「Nova opção de reservas em moeda estrangeira?」VanEck prevê que o Bitcoin atingirá 2,9 milhões de dólares em 2050

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A gigante da gestão de ativos VanEck publicou recentemente um relatório de pesquisa que aponta que, se o Bitcoin conseguir transformar-se com sucesso num papel-chave no sistema financeiro global nos próximos 25 anos, até 2050 o seu valor pode atingir 2,9 milhões de dólares. O núcleo desta previsão baseia-se numa questão fundamental: se os bancos centrais de vários países começarem a alocar gradualmente uma parte das suas reservas de divisas ao Bitcoin, e se o Bitcoin se tornar uma ferramenta de liquidação para o comércio transfronteiriço, qual será realmente o seu valor?

O relatório, escrito em conjunto por Matthew Sigel, diretor de pesquisa de ativos digitais da VanEck, e pelo analista sénior Patrick Bush, não é uma simples previsão de preços, mas sim uma avaliação através de um modelo de valuation baseado na “Cenário Base”. Este modelo prevê que o retorno anualizado do Bitcoin manter-se-á em torno de 15% no futuro, o que implica que, do atual valor de $89.940 (em janeiro de 2026) até aos 2,9 milhões de dólares em 2050, existe uma lógica de avaliação de longo prazo fundamentada em cenários de aplicação específicos.

Uma nova perspetiva para a alocação de reservas de divisas pelos bancos centrais

Para compreender por que a previsão da VanEck foca na alocação de reservas de divisas, é necessário entender o conceito de reservas cambiais. As reservas cambiais são ativos em moeda estrangeira detidos pelos bancos centrais, utilizados para manter a estabilidade cambial, responder a crises de balanço de pagamentos e sustentar a credibilidade da moeda nacional. Tradicionalmente, os bancos centrais detêm reservas em dólares, euros e outras moedas soberanas, mas, com a evolução do panorama financeiro global, começaram a considerar estratégias de diversificação de risco e redução da dependência de uma única moeda soberana.

O relatório da VanEck sugere que, se alguns bancos centrais começarem a alocar uma pequena proporção das suas reservas de divisas ao Bitcoin, com base nestas considerações, isso poderá tornar-se um dos principais impulsionadores do aumento do valor do Bitcoin. No entanto, o relatório também admite que, atualmente, nenhum banco central oficial considera o Bitcoin como ativo de reserva oficial, sendo que esta mudança ainda requer um quadro regulatório mais maduro e consenso internacional.

Liquidação de comércio e ativos de reserva — duas grandes premissas para a evolução do Bitcoin

O modelo de avaliação da VanEck assenta em duas hipóteses centrais. A primeira, de que o Bitcoin se tornará progressivamente um “ativo de liquidação de comércio global”, eventualmente representando entre 5% e 10% do volume de liquidação mundial; a segunda, de que os bancos centrais poderão, por motivos de diversificação de risco, começar a alocar parte das suas reservas de divisas ao Bitcoin.

Contudo, a VanEck também destaca que estas hipóteses ainda estão longe da realidade atual. O Bitcoin representa atualmente uma fracção insignificante na liquidação de comércio global, e as reservas cambiais dos bancos centrais continuam predominantemente em moedas soberanas tradicionais. Para que esta mudança aconteça, três fatores principais são essenciais: clarificação do ambiente regulatório, melhoria da infraestrutura de pagamentos e aceitação política dos ativos digitais. Estes fatores ainda não estão totalmente desenvolvidos.

Volatilidade de longo prazo, mas crescente importância estrutural

Apesar do otimismo, a VanEck alerta que o caminho para os 2,9 milhões de dólares não será fácil. A previsão é que a volatilidade anual de longo prazo do Bitcoin permaneça entre 40% e 70%, mais próxima de um “mercado fronteiriço” (com menor maturidade do que mercados financeiros tradicionais), do que de um ativo financeiro maduro e estável.

É importante notar que, mesmo no cenário mais conservador de “mercado em baixa” (Bear Case), a VanEck prevê que o Bitcoin continuará a crescer de forma positiva. A resiliência, segundo o relatório, advém do aumento contínuo da “importância estrutural” do Bitcoin no sistema financeiro global. Do ponto de vista macroeconómico, a correlação entre o preço do Bitcoin e as mudanças na liquidez global é, na verdade, superior à correlação com ações ou commodities tradicionais. Isto sugere que a relação entre o Bitcoin e a oferta monetária ampla está a emergir, enquanto a sua ligação ao movimento do dólar americano está a enfraquecer-se progressivamente.

Oportunidades de Bitcoin numa carteira diversificada

Na prática de alocação de ativos, a análise da VanEck indica que incluir entre 1% e 3% de Bitcoin numa carteira diversificada pode melhorar significativamente o retorno ajustado ao risco. Isto não significa que o Bitcoin seja um ativo de baixo risco — pelo contrário, a sua elevada volatilidade é bem conhecida —, mas sim que, com uma proporção limitada, mesmo oscilações acentuadas não irão proporcionalmente aumentar o risco global do portefólio.

Resumindo, o relatório da VanEck, embora projete uma visão de longo prazo ambiciosa para o Bitcoin, também reconhece honestamente as condições e desafios necessários para alcançar essa visão. Desde à disposição dos bancos centrais de alocar ativos digitais nas reservas cambiais, até à adoção do Bitcoin como ferramenta de liquidação no comércio global, tudo dependerá da evolução futura do ambiente regulatório, tecnológico e político. Para os investidores, compreender estas premissas é mais importante do que simplesmente acreditar na meta de 2,9 milhões de dólares.

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