Em 15 de dezembro de 2024, o presidente da SEC, Paul S. Atkins, discursou na mesa-redonda sobre criptomoedas organizada pela agência, aprofundando-se nas questões de privacidade financeira na era da tecnologia blockchain. Seu argumento central suscitou amplo interesse na indústria: se a direção regulatória estiver incorreta, o ecossistema de criptomoedas pode evoluir para o sistema de monitoramento financeiro mais poderoso de todos os tempos.
A espada de dois gumes do blockchain: o dilema da transparência e privacidade
Atkins destacou que, em comparação com qualquer sistema financeiro tradicional, o blockchain público é mais transparente. Cada transferência de valor é registrada em um livro-razão acessível a todos. Empresas de análise on-chain já conseguem associar efetivamente atividades na cadeia com identidades off-chain.
Essa transparência, que é uma vantagem do blockchain, tornou-se uma ameaça sob a pressão de regulamentações excessivas. Se o governo tratar cada carteira como um corretor, cada trecho de código como uma exchange, e exigir o reporte de cada transação, o ecossistema de criptomoedas se transformará na “olho universal de monitoramento financeiro”.
A crise da realidade: o apetite ilimitado do governo por regulamentação
Na sua fala, Atkins citou a ideia central do livro de Hayek, “O Caminho da Servidão”, criticando a ilusão comum entre os funcionários do governo de que, reunindo pessoas inteligentes e dados suficientes, seria possível encontrar uma solução perfeita: a história mostra que essa abordagem tem efeitos limitados na prática.
As ferramentas regulatórias desenvolvidas pela SEC — como o Sistema de Rastreamento de Auditoria Integrada (CAT), bancos de dados de swaps e formulários PF — inicialmente alegaram proteger investidores e combater fraudes, mas, na prática, expandiram-se continuamente, evoluindo para infraestrutura de monitoramento em larga escala. Atkins admitiu que o desejo do governo por coleta de dados já saiu do controle, e muitas informações coletadas nem sequer são plenamente utilizadas.
Os perigos do aumento do poder regulatório na era digital
Na era analógica, documentos em papel, distâncias físicas e processos manuais limitavam naturalmente a quantidade de informações que o governo podia coletar. Essas limitações, embora inconvenientes para o governo, protegiam a privacidade dos investidores americanos. Mas, na era digital, essas barreiras naturais foram significativamente enfraquecidas.
A emergência do blockchain e das tecnologias de criptografia criou, ao mesmo tempo, a possibilidade de monitoramento mais poderoso da história e ferramentas de proteção de privacidade sem precedentes. Provas de conhecimento zero, divulgação seletiva e carteiras de privacidade permitem que os usuários demonstrem conformidade sem precisar fornecer registros financeiros completos ou dados pessoais às intermediárias ou ao governo.
Equilibrando funcionalidade de mercado e privacidade financeira
Atkins também apontou que a transparência total pode prejudicar gravemente o funcionamento normal dos mercados financeiros. Muitas instituições dependem de abrir posições, testar estratégias e fornecer liquidez de forma que seus concorrentes e traders predatórios não possam detectar instantaneamente.
Se cada ordem, cada hedge, cada ajuste de portfólio for visível em tempo real, o mercado enfrentará problemas como front-running, cópia de estratégias e efeito manada, e os provedores de liquidez e underwriters terão sua atratividade drasticamente reduzida. Isso significa que o desenvolvimento saudável do ecossistema financeiro baseado em blockchain requer algum nível de privacidade.
Buscando um novo ponto de equilíbrio: proteger a inovação e preservar a liberdade
A posição final de Atkins é: o governo pode usar tecnologias de criptografia para alcançar objetivos de segurança nacional, ao mesmo tempo em que protege os direitos de privacidade dos cidadãos americanos. O ponto-chave é garantir que os cidadãos americanos possam usar essas ferramentas sem serem pré-julgados como suspeitos.
A melhor prática é proteger as atividades legítimas dos cidadãos contra monitoramento em larga escala, ao mesmo tempo em que se dá ao governo a capacidade de executar funções essenciais — essa é a maneira mais eficaz de proteger a segurança nacional, preservar as liberdades civis e deixar espaço para inovação.
Essa discussão sobre blockchain, criptomoedas e regulamentação marca um momento crucial. Como equilibrar avanços tecnológicos e liberdade individual determinará o rumo do ecossistema financeiro no futuro.
