
O Senador dos Estados Unidos, Todd Young, pediu formalmente ao Internal Revenue Service (IRS) uma revisão rigorosa da política fiscal relacionada com as recompensas de staking de criptoativos. Como membro destacado da Comissão de Finanças do Senado, o Senador Young expôs, numa carta dirigida ao Secretário do Tesouro, Scott Bessent, a validade e os desafios práticos do método de tributação das recompensas de staking introduzido em 2023.
Este pedido surge no contexto do rápido crescimento do setor dos criptoativos e da consolidação do staking como veículo principal de investimento. Muitos investidores e agentes do sector defendem que o atual regime fiscal não acompanha a evolução tecnológica. A iniciativa do Senador Young destaca-se como reflexo do sentimento da indústria.
Nos termos da política vigente do IRS, as recompensas de staking de criptoativos são tributadas no momento em que são recebidas. Os investidores estão sujeitos ao imposto sobre o rendimento, determinado pelo valor de mercado das recompensas à data da receção. No entanto, esta abordagem suscita várias preocupações relevantes.
Os críticos defendem que este método tributa “ganhos não realizados”. Os investidores têm de pagar imposto sobre recompensas de staking antes de converterem esses ativos em dinheiro, podendo não dispor dos fundos necessários para liquidar o imposto. Se o valor dos criptoativos cair significativamente após a receção, os investidores enfrentam um duplo prejuízo—pagam impostos elevados e acabam por registar perdas subsequentes.
Além disso, as regras fiscais em vigor geram considerável incerteza para os contribuintes. Os preços dos criptoativos são extremamente voláteis, dificultando a apuração precisa do valor justo de mercado no momento da receção. Para quem recorre a múltiplas exchanges ou plataformas, o controlo e reporte de todas as recompensas de staking representa um encargo administrativo de relevo.
O Senador Young propõe que o momento tributável das recompensas de staking seja transferido da receção para a venda. Esta abordagem está em linha com o tratamento fiscal de dividendos e mais-valias em investimentos tradicionais e representa uma solução mais justa e exequível.
Com tributação na venda, os investidores só pagam impostos quando liquidam os seus criptoativos. Este modelo permite que os contribuintes liquidem o imposto com fundos disponíveis e elimina o problema da tributação sobre ganhos não realizados. Tributar com base no valor de venda clarifica a avaliação fiscal e reduz substancialmente a incerteza para o contribuinte.
O pedido do Senador Young surge numa altura em que o IRS se prepara para implementar, a nível global, o Crypto-Asset Reporting Framework (CARF) em 2027. Sob coordenação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o CARF pretende reforçar a transparência nas transações com criptoativos e promover a partilha de informação entre autoridades fiscais de todo o mundo.
Espera-se que esta estrutura aumente substancialmente o reporte de mais-valias e detalhes de operações em plataformas internacionais de criptoativos. Exchanges de criptomoedas e prestadores de serviços serão obrigados a comunicar os dados das operações dos clientes às autoridades fiscais nacionais, elevando os padrões internacionais de cumprimento tributário.
Contudo, no contexto da implementação do CARF, intensificam-se os pedidos de revisão da tributação das recompensas de staking. Mesmo com um regime internacional de reporte robusto, regras fiscais inadequadas apenas agravam os encargos dos contribuintes e podem restringir o desenvolvimento saudável do setor dos criptoativos.
O staking consiste em bloquear determinados criptoativos numa rede blockchain para participar na validação da rede e receber recompensas. Esta prática é frequente em blockchains que utilizam o mecanismo de consenso Proof of Stake (PoS).
Ao fazer staking dos seus ativos, os investidores recebem criptoativos adicionais como recompensa. Embora se assemelhe à obtenção de juros num depósito ou ao recebimento de dividendos de ações, o staking contribui diretamente para a segurança e operação da blockchain.
O staking é uma fonte de rendimento central para investidores em criptoativos, sendo integrado em estratégias de longo prazo. Por conseguinte, a política fiscal aplicada às recompensas de staking é uma questão central, com impacto relevante no comportamento dos investidores e na dinâmica do mercado de criptoativos.
Se a proposta do Senador Young for aceite, tanto o setor das criptomoedas como os investidores sairão beneficiados. Para os investidores, a incerteza fiscal será reduzida e as condições de investimento tornar-se-ão mais previsíveis. A eliminação da tributação sobre ganhos não realizados tornará o staking acessível a um maior número de participantes.
Para o setor, regras fiscais equilibradas são fundamentais. Políticas claras e justas promovem o crescimento sustentável e impulsionam a inovação no segmento cripto. O papel dos EUA na reforma fiscal poderá influenciar políticas globais, apoiando o desenvolvimento dos mercados internacionais de criptoativos.
Esta reforma representa também um passo para a equiparação dos criptoativos aos ativos financeiros tradicionais. Tributar as recompensas de staking na venda, tal como acontece com os dividendos, sinaliza o reconhecimento destas soluções como classe de ativos madura. Tal poderá atrair investidores institucionais, reforçando a liquidez e estabilidade dos mercados.
A resposta do IRS ao pedido do Senador Young será objeto de especial atenção. Apesar de uma reforma estruturante poder demorar, o forte apoio do setor e dos investidores está a gerar elevadas expectativas quanto à alteração das políticas fiscais.
Nos Estados Unidos, o IRS considera os rendimentos de staking como rendimento tributável. Estes são tributados ao valor de mercado quando realizados e devem ser declarados na declaração de rendimentos. O IRS tem regras explícitas para a tributação das recompensas de staking.
O IRS reconhece como rendimento tributável o valor de mercado das recompensas de staking na data da receção. A data relevante é a da aquisição da recompensa, sendo o equivalente em dólares norte-americanos a base para o cálculo do rendimento.
Transações cripto superiores a 10 000 dólares devem ser comunicadas ao IRS. Os detalhes exigidos incluem o valor da operação, a data e as partes envolvidas. O incumprimento pode dar origem a multas, processos judiciais e eventuais acusações de evasão fiscal.
Os rendimentos de mining são, em regra, tributados como rendimento ordinário. As recompensas de staking podem ser tratadas como rendimento ordinário ou como mais-valias, dependendo da jurisdição. Ambas as atividades estão sujeitas a reporte fiscal e supervisão regulamentar.
Apesar de as normas atuais serem neutras do ponto de vista económico, aumentam a complexidade do cumprimento fiscal dos utilizadores. A reforma é essencial para alinhar o direito fiscal com a realidade da utilização dos ativos digitais e reforçar a transparência e a consistência.











