## Criptomoedas chegam à Wall Street: como os ETF estão a transformar o panorama de investimentos em 2025



Ao longo de apenas um ano, o ecossistema de produtos de investimento ligados a ativos digitais passou por uma transformação fundamental. Desde a estreia histórica dos fundos spot de Bitcoin em janeiro de 2024, os fluxos de capital atingiram volumes sem precedentes. Os dados mostram que até meados de dezembro deste ano, esses fluxos totalizaram uma entrada líquida de 57,7 mil milhões de dólares — em comparação com 36,2 mil milhões de dólares no início do ano, o que representa um aumento de quase 60%.

No entanto, esse número não reflete a imagem completa da dinâmica do mercado. Os fluxos de capital ocorreram em ondas: em outubro, quando o Bitcoin (BTC) se aproximou do recorde histórico de 126.080 dólares, os investidores injetaram nos ETFs spot de BTC 1,2 mil milhões de dólares em um único dia. Algumas semanas depois, quando o preço caiu abaixo de 90.000 dólares, houve uma saída massiva de 900 milhões de dólares. Movimentos tão dramáticos refletem não apenas a volatilidade do mercado, mas também o interesse crescente das instituições financeiras.

### Ethereum e além: expansão da oferta de produtos

Ethereum (ETH), o segundo em capitalização de mercado, teve acesso a instrumentos ETF um pouco mais tarde — desde julho do ano passado. Até dezembro, os produtos que acompanham o preço spot do Ethereum acumularam 12,6 mil milhões de dólares em entradas líquidas. No pico em agosto, quando o preço se aproximou do recorde de 4950 dólares, esses fundos atraíram um bilhão de dólares de investimento em um dia.

Os beneficiários inesperados da expansão do mercado foram ativos digitais menores. Ripple (XRP) e Solana (SOL), ocupando respectivamente o 5º e o 7º lugar em capitalização, receberam sinal verde dos reguladores. Desde o lançamento em novembro, os ETFs spot de XRP acumularam até 883 milhões de dólares, enquanto a Solana arrecadou 92 milhões de dólares, apesar das condições macroeconômicas desfavoráveis nesse período.

Até mesmo Dogecoin (DOGE) marcou presença — o ETF dessa memecoin registrou entradas líquidas de 2 milhões de dólares até meados de dezembro.

### Mudança na postura regulatória: oportunidade para novos produtos

A virada ocorreu com a decisão da Comissão de Valores Mobiliários (SEC) em setembro deste ano. A aprovação dos padrões gerais para trusts de commodities significou que o regulador não mais consideraria cada criptomoeda individualmente. Em vez disso, estabeleceu critérios que os ativos digitais interessados podem atender: devem estar listados em mercado regulado, possuir pelo menos seis meses de histórico de negociação de contratos futuros e demonstrar volumes de negociação significativos.

Eric Balchunas, da Bloomberg, estimou na época que pelo menos várias dezenas de criptomoedas poderiam entrar imediatamente no mercado de produtos ETF. Seu colega James Seyffart afirmou posteriormente que há na mesa da SEC pedidos relacionados a pelo menos 126 produtos adicionais — principalmente fundos de índice que abrangem novos projetos DeFi e algumas memecoins.

### Fundo de índice como o futuro do acesso institucional

Com o desenvolvimento do mercado, começaram a surgir novas categorias de produtos. A Hashdex lançou em fevereiro um ETF de índice spot pioneiro, que acompanha múltiplos ativos digitais, modelado no índice Nasdaq Crypto Index. Este instrumento oferece acesso a investimentos em 19 diferentes criptomoedas — de Cardano a Chainlink e Stellar.

Franklin Templeton, Grayscale, Bitwise, 21Shares e CoinShares, logo após, introduziram ofertas concorrentes. Esses fundos de índice encontram grande interesse especialmente entre investidores profissionais, que desejam participar do potencial crescimento do mercado sem a necessidade de uma análise detalhada de cada ativo.

Gerry O'Shea, da Hashdex, afirma que os ETFs de índice serão um tema quente em 2025. “Investidores profissionais estão cada vez mais valorizando a estrutura dinâmica desses fundos, que proporcionam acesso a um portfólio amplo de ativos digitais,” explica. A transformação na mentalidade regulatória — onde a questão não é mais “se investir”, mas “como investir” — abre novas possibilidades.

### De varejo para instituições: mudança na composição da base de investidores

Também se observa uma mudança significativa no perfil dos investidores. Embora anteriormente dominassem os investidores de varejo e fundos de hedge, cada vez mais instituições financeiras estão a incluir esses ativos em seus portfólios.

A Vanguard anunciou no mês passado que seus 50 milhões de clientes poderão negociar ETFs spot de criptomoedas selecionados. O Bank of America, por sua vez, permitiu que clientes do segmento de gestão de patrimônio realizem investimentos digitais moderados a partir do próximo ano. A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, permanece mais cautelosa, embora as informações dos depósitos 13F mostrem que seus produtos atraem capital de investidores institucionais relevantes.

A Abu Dhabi Investment Authority (ligada à Mubadala Investment Company) revelou possuir 500 milhões de dólares em um ETF spot de Bitcoin da BlackRock, e documentos indicam que a própria Mubadala possui uma posição avaliada em 567 milhões de dólares. O Harvard Endowment tinha essa posição avaliada em 433 milhões de dólares, e a Brown University e a Emory University também implementaram exposição ao Bitcoin por meio de ETFs spot.

Essa mudança na composição dos investidores — a transição do varejo para as instituições — pode ter consequências de longo prazo. Especialistas sugerem que uma maior presença de investidores institucionais, que mantêm ativos por períodos mais longos, pode reduzir a volatilidade e diminuir a amplitude das quedas.

Embora em fevereiro deste ano o Wisconsin Investment Board tenha saído de uma posição avaliada em 300 milhões de dólares, a tendência geral aponta claramente para um aumento do interesse por parte dos grandes players financeiros.

### Perspectivas para os próximos meses

A expansão da oferta de produtos com Bitcoin e Ethereum para XRP, Solana e outros ativos digitais sinaliza que as barreiras regulatórias estão a diminuir lentamente. Juan Leon, da Bitwise, destaca: “O interesse dos investidores não se limita ao Bitcoin ou Ethereum, mas a todo o espectro de criptomoedas. As comunidades XRP e Solana demonstraram força e engajamento inesperados, o que é um sinal muito positivo para os ecossistemas."

Produtos ETF, tanto aqueles que acompanham ativos individuais quanto os novos fundos de índice que agregam várias criptomoedas, estão a transformar silenciosamente o panorama dos investimentos digitais. Em 2025, provavelmente testemunharemos uma evolução contínua: de produtos de nicho para especuladores, para o mainstream na gestão de carteiras institucionais.
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