Os preços do açúcar tiveram uma modesta recuperação na sexta-feira, com o açúcar mundial de março na NY #11 (SBH26) climbing +0.39 cents (+2.68%) and March London ICE white sugar #5 (SWH26) ganhando +10,20 pontos (+2,44%). O rebote ocorreu à medida que os traders cobriam posições vendidas antes do fim de semana de feriado de três dias nos EUA, mas a alta mascara um desafio mais profundo no mercado: um excesso estrutural de oferta que ameaça pesar sobre os preços até 2026.
A Explosão de Oferta de que Ninguém Está a Falar
A verdadeira história não é o pico de sexta-feira—é o surto implacável de produção que está a remodelar os stocks globais de açúcar. Do lado da procura, o USDA projeta que o consumo global humano de 2025-26 atingirá apenas 177,921 milhões de MT. Do lado da oferta? Uma produção impressionante de 189,318 milhões de MT. Essa é uma diferença de 11,4 milhões de MT que tem que ir para algum lado.
A Covrig Analytics acabou de aumentar a sua estimativa de excedente global de açúcar para 2025-26 para 4,7 MMT, de 4,1 MMT em outubro. Entretanto, o rival Czarnikow foi ainda mais pessimista, estimando um excedente de 8,7 MMT—sugerindo que o mercado está a subestimar o acúmulo real de inventário.
Índia e Brasil estão a Inundar o Mercado
A Índia, o segundo maior produtor mundial, está a impulsionar grande parte deste excesso de oferta. A Federação Nacional das Fábricas Cooperativas de Açúcar reportou que a produção da Índia em 2025-26 atingiu 15,9 MMT até meados de janeiro, um aumento de +21% em relação ao ano anterior. A Associação de Engenhos de Açúcar da Índia espera que a produção da temporada completa atinja 31 MMT, um salto de +18,8% em relação ao ano anterior.
O que é pior para os preços: a Índia está a exportar de forma agressiva. O governo aprovou 1,5 MMT de exportações de açúcar para 2025-26, e o secretário de alimentos sinalizou que a porta poderia abrir-se ainda mais para aliviar os excedentes internos. A conversão de etanol em açúcar na Índia também está a ser reduzida—a ISMA cortou a sua estimativa de procura de etanol de 5 MMT para 3,4 MMT, libertando mais açúcar para exportação.
O Brasil também não ajuda. A Conab aumentou a sua previsão de produção para 2025-26 para 45 MMT, enquanto o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA estimou um recorde de 44,7 MMT. Isso representa um aumento de +2,3% em relação ao ano anterior, apesar de preocupações anteriores sobre atrasos na moagem. A proporção de cana desviada para açúcar (não etanol) atingiu 50,91% em 2025-26, contra 48,19% em 2024-25—um sinal de que os engenhos estão a otimizar para volume de açúcar, não para produção de combustível.
Os dados da Unica mostraram que a região Centro-Sul do Brasil produziu 40,158 MMT até meados de dezembro, um aumento de +0,9% em relação ao ano anterior, com mais moagem prevista nas últimas semanas da temporada.
Tailândia Junta-se à Parada de Baixistas
A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador, não está a aliviar a pressão. A Thai Sugar Millers Corp projeta que a produção de 2025-26 vai subir +5% em relação ao ano anterior, para 10,5 MMT. A FAS do USDA prevê um aumento de +2% em relação ao ano anterior, para 10,25 MMT. De qualquer forma, mais açúcar tailandês está a entrar nos mercados globais.
A Organização Internacional do Açúcar comentou em 17 de novembro, prevendo um excedente de 1,625 milhões de MT em 2025-26, após um défice de 2,916 milhões de MT em 2024-25. A ISO atribuiu a mudança ao aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão—todos a competir pela quota de exportação.
A Armadilha dos Stocks de Açúcar: Inventários Crescentes, Preços a Cair
À medida que os stocks de açúcar se acumulam globalmente, a matemática torna-se inevitável. O USDA projeta que os stocks finais globais de 2025-26 vão cair apenas -2,9% em relação ao ano anterior, para 41,188 MMT—o que significa que os stocks permanecem elevados apesar do consumo recorde. Essa é a armadilha: o crescimento da produção está a superar o crescimento do consumo, forçando os inventários a aumentarem.
O relatório de Compromisso de Traders de sexta-feira mostrou que os fundos detinham um recorde de 48.203 posições líquidas longas em futuros de açúcar branco na ICE de Londres na última semana, um aumento de 4.544 em relação à semana anterior (dados de 2011). Essa é uma posição perigosamente congestionada antes de um mercado superabastecido—uma receita para reversões acentuadas se o sentimento mudar.
Quando Vai Isto Acabar?
A Covrig Analytics oferece um vislumbre: o excedente de 2026-27 está projetado para encolher para apenas 1,4 MMT, à medida que os preços fracos desencorajam o plantio. A Safras & Mercado espera que a produção do Brasil em 2026-27 caia -3,91%, para 41,8 MMT, com as exportações a diminuir -11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT.
Por agora, porém, os stocks de açúcar continuam a ser o fardo do mercado. Enquanto os traders cobriram posições vendidas antes do feriado de segunda-feira, os ventos contrários estruturais—produção recorde, inventários em alta e pressões competitivas de exportação—sugerem que o rebote é tático, não estratégico. Até que os stocks globais de açúcar comecem a diminuir visivelmente, os preços terão dificuldades em ganhar tração sustentada.
