Congresso "pressiona", ao atingir o prazo de 60 dias, altos funcionários dos EUA afirmam que as ações hostis contra o Irã terminaram



Apesar de altos funcionários do governo Trump afirmarem que as "ações hostis terminaram", o bloqueio dos EUA ao Estreito de Hormuz ainda não cessou, e o secretário de Defesa chegou a ameaçar continuar as ações sem autorização do Congresso...

Dentro do governo dos EUA, a questão da autorização legal para o conflito com o Irã está se tornando cada vez mais acalorada. Segundo a CCTV News, na terça-feira, 30 de abril, um alto funcionário do governo dos EUA, que pediu para não ser identificado, afirmou que, de acordo com a Lei de Poderes de Guerra, "as ações hostis iniciadas em 28 de fevereiro terminaram".

O funcionário afirmou que o cessar-fogo de duas semanas alcançado entre os EUA e o Irã em 7 de abril foi prorrogado, e que "desde 7 de abril, não houve confrontos entre as forças americanas e iranianas".

No momento em que essas declarações foram feitas, faltava menos de um mês para o prazo final de 1º de maio de 60 dias. De acordo com a Resolução de Guerra de 1973, a menos que o Congresso declare guerra formalmente ou aprove uma autorização, o presidente deve cessar gradualmente o uso da força dentro de 60 dias após o envolvimento em um conflito, com uma margem de 30 dias para retirada das tropas. Desde que os EUA e Israel começaram a atacar o Irã em 28 de fevereiro, até sexta-feira, exatamente 60 dias se passaram desde que Trump notificou o Congresso sobre a ação militar.

Em 8 de abril, sob mediação do Paquistão, ambos os lados anunciaram um cessar-fogo, seguido de negociações em Islamabad, mas sem acordo. A pedido do Paquistão, Trump posteriormente prorrogou unilateralmente o cessar-fogo, sem estabelecer um novo prazo. Ao mesmo tempo, Trump continuou a impor bloqueios às embarcações iranianas no Estreito de Hormuz, uma via que transporta um quinto do petróleo mundial.

Alguns membros do Partido Republicano desafiam o poder do presidente

Com o conflito chegando ao terceiro mês, os preços do petróleo continuam a subir devido à incerteza da situação, e a pressão sobre o governo Trump aumenta. Alguns republicanos começaram a desafiar diretamente o poder do presidente de continuar a conduzir esse conflito cada vez mais impopular.

O senador republicano de Utah, John Curtis, já na quinta-feira, pediu aos colegas que utilizassem a Resolução de Guerra. Ele afirmou: "Com o prazo de 60 dias se aproximando, tanto o governo quanto o Congresso precisam tomar uma decisão." Ele também disse estar em "discussões aprofundadas" com colegas do Senado e a Casa Branca, tentando encontrar uma "caminho que respeite as funções constitucionais de cada um".

Curtis enfatizou que o poder de Trump como comandante-em-chefe "não é ilimitado", e destacou que "a Constituição confere ao Congresso um papel central na decisão sobre guerra e paz, e a Resolução de Guerra estabelece uma linha vermelha clara de 60 dias, exigindo que o Congresso aprove formalmente ou encerre o envolvimento dos EUA em ações hostis no exterior."

No mesmo dia, o senador republicano de Kentucky, Rand Paul, e a senadora republicana de Maine, Susan Collins, também decidiram romper as barreiras partidárias, votando junto com todos os demais senadores democratas, exceto um, a favor de uma resolução que exige a retirada das forças americanas do conflito com o Irã. A proposta acabou não passando no Senado controlado pelos republicanos. Curtis votou contra a resolução, mas expressou preocupações claras sobre os poderes do presidente.

O secretário de Defesa afirma que a guerra já foi suspensa

No entanto, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, apresentou na quinta-feira uma defesa central do governo aos senadores: o governo não precisa de autorização do Congresso para continuar o conflito, pois o acordo de cessar-fogo suspendeu o prazo de 60 dias. Ele disse ao Comitê de Serviços Armados do Senado: "No que diz respeito ao Irã, no final, ouvirei a Casa Branca e seus conselheiros jurídicos. Mas, neste momento, estamos em um estado de cessar-fogo, e, pelo nosso entendimento, isso significa que o relógio de 60 dias foi suspenso ou parado durante o cessar-fogo."

Essa posição foi duramente questionada por senadores democratas. O membro do Comitê de Serviços Armados, Richard Blumenthal, disse a repórteres que o governo parece decidido a "violar ilegalmente e de forma extremamente imprudente a linha de 60 dias."

Por outro lado, a Casa Branca defendeu o poder do presidente e criticou os questionadores. Segundo relatos da mídia estrangeira, um funcionário da Casa Branca revelou que o governo está "mantendo um diálogo ativo com o Congresso sobre esse tema", mas afirmou que "alguns membros do Congresso tentam usurpar o poder de comandante-em-chefe para obter ganhos políticos, o que só enfraquece a capacidade das forças americanas no exterior, e nenhum funcionário eleito deveria fazer isso."

A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, declarou: "Antes do início da 'Operação Fúria Épica', o presidente Trump manteve total transparência com o Congresso. Os funcionários do governo forneceram mais de 30 briefings bipartidários para garantir que os membros estejam sempre atualizados sobre os desenvolvimentos militares." Ela acrescentou: "A prioridade do presidente sempre foi a diplomacia, e o Irã também deseja chegar a um acordo."

Apesar de algumas vozes discordantes, a maioria dos republicanos ainda reluta em desafiar abertamente os poderes legais de Trump. O membro do Comitê de Serviços Armados do Senado, Mike Rounds, disse a repórteres que precisa analisar mais a legislação sobre o prazo de 60 dias, mas, por ora, "não vai contestar a visão de Lloyd Austin." O senador republicano da Flórida, Rick Scott, afirmou claramente: "O presidente tem o direito de usar as forças armadas para defender a liberdade deste país."
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