Chefe da SEC: As criptomoedas podem tornar-se uma ferramenta de vigilância em massa ou de proteção da privacidade – depende de nós

Exemplo escolhido pela administração de Joe Biden mostra como é importante o tema do equilíbrio entre segurança financeira e liberdade dos cidadãos. Durante uma recente mesa-redonda sobre criptomoedas, Paul S. Atkins, presidente da SEC, fez um discurso que aborda uma questão-chave para o futuro do ecossistema blockchain.

Fio ou sacralidade? Blockchain como potencial sistema de supervisão total

A principal mensagem do exemplo do presidente Atkins foi a cautela em relação ao rumo errado da regulamentação. Atkins afirmou claramente: se o governo tratar cada carteira como um corretor, cada código como uma bolsa, e cada transação como um evento que requer reporte, as criptomoedas podem se transformar na arquitetura de supervisão financeira mais poderosa da história.

Essa visão, que o chefe da SEC descreveu como um “panóptico financeiro”, foi o centro de seu discurso exemplo. O blockchain, por sua natureza, é mais transparente do que qualquer sistema financeiro tradicional – cada transação é registrada em um livro público acessível. Empresas de análise de blockchain já conseguem hoje vincular efetivamente atividades on-chain à identidade off-chain.

Era analógica vs. era digital: como a supervisão mudou

Na era do papel e dos documentos físicos, o governo tinha possibilidades naturalmente limitadas de coleta de dados. Os processos eram lentos, as distâncias físicas dificultavam o fluxo de informações, e a documentação era um sistema disperso. Essas inconveniências para o governo representavam, de fato, uma proteção à privacidade dos cidadãos.

Hoje, na era digital, essas barreiras quase desapareceram. Por isso, a discussão sobre tecnologias de proteção de privacidade no blockchain torna-se uma questão central para os reguladores.

Existem ferramentas para equilibrar segurança e liberdade?

O exemplo do discurso de Atkins mostra que a resposta é: sim. A tecnologia blockchain oferece soluções que o mundo analógico não tinha:

  • Provas de conhecimento zero – permitem confirmar fatos sem revelar detalhes
  • Revelação seletiva – possibilita aos usuários demonstrar conformidade sem compartilhar registros financeiros completos
  • Projetos de carteiras de proteção – garantem a verificação do usuário sem armazenamento permanente de detalhes de cada transação

Atkins sugere um modelo em que plataformas regulamentadas podem confirmar que seus usuários passaram por uma verificação de conformidade (compliance), sem a necessidade de arquivar todo o histórico de pagamentos ou dados pessoais.

O problema da transparência total: e a atividade de mercado eficiente?

O chefe da SEC também levantou uma questão prática: a transparência inerente aos blockchains públicos pode paralisar atividades importantes nos mercados financeiros. Instituições financeiras tradicionalmente precisam de possibilidades de construir posições e testar estratégias sem revelar imediatamente suas intenções à concorrência.

Se cada ordem, cada transação de hedge e cada ajuste de carteira for visível em tempo real, podemos experimentar:

  • Fenômeno de frontrunning
  • Cópia de estratégias por concorrentes
  • Efeito manada (herd effect)
  • Queda drástica na atratividade do market making e do underwriting

Isso significa que a proteção de dados não deve significar transparência total – precisamos de uma abordagem mais sofisticada.

Lições de Hayek: poder do governo vs. liberdade individual

Atkins referiu-se às ideias de Friedrich von Hayek, do livro “A arrogância fatal”. O economista austríaco criticava a crença de que reunir um número suficiente de funcionários inteligentes em uma sala e acumular uma grande quantidade de informações leva a soluções perfeitas. A história mostra que essa abordagem raramente funciona na prática.

A tecnologia blockchain nos dá a oportunidade de refletir sobre essa contradição fundamental: como proteger a segurança nacional e combater fraudes financeiras, ao mesmo tempo em que se preserva a privacidade do indivíduo e seu direito de gerir seus próprios assuntos?

Caminho à frente: a obrigação da SEC

O presidente Atkins admitiu que a SEC criou ferramentas que coletam uma grande quantidade de dados – desde o Consolidated Audit Trail (CAT) até repositórios de swaps. Embora essas ferramentas tenham sido criadas para proteger investidores e a segurança do mercado, “o apetite insaciável do governo por dados” fez com que elas crescessem além de suas intenções originais.

Atkins anunciou ações para limitar os elementos mais sensíveis dos dados no CAT e reavaliar seu escopo e custos.

Conclusão: o futuro depende das escolhas de hoje

O exemplo do discurso de Atkins aponta para uma realidade fundamental: as criptomoedas e o blockchain podem se tornar a ferramenta de supervisão financeira mais poderosa da história – ou sua maior defesa. O resultado depende das decisões que os reguladores tomarem hoje.

O chefe da SEC destacou que há um caminho para conciliar inovação tecnológica, segurança financeira e privacidade dos cidadãos – mas isso exige humildade, princípios e uma colaboração verdadeira entre especialistas. A questão é: seremos capazes de encontrá-lo antes que seja tarde demais?

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