o crescimento sustentável em detrimento da especulação. Compreendem que a gestão do risco é chave para a acumulação de riqueza a longo prazo.
Defina objetivos e estratégias claras, realize uma pesquisa de mercado rigorosa, mantenha uma perspetiva de longo prazo, diversifique o portefólio e comece com posições reduzidas para ganhar confiança de forma gradual.
No início de carreira: procure investimentos de maior risco para obter retornos superiores. Na fase intermédia: opte por estratégias de portefólio equilibradas. Na fase final: reduza a exposição ao risco e privilegie obrigações e ativos estáveis para preservar o património.











