

O Serviço de Alfândegas da Coreia divulgou uma investigação de grande dimensão que revelou que as atividades ilícitas de branqueamento de capitais, nos últimos cinco anos, totalizaram 11,4 biliões de won (aproximadamente 8,5 mil milhões $). Esta investigação detalhada destaca o crescente desafio dos crimes financeiros na era digital, com os criminosos a tirarem cada vez mais partido dos avanços tecnológicos para ocultarem fundos de origem ilícita. A escala destas operações demonstra o elevado grau de sofisticação dos métodos usados por redes criminosas para evitar os mecanismos tradicionais de controlo financeiro. Trata-se de uma das maiores descobertas de criminalidade financeira da história recente da Coreia do Sul, evidenciando a necessidade urgente de reforço dos quadros regulatórios e da cooperação internacional no combate aos crimes financeiros transfronteiriços.
Uma das principais conclusões da investigação mostra que 83% das transações de branqueamento de capitais identificadas ocorreram através de ativos em criptomoeda. Esta percentagem esmagadora evidencia como as moedas digitais se tornaram o meio de eleição para transferências financeiras ilícitas. Numa operação policial relevante, as autoridades detiveram um grupo criminoso que utilizava stablecoins, nomeadamente USDT (Tether), para transferir ilegalmente 920 mil milhões de won. O uso de stablecoins coloca desafios inéditos às autoridades, pois estes ativos digitais aliam as características de anonimato das criptomoedas à estabilidade de preço, tornando-os especialmente atrativos para operações de branqueamento de grande escala. Os criminosos exploraram a natureza descentralizada da tecnologia blockchain e a dificuldade inerente ao rastreio de transações em criptomoeda além-fronteiras. Este caso exemplifica como organizações criminosas sofisticadas adaptaram as suas operações para tirar partido das novas tecnologias financeiras, criando novas vulnerabilidades no sistema financeiro internacional.
Além dos esquemas assentes em criptomoedas, a investigação detetou igualmente um aumento significativo nas atividades tradicionais de contrabando de divisas. No mesmo período de cinco anos, as operações de contrabando de moeda estrangeira ascenderam a 240 mil milhões de won, demonstrando que os criminosos continuam a recorrer a múltiplos métodos para movimentar fundos ilícitos. Esta tendência paralela indica que, embora a criptomoeda seja atualmente o principal canal de branqueamento de capitais, os métodos tradicionais permanecem como alternativas viáveis para determinadas redes criminosas. O crescimento do contrabando físico de moeda pode refletir tentativas de diversificação dos métodos de branqueamento ou a vontade de evitar o escrutínio crescente sobre as transações em criptomoeda. A conjugação de métodos digitais e físicos coloca um desafio acrescido às autoridades aduaneiras e aos reguladores financeiros, exigindo estratégias integradas para responder a ameaças tanto tradicionais como emergentes.
Perante estas constatações preocupantes, o Serviço de Alfândegas da Coreia implementou medidas robustas para combater os crimes financeiros. O organismo criou uma task force especializada, composta por 126 elementos, dedicada a reforçar as capacidades de inspeção e detetar atividades financeiras ilícitas. Esta equipa multidisciplinar articula competências em investigação financeira, análise de criptomoedas e fiscalização aduaneira, adotando uma abordagem integrada ao combate ao branqueamento de capitais. A task force recorre a ferramentas analíticas avançadas e a mecanismos de cooperação internacional para monitorizar transações suspeitas tanto em canais financeiros tradicionais como digitais. Entre as medidas de fiscalização reforçadas incluem-se procedimentos de controlo alargados nas fronteiras, sistemas sofisticados de análise de dados para identificar padrões de transação anómalos e uma colaboração estreita com entidades internacionais de aplicação da lei. A resposta proativa do governo demonstra o empenho em adaptar os quadros regulatórios ao novo panorama dos crimes financeiros na era das criptomoedas.
O caso envolveu grandes plataformas de criptomoedas que facilitaram transferências ilícitas de fundos. As Alfândegas da Coreia do Sul detetaram cerca de 11,4 biliões de won coreanos (aproximadamente 7,8 mil milhões USD) em branqueamento de capitais ao longo de cinco anos, sendo que os casos relacionados com cripto representaram mais de 80% dos valores apreendidos, envolvendo redes criminosas transfronteiriças e plataformas de câmbio.
As práticas mais comuns de branqueamento de capitais envolvendo criptomoedas incluem serviços de mistura, exchanges descentralizadas, transações cross-chain e negociação over-the-counter. Estas técnicas servem para mascarar o percurso das transações e ocultar a proveniência dos fundos.
Os governos impõem regulamentos anti-branqueamento de capitais através de organismos como a SEC e a FinCEN nos EUA e a ESMA na UE. Exigem que as plataformas de criptomoedas estejam registadas, implementem protocolos Know Your Customer, monitorizem volumes de transação em busca de atividade suspeita e cumpram rigorosamente os quadros AML/CFT, prevenindo fluxos financeiros ilícitos.
Este caso deverá endurecer as normas internacionais de combate ao branqueamento de capitais e aumentar os requisitos de compliance para plataformas cripto em todo o mundo. Antecipam-se mecanismos de controlo mais rigorosos por parte dos reguladores, sobretudo quanto a procedimentos KYC e monitorização de transações, o que poderá abrandar o crescimento do mercado, mas fortalecer a confiança institucional e a legitimidade do setor.
Os investidores devem confirmar o cumprimento regulamentar e os registos de transparência antes de recorrerem a qualquer plataforma. Devem evitar plataformas de propriedade pouco clara, com práticas de segurança deficitárias ou padrões de transação anómalos. É fundamental pesquisar o histórico da plataforma, verificar a existência de licenças oficiais e recorrer apenas a operadores estabelecidos, com medidas de compliance rigorosas e auditorias frequentes.
A Coreia do Sul obriga todos os prestadores de serviços de criptomoedas ao registo junto da Financial Services Commission, impondo o cumprimento das normas de branqueamento de capitais e KYC ao abrigo da versão revista da Special Finance Transaction Information Act, reforçando assim a transparência das transações.











