Halving e teoria da mineração: evolução do poder de fixação de preços dos mineiros na retrospectiva de cinco anos

Do ponto de vista da teoria da mineração do mercado de Bitcoin, precisamos compreender um fato simples, mas que tem sido negligenciado a longo prazo: a influência dos mineiros no preço do Bitcoin não decorre de sua capacidade de mineração em si, mas sim das regras básicas do funcionamento da economia de mercado. Este artigo, ao revisitar os dados-chave antes e depois do halving de 2020, e considerando o cenário atual de janeiro de 2026, com o preço do BTC em 90.200 dólares, aprofunda a interpretação do papel real dos mineiros na formação do poder de precificação do Bitcoin.

Fundamentos econômicos da teoria da mineração: do custo à equilibração de mercado

A cadeia de mineração de Bitcoin é composta por upstream de mineradores individuais, fazendas de mineração, pools e fabricantes de hardware. Para entender a teoria da mineração, é fundamental compreender a composição real da receita dos mineiros.

A receita dos mineiros consiste em duas partes: recompensa de bloco e taxas de transação. No modo FPPS (pagamento por participação total), os mineiros recebem ambas as partes; no modo PPS (pagamento por participação), apenas a recompensa de bloco. As taxas de transação variam dinamicamente com a congestão da rede, o que significa que, quando o halving reduz a recompensa de bloco, a dependência dos mineiros em relação às taxas aumenta significativamente.

De uma perspectiva macro, o mercado de mineração é um sistema autorregulado. Quando a receita dos equipamentos não cobre os custos de energia, os mineiros são forçados a desligar ou vender seus equipamentos; quando a rentabilidade melhora, novos mineiros entram no mercado. Esse mecanismo de equilíbrio determina que não há uma crise de mineração de longo prazo. Contudo, isso também coloca o destino de toda a indústria nas mãos de uma força invisível — os fabricantes de hardware.

A dura realidade do ponto de equilíbrio: comparação do espaço de sobrevivência dos equipamentos antes e depois do halving

O halving de 11 de maio de 2020 fornece um exemplo perfeito para testar a aplicação prática da teoria da mineração.

Segundo pesquisa da Blockware, na época, a indústria de mineração era composta por 38,65% de S17 e 61,38% de S9. Com um custo de energia de 0,052 dólares por kWh, observamos destinos bastante distintos:

  • S19 (modelo mais avançado): ponto de equilíbrio antes do halving a US$ 3.860, após o halving permanece em US$ 3.860 — impacto mínimo
  • S9 (modelo antigo): ponto de equilíbrio antes do redução a US$ 6.672, após o halving dispara para US$ 10.453 — perda direta

Com a configuração da indústria na época, a média ponderada do ponto de equilíbrio de toda a rede subiu de US$ 3.863 para US$ 7.272. Isso não é uma simples mudança numérica, mas uma sentença de morte para os mineiros menos eficientes.

No instante do halving, o preço do Bitcoin estava em torno de US$ 8.800. Com a nova mecânica de recompensa, a receita equivalente ao prêmio de bloco era de US$ 4.400 — o que remete ao intervalo de preço de março de 2020 (US$ 3.900-5.300), quando a hash rate total caiu de 120 EH/s para 95 EH/s.

Durante esse processo, a dificuldade de mineração caiu de 16,55T para 13,913T. Os dados on-chain da Glassnode documentam claramente essa autorregulação de mercado.

O enigma do preço com oferta inelástica: por que o halving não é o principal fator de alta

Sobre se o halving impulsiona o preço do Bitcoin, há duas visões de longo prazo no mercado. A mais popular é o modelo Stock-to-Flow (S2F), que avalia a escassez do ativo com base na relação entre estoque e produção anual. Teoricamente, após o halving, o S2F aumenta, o que deveria elevar o preço.

Porém, ao aplicar a teoria da mineração e a economia básica, encontramos uma falha fatal no modelo S2F:

A oferta inelástica determina que a demanda seja o principal fator de preço. Como a emissão total do Bitcoin é fixa em 21 milhões, os mineradores não podem acelerar a mineração como os ouro-miners em resposta a altas de preço. Nesse mercado de oferta inelástica, segundo princípios econômicos básicos, o principal determinante do preço é a demanda, não a oferta.

Outro problema do S2F é o atraso temporal. A última redução de halving ocorreu em julho de 2016, mas o preço do Bitcoin só atingiu a avaliação prevista pelo modelo em final de 2017 — um intervalo de 1,5 ano. Essa discrepância de longo prazo indica que a mudança na oferta não é o motor direto das oscilações de preço.

Mais importante, o halving é uma informação transparente e previsível. Segundo a hipótese do mercado eficiente, eventos assim já deveriam estar precificados. Contudo, os dados reais mostram que a reação do mercado ao halving ocorre mais na fase de “confirmação do evento” do que na expectativa prévia.

A dominação invisível dos fabricantes de hardware: a verdadeira batalha por preço

Para entender a aplicação real da teoria da mineração, é preciso reconhecer um fato muitas vezes negligenciado: quem realmente detém o poder de precificação não são os mineiros, mas os fabricantes de hardware.

A estratégia dos mineiros pode ser interpretada em quatro dimensões:

Dimensão 1: Dualidade na sensibilidade ao preço
Oscilações de curto prazo não alteram significativamente as decisões operacionais. Apenas quando o preço do Bitcoin se mantém elevado por longo prazo, os mineiros conseguem manter a rentabilidade. Flutuações momentâneas não impactam drasticamente o setor.