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Discurso do presidente da SEC: a regulamentação da blockchain deve buscar um equilíbrio entre proteção de privacidade e supervisão financeira
Em 15 de dezembro de 2024, o presidente da SEC, Paul S. Atkins, discursou na mesa-redonda sobre criptomoedas organizada pela agência, aprofundando-se nas questões de privacidade financeira na era da tecnologia blockchain. Seu argumento central suscitou amplo interesse na indústria: se a direção regulatória estiver incorreta, o ecossistema de criptomoedas pode evoluir para o sistema de monitoramento financeiro mais poderoso de todos os tempos.
A espada de dois gumes do blockchain: o dilema da transparência e privacidade
Atkins destacou que, em comparação com qualquer sistema financeiro tradicional, o blockchain público é mais transparente. Cada transferência de valor é registrada em um livro-razão acessível a todos. Empresas de análise on-chain já conseguem associar efetivamente atividades na cadeia com identidades off-chain.
Essa transparência, que é uma vantagem do blockchain, tornou-se uma ameaça sob a pressão de regulamentações excessivas. Se o governo tratar cada carteira como um corretor, cada trecho de código como uma exchange, e exigir o reporte de cada transação, o ecossistema de criptomoedas se transformará na “olho universal de monitoramento financeiro”.
A crise da realidade: o apetite ilimitado do governo por regulamentação
Na sua fala, Atkins citou a ideia central do livro de Hayek, “O Caminho da Servidão”, criticando a ilusão comum entre os funcionários do governo de que, reunindo pessoas inteligentes e dados suficientes, seria possível encontrar uma solução perfeita: a história mostra que essa abordagem tem efeitos limitados na prática.
As ferramentas regulatórias desenvolvidas pela SEC — como o Sistema de Rastreamento de Auditoria Integrada (CAT), bancos de dados de swaps e formulários PF — inicialmente alegaram proteger investidores e combater fraudes, mas, na prática, expandiram-se continuamente, evoluindo para infraestrutura de monitoramento em larga escala. Atkins admitiu que o desejo do governo por coleta de dados já saiu do controle, e muitas informações coletadas nem sequer são plenamente utilizadas.
Os perigos do aumento do poder regulatório na era digital
Na era analógica, documentos em papel, distâncias físicas e processos manuais limitavam naturalmente a quantidade de informações que o governo podia coletar. Essas limitações, embora inconvenientes para o governo, protegiam a privacidade dos investidores americanos. Mas, na era digital, essas barreiras naturais foram significativamente enfraquecidas.
A emergência do blockchain e das tecnologias de criptografia criou, ao mesmo tempo, a possibilidade de monitoramento mais poderoso da história e ferramentas de proteção de privacidade sem precedentes. Provas de conhecimento zero, divulgação seletiva e carteiras de privacidade permitem que os usuários demonstrem conformidade sem precisar fornecer registros financeiros completos ou dados pessoais às intermediárias ou ao governo.
Equilibrando funcionalidade de mercado e privacidade financeira
Atkins também apontou que a transparência total pode prejudicar gravemente o funcionamento normal dos mercados financeiros. Muitas instituições dependem de abrir posições, testar estratégias e fornecer liquidez de forma que seus concorrentes e traders predatórios não possam detectar instantaneamente.
Se cada ordem, cada hedge, cada ajuste de portfólio for visível em tempo real, o mercado enfrentará problemas como front-running, cópia de estratégias e efeito manada, e os provedores de liquidez e underwriters terão sua atratividade drasticamente reduzida. Isso significa que o desenvolvimento saudável do ecossistema financeiro baseado em blockchain requer algum nível de privacidade.
Buscando um novo ponto de equilíbrio: proteger a inovação e preservar a liberdade
A posição final de Atkins é: o governo pode usar tecnologias de criptografia para alcançar objetivos de segurança nacional, ao mesmo tempo em que protege os direitos de privacidade dos cidadãos americanos. O ponto-chave é garantir que os cidadãos americanos possam usar essas ferramentas sem serem pré-julgados como suspeitos.
A melhor prática é proteger as atividades legítimas dos cidadãos contra monitoramento em larga escala, ao mesmo tempo em que se dá ao governo a capacidade de executar funções essenciais — essa é a maneira mais eficaz de proteger a segurança nacional, preservar as liberdades civis e deixar espaço para inovação.
Essa discussão sobre blockchain, criptomoedas e regulamentação marca um momento crucial. Como equilibrar avanços tecnológicos e liberdade individual determinará o rumo do ecossistema financeiro no futuro.