
Num movimento estratégico para afirmar a Tailândia como um dos principais polos de ativos digitais no Sudeste Asiático, o Ministério das Finanças anunciou uma isenção inédita do imposto sobre o valor acrescentado (IVA) nas operações de negociação de ativos digitais. Esta atualização representa um passo fundamental nos esforços da Tailândia para estimular a inovação e captar investimento numa economia digital em acelerada evolução.
De acordo com Paopoom Rojanasakul, secretário do ministro das Finanças, a decisão traduz a visão global do ministério de potenciar os ativos digitais como motor de crescimento económico. O objetivo passa por promover os ativos digitais como alternativa viável para captação de fundos e acelerar o desenvolvimento da indústria nacional de ativos digitais. Ao criar um contexto fiscal mais favorável, o governo pretende fomentar a participação, tanto nacional como internacional, no ecossistema digital do país.
No novo regime, o ministério suspendeu a obrigatoriedade de pagar IVA à taxa padrão de 7% sobre rendimentos provenientes de negociação de criptomoedas e tokens digitais. Esta isenção entrou em vigor no início de 2024 e, de forma significativa, não tem prazo de término, proporcionando previsibilidade e incentivos de longo prazo para investidores e operadores do setor. Esta isenção ilimitada reforça o compromisso do governo tailandês com o apoio sustentado ao setor dos ativos digitais.
O alívio fiscal abrange mais do que as operações de negociação. A transferência de tokens de investimento digital para terceiros está isenta de IVA desde meados de 2023, medida que inicialmente se aplicava apenas a bolsas de ativos digitais autorizadas. Esta isenção foi agora ampliada para incluir corretoras e negociantes sob supervisão da Securities and Exchange Commission (SEC), alargando o leque de benefícios fiscais a toda a cadeia de valor dos ativos digitais.
Para consolidar a posição da Tailândia enquanto polo de referência em ativos digitais, o Ministério das Finanças e a SEC estão a preparar alterações à Lei dos Valores Mobiliários e Bolsa de 2019. Estas mudanças legislativas pretendem aproximar os tokens de investimento digital do funcionamento dos valores mobiliários tradicionais, criando um ambiente mais regulado e seguro, que proteja os investidores e estimule a inovação. Esta evolução regulatória deverá reforçar a confiança dos investidores e atrair capital institucional para os mercados de ativos digitais tailandeses.
A Tailândia tem-se afirmado como uma das jurisdições mais atrativas para investidores estrangeiros em ativos digitais na região Ásia-Pacífico. Estas políticas fiscais inovadoras deverão impulsionar o mercado tailandês de ativos digitais, podendo colocar o país na liderança regional em tecnologia blockchain e adoção de criptomoedas. Contudo, Paopoom destacou que, ao prosseguir estes objetivos de desenvolvimento, o governo mantém o compromisso com a estabilidade e integridade do sistema financeiro, garantindo que a inovação decorre sob um quadro de regulação responsável.
Em paralelo com as reformas fiscais, a Securities and Exchange Commission da Tailândia procedeu a uma revisão e atualização profundas dos critérios para investimento em tokens digitais, flexibilizando várias restrições que limitavam a participação no mercado. Esta alteração regulamentar reflete a abordagem evolutiva da SEC, que procura equilibrar a proteção do investidor com o desenvolvimento do mercado.
Durante uma reunião estratégica, o Comité da SEC aprovou novos princípios para melhorar os critérios de investimento e os padrões operacionais das empresas de ativos digitais. O novo enquadramento visa criar mecanismos robustos de proteção do investidor, ajustando os riscos inerentes aos ativos digitais. Esta abordagem equilibrada reconhece as oportunidades e os desafios que o setor apresenta.
Uma das mudanças mais relevantes é a eliminação das restrições de investimento que existiam para investidores de retalho em determinadas categorias de tokens digitais. A comissão eliminou os limites de investimento em tokens digitais apoiados por imobiliário ou que geram receitas imobiliárias (initial coin offerings com suporte imobiliário), bem como em tokens digitais associados a operações ou receitas de infraestruturas (initial coin offerings com suporte em infraestruturas).
