Acabei de acompanhar uma conversa bem interessante com Bo Hines, CEO da Tether USAT, e tem coisa importante aí sobre o futuro dos stablecoins nos EUA. O cara trabalhou na Casa Branca ajudando a desenhar a política de criptomoedas americana, então sabe do que fala.



Primeiro, o contexto: passaram o Genius Act em julho do ano passado, o que abriu as portas para regulamentação adequada de stablecoins. Agora estão focados no Clarity Act, que Bo acredita ter 80 a 90% de chance de passar. Segundo ele, é o último pedaço do quebra-cabeça. A galera tá discutindo muito sobre rendimentos, mas Bo tem um ponto interessante: não é disputa de rendimento, é disputa de experiência do usuário mesmo. Os bancos estão percebendo que stablecoins são realidade, e a integração tá começando.

Sobre o USAT especificamente: a Tether lançou esse produto como um stablecoin americano que segue os padrões do Genius Act, voltado para instituições. Tem 530 milhões de usuários globais, crescendo 30 milhões por trimestre. Lucro de US$ 10 bilhões em 2025 com apenas 300 funcionários. Sim, a Tether é também o 13º maior detentor de ouro do mundo e o 17º maior detentor de títulos do Tesouro dos EUA.

Agora, o que é usdt? É a versão internacional, emitida pela Tether. Já o USAT é emitido pela Anchory Digital Bank, um banco americano totalmente regulado. As reservas são separadas, mas a ideia é que os usuários sintam uma experiência contínua entre os dois. Basicamente, é o mesmo conceito, mas com estrutura regulatória diferente.

O ponto que achei mais relevante: transferências nos EUA ainda são ineficientes. Os canais de pagamento americanos são 95% mais caros que o resto do mundo, com limitações de horário. Stablecoins mudam isso completamente. Você passa de T+2 ou T+1 para T+0 na liquidação. Bancos na Coreia do Sul conseguem participar dos mercados financeiros americanos na sexta à noite. Para remessas internacionais, imagina pagar salário direto em stablecoin, com 10% automaticamente indo para América Latina.

A Tether tá desenvolvendo o WDK (Wallet Development Kit) porque acreditam que nos próximos 5 a 10 anos vai ter uma grande integração de blockchains públicas e stablecoins. Querem controlar os canais de entrada dos clientes e empacotar serviços financeiros nos wallets.

Sobre Bitcoin: a Tether é maximalista mesmo. Bitcoin faz parte das reservas deles, estão envolvidos em mineração, negociação e construção do ecossistema. Veem stablecoins como porta de entrada — as pessoas começam com transferências em cadeia, depois migram para Bitcoin como principal ativo de investimento. Com a Lei Genius popularizando stablecoins, a adoção em massa tá começando de verdade.

O que me chamou atenção é que Bo vê privacidade como o grande desafio futuro. Os usuários querem, mas precisa atender regulação. Balancear tecnologia com proteção de dados vai ser tema importante nos próximos anos.

Basicamente, o que tá acontecendo é uma transformação na infraestrutura financeira americana através de stablecoins. Não é só sobre moeda digital, é sobre reduzir custos, acelerar liquidação e abrir mercados. Tether e o USAT estão posicionados bem no meio dessa mudança.
USAT-0,01%
BTC0,16%
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
  • Recompensa
  • Comentar
  • Republicar
  • Partilhar
Comentar
Adicionar um comentário
Adicionar um comentário
Nenhum comentário
  • Fixar