

A Tether, líder no mercado de stablecoin, suspendeu a sua operação de mineração de criptomoedas no Uruguai, avaliada em 500 milhões de dólares, devido aos custos energéticos excessivos e à inexistência de enquadramentos tarifários favoráveis. Esta decisão representa um recuo significativo de um dos projetos de mineração de criptomoedas mais ambiciosos da América do Sul.
Segundo o jornal local El Observador, a empresa dispensou 30 dos seus 38 colaboradores no país. A Tether Holdings confirmou oficialmente o encerramento junto ao Ministério do Trabalho e da Segurança Social, após reunião na Direção Nacional do Trabalho. Esta redução de pessoal evidencia a dimensão dos obstáculos operacionais enfrentados na região.
Nos últimos anos, a Tether iniciou operações de mineração de Bitcoin consideradas sustentáveis no Uruguai, em parceria com uma empresa licenciada local. Na altura do anúncio, o CEO Paolo Ardoino mostrou confiança no projeto, afirmando que o país “possui uma rede elétrica robusta e fiável, capaz de responder às exigências das indústrias modernas”. O otimismo refletia a convicção da Tether na infraestrutura uruguaia e no potencial do país como centro de mineração.
Após a entrada no mercado uruguaio, a Tether avançou com planos de investimento total de 500 milhões de dólares. Entre estes planos, destacava-se a construção de três Centros de Processamento de Dados nos departamentos das províncias de Florida e Tacuarembó, estrategicamente localizados para tirar partido das vantagens regionais.
Além dos centros de dados, a empresa previu a construção de um parque eólico e solar com capacidade instalada de 300 megawatts, evidenciando o seu compromisso com fontes de energia sustentável. Este investimento em renováveis visava responder a questões ambientais e garantir custos operacionais competitivos a longo prazo.
Contudo, a realidade ficou distante das projeções iniciais. A Tether investiu apenas 100 milhões de dólares no projeto e reservou mais 50 milhões para infraestruturas. As instalações destinavam-se à UTE (empresa nacional de eletricidade do Uruguai) e ao Sistema Interligado Nacional, estabelecendo um modelo de parceria público-privada para reforçar a infraestrutura elétrica nacional.
A notícia da saída da Tether do Uruguai surgiu após a UTE ter interrompido o fornecimento durante o período de atividade devido a dívidas acumuladas de quase 5 milhões de dólares. Este corte revelou-se decisivo para a sustentabilidade do projeto de mineração.
A empresa, através da subsidiária Microfin, tentou negociar contratos de fornecimento elétrico de longo prazo, visando garantir previsibilidade de custos e estabilidade operacional. Porém, o incumprimento das obrigações financeiras levou ao encerramento, desencadeando uma série de dificuldades operacionais e financeiras que se revelaram inultrapassáveis.
“Acreditamos no potencial do país, mas para projetos desta dimensão é indispensável um enquadramento tarifário competitivo e estável. A falta de acordo obriga-nos a rever a nossa estratégia”, comunicou a Tether à UTE numa carta sobre o tema. O comunicado evidencia o desfasamento entre as necessidades operacionais da empresa e as condições do mercado energético local.
O problema dos custos energéticos reflete desafios estruturais da indústria da mineração de criptomoedas, em que a eletricidade representa o maior custo operacional. Sem tarifas vantajosas, mesmo operações bem financiadas como a da Tether podem ter dificuldades em manter a rentabilidade, sobretudo em períodos de volatilidade do Bitcoin.
O fornecedor de stablecoin USDT tinha anunciado planos para controlar cerca de 1% da rede global de Bitcoin, demonstrando forte compromisso com a mineração. Mais recentemente, a Tether colaborou com uma empresa sul-americana focada em produção sustentável, explorando parcerias estratégicas na mineração de Bitcoin e mantendo o interesse na região apesar do recuo no Uruguai.
Apesar do insucesso no Uruguai levantar dúvidas sobre a viabilidade de operações energéticas intensivas em mercados de custos elevados, jurisdições como Paraguai e Texas atraem mineiros graças a tarifas mais baixas e ambientes regulatórios favoráveis. Estes locais são alternativas competitivas, oferecendo energia estável a custos reduzidos.
A Tether anunciou anteriormente projetos para instalar mineração de Bitcoin no Paraguai e em El Salvador, com cada centro a prever capacidade entre 40 e 70 megawatts. Esta estratégia geográfica diversificada permite mitigar riscos operacionais, privilegiando regiões com condições energéticas mais vantajosas.
A experiência uruguaia serve de alerta para operações de grande escala, evidenciando a importância de garantir contratos energéticos competitivos e duradouros antes de investir capital significativo. Com a evolução do setor da mineração de criptomoedas, o acesso a eletricidade fiável e acessível continuará a ser decisivo para o sucesso e expansão internacional.
Perspetivando o futuro, o redirecionamento estratégico da Tether poderá acelerar a concentração de operações de mineração em jurisdições que reúnam baixos custos energéticos, estabilidade regulatória e fiabilidade de infraestrutura. Esta tendência pode alterar a distribuição da capacidade mundial de mineração de Bitcoin nos próximos anos.
A Tether optou pelo Uruguai devido à energia renovável de baixo custo. O encerramento das operações não afeta a estabilidade do USDT, uma vez que o valor da stablecoin está garantido por reservas independentes da localização da mineração.
Os mecanismos Proof-of-Work exigem grande capacidade computacional para proteger as redes e processar as transações. Esta atividade intensiva consome muita eletricidade, gerando custos elevados e preocupações ambientais.
A Tether suspendeu a mineração de bitcoin no Uruguai devido ao aumento acentuado dos custos energéticos, que tornaram a operação economicamente inviável. O forte aumento das despesas com eletricidade inviabilizou o modelo de negócio.
Os principais custos operacionais do USDT incluem taxas de manutenção da blockchain, despesas legais, supervisão regulatória e promoção de mercado. Os custos energéticos associados à rede e ao apoio ao cliente também contribuem para os encargos totais.
Reflete desafios centrais: custos operacionais elevados em certas regiões, pressão regulatória sobre o consumo energético, limitações de infraestrutura e necessidade de soluções sustentáveis. Os projetos de criptomoedas precisam de equilibrar rentabilidade com conformidade ambiental e regulatória.