Anteriormente, os investidores de retalho estavam sujeitos a um limite máximo de 300 000 baht por oferta nestas categorias de tokens, uma restrição criada para proteger investidores menos experientes de exposições excessivas. A eliminação deste limite reflete a avaliação da SEC de que a maturidade do mercado e a literacia dos investidores evoluíram o suficiente para justificar maior liberdade de investimento, mantendo as exigências de divulgação e transparência.
Adicionalmente, a SEC reviu e atualizou os critérios para constituição de prestadores de serviços de carteiras de custódia, permitindo que estas entidades ofereçam serviços profissionais de custódia a operadores do setor dos ativos digitais. Este desenvolvimento é essencial para a adoção institucional, já que soluções de custódia eficazes são fundamentais para operações de grande escala e asseguram uma camada adicional de segurança e conformidade.
Apesar destas reformas progressivas, a SEC tailandesa mantém prudência em relação a certos produtos. O regulador indicou que, para já, não irá autorizar a negociação de ETF de Bitcoin à vista Bitcoin exchange-traded funds no país. Esta posição contrasta com recentes desenvolvimentos noutros grandes mercados, como os Estados Unidos, onde os ETF de Bitcoin já receberam aprovação. A decisão da SEC reflete preocupações quanto à volatilidade do mercado, proteção do investidor e necessidade de salvaguardas adicionais antes da introdução destes produtos junto de investidores de retalho.
Esta abordagem ponderada demonstra a estratégia da Tailândia de evolução regulatória progressiva mas cautelosa: o país procura beneficiar da inovação em ativos digitais sem descurar a gestão adequada de riscos. A combinação de incentivos fiscais e reformas calibradas posiciona a Tailândia como destino cada vez mais atrativo para empresas e investidores de ativos digitais que valorizam um ambiente regulatório equilibrado no Sudeste Asiático.
A Tailândia quer consolidar-se como polo regional de ativos digitais, eliminando barreiras fiscais e atraindo volumes de negociação e investimento em criptoativos. Esta política reforça a competitividade, gera crescimento económico, cria emprego no setor fintech e posiciona a Tailândia como destino de referência para cripto no Sudeste Asiático.
A política isenta de IVA exclui as operações à vista de criptomoedas do imposto sobre o valor acrescentado, reduzindo custos para os operadores. As transações abrangidas incluem compras e vendas à vista de ativos digitais aprovados. A isenção aplica-se a plataformas em conformidade com o enquadramento regulatório tailandês, facilitando as transações cripto e incentivando a participação institucional no mercado de ativos digitais.
Sim, a política isenta de IVA reforça substancialmente a competitividade da Tailândia enquanto polo de ativos digitais, tornando o país mais atrativo para operadores internacionais que procuram ambientes de negociação fiscalmente eficientes. A clareza regulatória e o modelo de incentivos deverão acelerar a entrada e expansão no mercado.
Os investidores estrangeiros podem beneficiar do regime isento de IVA através do registo junto das autoridades regulatórias locais e cumprimento dos requisitos de conformidade. As condições essenciais incluem verificação KYC adequada, manutenção de registos de negociação e respeito pelas normas tailandesas de ativos digitais. A elegibilidade pode depender do estatuto de residência e do tipo de ativos negociados.
A negociação cripto isenta de IVA proporciona custos de transação inferiores aos de Singapura e Dubai. Em conjugação com um quadro regulatório simplificado e incentivos fiscais competitivos, a Tailândia atrai maior volume de negociação, posicionando-se como líder do Sudeste Asiático em ativos digitais e com forte potencial de expansão do mercado.
A política isenta de IVA atrai investimento e inovação. O enquadramento regulatório está a ser progressivamente reforçado pela supervisão da SEC e requisitos de conformidade. Os principais aspetos a considerar incluem a gestão da volatilidade do mercado e a garantia de protocolos KYC robustos.











