A repressão da China ao controlo das criptomoedas indica a direção do mercado

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Aviso geral de 6/2 da China — proíbe stablecoins lastreados no yuan não autorizados, classifica a maioria das atividades de tokenização de ativos do mundo real (RWA) como ilegais e reafirma a proibição total de atividades relacionadas com criptomoedas — não causou grandes oscilações no mercado. Segundo Jason Atkins, Diretor Comercial da corretora de mercado Auros, sediada em Hong Kong, essa reação neutra é o sinal mais notável.

Việc Trung Quốc siết chặt kiểm soát tiền điện tử báo hiệu hướng đi của thị trườngJason Atkins, Diretor Comercial da Auros | Fonte: Captura de ecrã do ConsensusDepois de anos de proibições e reiteradas medidas semelhantes, o mercado parece estar habituado à postura rígida de Pequim em relação às criptomoedas descentralizadas. No entanto, o mais interessante não é a proibição em si, mas os detalhes revelados neste aviso.

RWA: Antecipando a tendência global

A novidade mais relevante do aviso de 6/2 é a menção específica às RWA pela primeira vez na China. Enquanto alguns veem isso como um aumento no controle, Atkins considera que é um passo “preparatório” para futuras regulações.

Segundo ele, Pequim aprendeu com o crescimento descontrolado da mineração de Bitcoin na China no passado. Permitir que essa indústria se desenvolvesse demais antes de proibir, em 2021, criou desafios para os reguladores controlarem. Com as RWA em rápido crescimento globalmente, a China parece decidida a não repetir esse erro.

A menção clara às RWA no aviso indica que Pequim vê esse setor como um risco potencial ao controle de capitais. Isso reflete preocupações com a movimentação rápida e livre de ativos, o que contraria a filosofia financeira baseada no controle rigoroso da China.

Por outro lado, isso não significa que uma estrutura legal para as RWA será implementada em breve. Em vez disso, mostra que Pequim acompanha de perto o desenvolvimento do setor para agir rapidamente quando necessário.

“Mineração de Bitcoin cresceu bastante na China, sem que as autoridades percebessem, e depois se tornou grande demais para controlar,” afirma Atkins. “Incluir as RWA neste aviso mostra que eles estão tentando antecipar problemas potenciais e criar regulações antes que se tornem ameaças reais.”

Stablecoins, Hong Kong e a história da infraestrutura financeira

Um ponto interessante do aviso é a primeira distinção feita entre stablecoins e a definição de moedas virtuais, considerando-as ferramentas que “executam algumas funções de dinheiro fiduciário”. Alguns especialistas sugerem que isso pode abrir oportunidades para bancos chineses em Hong Kong solicitarem licenças para emitir stablecoins sob o novo quadro legal da cidade.

Atkins acha essa interpretação razoável, mas acredita que o caminho até a realização será longo. Para ele, o aspecto central não é a inovação, mas a infraestrutura: se as stablecoins mostrarem benefícios na eficiência de pagamentos e processamento de transações, serão vistas como uma atualização do sistema bancário, não uma ameaça.

Inicialmente, startups de criptomoedas podem liderar esse ambiente de testes em Hong Kong. Com o tempo, bancos maiores participarão à medida que a legislação se aperfeiçoar e os riscos forem melhor controlados.

Sobre a possibilidade de grandes empresas de tecnologia da China — que já testaram stablecoins em Hong Kong antes de serem suspensas — continuarem, Atkins admite que depende de negociações nos bastidores entre Pequim e Hong Kong. “Só sabemos o que eles querem que saibamos,” afirma.

A dominação silenciosa do dólar americano na era digital

A análise mais profunda de Atkins não foca na proibição da China, mas no que ela dificilmente consegue controlar. Segundo ele, a Lei GENIUS dos EUA aproximou o mundo de uma nova realidade, onde transações digitais — assim como as físicas — usam por padrão sistemas de pagamento baseados no dólar americano.

Cada compra de uma stablecoin lastreada no dólar equivale a uma compra de títulos do governo dos EUA. A China sempre entendeu esse poder: em 2013, era o maior detentor estrangeiro de títulos americanos, com mais de 1,3 trilhão de dólares. Mas, ao longo dos anos, reduziu essa participação para cerca de 680 bilhões de dólares, ficando atrás do Japão e do Reino Unido.

No entanto, num mundo onde stablecoins são amplamente aceitas e operam sem fronteiras, abrir mão de títulos do governo dos EUA não é mais uma opção viável. A demanda por dívida americana se torna uma consequência inevitável das transações digitais diárias, além do controle de qualquer governo.

“Você pode proibir,” diz Atkins, “mas como realmente impedir?”

A grande questão ainda não colocada

Por fim, Atkins destaca uma questão importante, mas pouco discutida: enquanto reguladores ao redor do mundo aprovam quadros legais para stablecoins e testam a tokenização de ativos, a questão de quem fornecerá liquidez a esses produtos ainda não foi resolvida.

Canais de depósito, retirada, estabilidade de preços e baixa slippage — tudo isso só funciona com criadores de mercado que operem sob condições incentivadoras adequadas. Regulamentações podem abrir portas, mas a liquidez é o fator decisivo para que essa porta seja atravessada.

“Sem liquidez, nada funciona,” afirma. “Por mais atraente que o sistema seja, ele não operará.”

Embora Atkins fale como Diretor Comercial de uma empresa com interesse direto no tema, sua opinião tem valor. Sem criadores de mercado contínuos que mantenham o equilíbrio entre oferta e demanda, a volatilidade aumentará, as diferenças de preço se ampliarão, e um mercado estável e acessível — como esperado pelos reguladores, seja em Hong Kong, Washington ou Pequim — não se formará.

A China pode optar por ignorar essa realidade ou acreditar que pode construir um sistema alternativo baseado na infraestrutura controlada pelo Estado. Mas, independentemente da vontade de Pequim, a operação de qualquer ecossistema eficiente de stablecoins depende de empresas como a Auros.

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