Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum e uma das figuras mais influentes na indústria cripto, publicou recentemente um artigo na rede social X explicando por que o ETH continua a ser um componente essencial em muitos sistemas tecnológicos.
Segundo Buterin, a comunidade deve mudar de perspetiva: em vez de tentar inserir o Ethereum em todas as aplicações, deve vê-lo como uma ferramenta técnica no ecossistema tecnológico descentralizado. A partir dessa abordagem, ele destaca três papéis centrais do Ethereum.
O primeiro papel é um “quadro de avisos público” (public bulletin board) a nível global.
Buterin afirma que muitos protocolos criptográficos — como sistemas seguros de votação online, gestão de versões de software ou revogação de certificados — precisam de um local onde os dados possam ser publicados publicamente, visíveis a todos, mas sem possibilidade de serem apagados.
Antes, armazenar esses dados na blockchain era bastante caro. No entanto, após a atualização PeerDAS, o Ethereum pode oferecer maior capacidade de armazenamento com custos significativamente menores, com uma possível expansão de 10 a 100 vezes no futuro.
Nesse caso, a blockchain não realiza cálculos complexos, mas atua principalmente para garantir a disponibilidade dos dados.
O segundo papel relaciona-se com pagamentos e combate ao spam.
Segundo Buterin, em sistemas abertos e sem necessidade de permissão, é quase impossível impedir que usuários se registrem. Para evitar abusos — como ataques Sybil — cada ação deve ter um custo pequeno, mas real.
Assim, o ETH funciona como uma ferramenta de pagamento universal para diversos serviços, especialmente APIs sem necessidade de permissão. Além disso, o ETH ajuda a criar mecanismos eficazes de combate ao spam e fornece uma forma de depósito de segurança.
O terceiro papel é dos smart contracts.
Segundo Buterin, uma das aplicações importantes dos contratos inteligentes é o mecanismo de “depósito de segurança” — onde os usuários bloqueiam ETH em contratos, e esse valor é queimado se houver evidências de violação das regras do protocolo.
Além disso, os smart contracts permitem construir sistemas de pagamento avançados, como canais de pagamento zero-knowledge, e criar “objetos digitais” que representam entidades do mundo real ou sistemas sociais.
Buterin acredita que, sob uma perspetiva fundamental, o Ethereum pode ser visto como uma espécie de “memória comum global” para a Internet.
Ele também observa que uma das maiores barreiras atualmente é a percepção de que o Ethereum ainda funciona como em 2020–2022, quando as taxas de transação eram muito altas. Hoje, as taxas diminuíram significativamente e o roteiro de expansão continua a ser aprimorado.
Segundo Buterin, ao combinar esses três elementos — dados na blockchain, ETH como meio de pagamento e smart contracts como camada de programação comum — o Ethereum pode se tornar uma infraestrutura para sistemas de software de código aberto, descentralizados, privados e seguros no futuro.