Dimensão 2: Mecanismos de buffer de liquidez
Muitos mineiros acumulam Bitcoin, formando uma reserva. Além disso, o mercado de empréstimos com garantia em Bitcoin oferece liquidez, permitindo que eles suportem períodos difíceis.

Dimensão 3: Pool de mineração e custódia — o resultado final
Independentemente de os mineiros usarem pools ou venderem para operadores de hospedagem, o controle do setor está nas mãos dos fabricantes de hardware. Em mercados de alta, eles definem preços; em baixa, mesmo com demanda menor, permanecem vencedores.

Dimensão 4: Contratos de energia de longo prazo
Algumas fazendas usam equipamentos antigos e novos simultaneamente, para cumprir contratos de energia de longo prazo, o que impede desligamentos rápidos.

Com base nessas dimensões, podemos concluir que o impacto do halving nos mineiros segue uma lógica:

  1. Mineiros aumentam liquidez via staking ou venda, mitigando o impacto do halving
  2. Mineiros capazes realizam upgrades de hardware, enquanto pequenos mineiros vendem para manter operações
  3. Mineiros eficientes atualizam equipamentos, enquanto os menos eficientes saem do mercado por aumento de custos
  4. Os mineiros eficientes redistribuem a hash rate, iniciando um novo ciclo de mercado

Esse processo não é instantâneo, mas uma longa filtragem. Mineiros menos eficientes, sob pressão de liquidez, são forçados a sair — mesmo que ainda tenham esperança de recuperar o investimento após a redução de hash. Mas só saindo é que a capacidade de mineração realmente diminui.

Dinâmica de mercado: mecanismo versus realidade de preço

O halving mais demonstra que o mecanismo do Bitcoin funciona conforme o planejado.

Do ponto de vista dos fundamentos do mercado secundário, o preço do Bitcoin é definido por oferta e demanda, sendo que o fluxo líquido de entrada ou saída é o fator mais direto. O evento do halving gera aumento de atenção, elevando o índice de buscas e, assim, o interesse do mercado.

Acreditamos que o principal efeito do halving no preço do Bitcoin é:

  1. Prova de confiabilidade do mecanismo: confirma que o sistema monetário do Bitcoin, cuidadosamente projetado, funciona conforme o planejado, fortalecendo a confiança de longo prazo
  2. Impulso de interesse de mercado: maior atenção leva a maior fluxo líquido, elevando o preço no curto prazo
  3. Mudança de sentimento dos participantes: o halving costuma ser um ponto de inflexão, atraindo novos investidores

Hoje, em janeiro de 2026, o BTC está em US$ 90.200. Analisando os cinco anos anteriores, vemos um mercado que se autorregula: os mineiros menos eficientes saem, a concentração de hash dos eficientes aumenta, e a estrutura de custos da indústria se otimiza continuamente. Esse processo não é causado diretamente pelo halving, mas pela autoequilíbrio fundamental da teoria da mineração.

A estratégia inteligente dos mineiros: como o estoque reflete a demanda

A venda de Bitcoin pelos mineiros geralmente ocorre via exchanges. Segundo dados da CoinDesk, de janeiro de 2017 a janeiro de 2020, mais de um quarto de todos os BTC recebidos por exchanges veio de pools de mineração — indicando que mineiros precisam gerenciar cuidadosamente seus ciclos de venda, pois suas ações podem desencadear reações em cadeia no mercado.

Na prática, a teoria da mineração se manifesta na estratégia de gerenciamento de estoque dos mineiros:

  • Acumulação em baixa: durante mercados em baixa, mineiros tendem a acumular Bitcoin
  • Desmobilização em alta: na fase de alta, vendem gradualmente para converter em moeda fiduciária

Essa não é uma decisão passiva, mas uma adaptação ativa e inteligente ao mercado.

Dados on-chain do ByteTree mostram um exemplo vivo: em 3 de junho de 2020, durante o horário de negociação nos EUA, o preço do Bitcoin caiu de US$ 10.137 para US$ 9.298 em 5 minutos — uma queda de 8%. Ainda assim, os mineiros continuaram vendendo: naquele dia, mineraram 844 BTC, mas venderam 920 BTC, levando o índice MRI a mais de 100%.

O que isso indica? Os mineiros acreditam que o mercado ainda é sustentado, com perspectivas otimistas. O indicador MRI alto reflete forte demanda de mercado.

Analisando o estoque de BTC não vendido pelos mineiros de janeiro de 2009 a janeiro de 2020, o pico ocorreu em 11 de março de 2011, com 2.593.051 BTC não vendidos acumulados. Nos anos seguintes, esse estoque foi diminuindo, refletindo a facilidade de mineração inicial e a subsequente consolidação. Esses dados de longo prazo mostram que o comportamento dos mineiros, como grupo, é altamente previsível dentro da teoria da mineração.

Reflexões finais sob a ótica da indústria

Ao consolidar a análise completa da teoria da mineração, percebemos que, no início, os mineiros realmente tinham influência significativa na precificação. Mas, à medida que o valor de mercado do Bitcoin cresce, fatores externos — como maior atividade no mercado secundário, entrada de capital institucional e mudanças regulatórias — passam a desempenhar papel mais relevante.

Ao comparar o halving de 2020 com a situação de 2026, fica claro que a beleza da teoria da mineração reside na sua capacidade de explicar o equilíbrio de longo prazo: ajustando dificuldade, modificando recompensas, o sistema garante uma autorregulação. Os mineiros não são apenas passivos diante do preço, mas atores que, por suas decisões — de upgrade, de estoque, de desligamento — impulsionam a evolução do mercado para um estado mais eficiente. Essa é a força da teoria da mineração na prática: não predição de preços, mas compreensão racional do funcionamento do mercado e do papel de cada participante na sua evolução.

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