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Os stocks globais de açúcar aumentam à medida que os produtores inundam o mercado com uma produção recorde
Os preços do açúcar tiveram uma modesta recuperação na sexta-feira, com o açúcar mundial de março na NY #11 (SBH26) climbing +0.39 cents (+2.68%) and March London ICE white sugar #5 (SWH26) ganhando +10,20 pontos (+2,44%). O rebote ocorreu à medida que os traders cobriam posições vendidas antes do fim de semana de feriado de três dias nos EUA, mas a alta mascara um desafio mais profundo no mercado: um excesso estrutural de oferta que ameaça pesar sobre os preços até 2026.
A Explosão de Oferta de que Ninguém Está a Falar
A verdadeira história não é o pico de sexta-feira—é o surto implacável de produção que está a remodelar os stocks globais de açúcar. Do lado da procura, o USDA projeta que o consumo global humano de 2025-26 atingirá apenas 177,921 milhões de MT. Do lado da oferta? Uma produção impressionante de 189,318 milhões de MT. Essa é uma diferença de 11,4 milhões de MT que tem que ir para algum lado.
A Covrig Analytics acabou de aumentar a sua estimativa de excedente global de açúcar para 2025-26 para 4,7 MMT, de 4,1 MMT em outubro. Entretanto, o rival Czarnikow foi ainda mais pessimista, estimando um excedente de 8,7 MMT—sugerindo que o mercado está a subestimar o acúmulo real de inventário.
Índia e Brasil estão a Inundar o Mercado
A Índia, o segundo maior produtor mundial, está a impulsionar grande parte deste excesso de oferta. A Federação Nacional das Fábricas Cooperativas de Açúcar reportou que a produção da Índia em 2025-26 atingiu 15,9 MMT até meados de janeiro, um aumento de +21% em relação ao ano anterior. A Associação de Engenhos de Açúcar da Índia espera que a produção da temporada completa atinja 31 MMT, um salto de +18,8% em relação ao ano anterior.
O que é pior para os preços: a Índia está a exportar de forma agressiva. O governo aprovou 1,5 MMT de exportações de açúcar para 2025-26, e o secretário de alimentos sinalizou que a porta poderia abrir-se ainda mais para aliviar os excedentes internos. A conversão de etanol em açúcar na Índia também está a ser reduzida—a ISMA cortou a sua estimativa de procura de etanol de 5 MMT para 3,4 MMT, libertando mais açúcar para exportação.
O Brasil também não ajuda. A Conab aumentou a sua previsão de produção para 2025-26 para 45 MMT, enquanto o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA estimou um recorde de 44,7 MMT. Isso representa um aumento de +2,3% em relação ao ano anterior, apesar de preocupações anteriores sobre atrasos na moagem. A proporção de cana desviada para açúcar (não etanol) atingiu 50,91% em 2025-26, contra 48,19% em 2024-25—um sinal de que os engenhos estão a otimizar para volume de açúcar, não para produção de combustível.
Os dados da Unica mostraram que a região Centro-Sul do Brasil produziu 40,158 MMT até meados de dezembro, um aumento de +0,9% em relação ao ano anterior, com mais moagem prevista nas últimas semanas da temporada.
Tailândia Junta-se à Parada de Baixistas
A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador, não está a aliviar a pressão. A Thai Sugar Millers Corp projeta que a produção de 2025-26 vai subir +5% em relação ao ano anterior, para 10,5 MMT. A FAS do USDA prevê um aumento de +2% em relação ao ano anterior, para 10,25 MMT. De qualquer forma, mais açúcar tailandês está a entrar nos mercados globais.
A Organização Internacional do Açúcar comentou em 17 de novembro, prevendo um excedente de 1,625 milhões de MT em 2025-26, após um défice de 2,916 milhões de MT em 2024-25. A ISO atribuiu a mudança ao aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão—todos a competir pela quota de exportação.
A Armadilha dos Stocks de Açúcar: Inventários Crescentes, Preços a Cair
À medida que os stocks de açúcar se acumulam globalmente, a matemática torna-se inevitável. O USDA projeta que os stocks finais globais de 2025-26 vão cair apenas -2,9% em relação ao ano anterior, para 41,188 MMT—o que significa que os stocks permanecem elevados apesar do consumo recorde. Essa é a armadilha: o crescimento da produção está a superar o crescimento do consumo, forçando os inventários a aumentarem.
O relatório de Compromisso de Traders de sexta-feira mostrou que os fundos detinham um recorde de 48.203 posições líquidas longas em futuros de açúcar branco na ICE de Londres na última semana, um aumento de 4.544 em relação à semana anterior (dados de 2011). Essa é uma posição perigosamente congestionada antes de um mercado superabastecido—uma receita para reversões acentuadas se o sentimento mudar.
Quando Vai Isto Acabar?
A Covrig Analytics oferece um vislumbre: o excedente de 2026-27 está projetado para encolher para apenas 1,4 MMT, à medida que os preços fracos desencorajam o plantio. A Safras & Mercado espera que a produção do Brasil em 2026-27 caia -3,91%, para 41,8 MMT, com as exportações a diminuir -11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT.
Por agora, porém, os stocks de açúcar continuam a ser o fardo do mercado. Enquanto os traders cobriram posições vendidas antes do feriado de segunda-feira, os ventos contrários estruturais—produção recorde, inventários em alta e pressões competitivas de exportação—sugerem que o rebote é tático, não estratégico. Até que os stocks globais de açúcar comecem a diminuir visivelmente, os preços terão dificuldades em ganhar tração sustentada.