O Supremo Tribunal da Coreia do Sul recentemente emitiu uma decisão importante sobre a classificação legal das criptomoedas, esclarecendo que o Bitcoin armazenado em contas de exchanges de criptomoedas constitui um ativo passível de apreensão e confisco de acordo com o processo criminal. Esta decisão não só responde a uma controvérsia de longa data, mas também fornece um importante parâmetro de referência para investigações, julgamentos e legislação futura.
Caso de lavagem de dinheiro gera debate: a polícia pode apreender Bitcoin avaliado em 6 bilhões de won coreanos?
O jornal Chosun Ilbo reporta que a decisão na Coreia do Sul decorre de uma investigação de lavagem de dinheiro. Em janeiro de 2020, a polícia apreendeu 55,6 Bitcoins de um indivíduo suspeito de lavagem de dinheiro, em sua conta na exchange, com um valor de mercado na época de aproximadamente 6 bilhões de won coreanos (cerca de 41,1 mil dólares), valor que posteriormente aumentou para 7,37 bilhões de won (cerca de 5,05 milhões de dólares).
O Sr. A apresentou então uma objeção, alegando que o Artigo 106 da Lei de Processo Penal permite apenas a apreensão de “bens tangíveis”, e que Bitcoin é apenas informação digital, não estando dentro do escopo de bens apreensíveis, solicitando a revogação da apreensão. Essa alegação foi inicialmente rejeitada pelo tribunal de primeira instância e posteriormente pelo tribunal superior, levando o caso ao Supremo Tribunal da Coreia do Sul.
Decisão do Supremo Tribunal: Informação eletrônica também está sujeita à apreensão
Na sentença, o Supremo Tribunal afirmou claramente: “O objeto de apreensão sob a Lei de Processo Penal não se limita a bens tangíveis, incluindo também informações eletrônicas com natureza patrimonial.”
O tribunal entende que o Bitcoin, como uma moeda digital gerenciável e negociável, que possui valor econômico substancial, atende aos requisitos para apreensão. Mesmo que os ativos estejam armazenados em uma exchange, desde que possam ser controlados efetivamente pelo proprietário por meio de chaves privadas, eles podem ser objeto de apreensão por parte do tribunal e das autoridades de investigação.
Esta decisão também é vista como uma extensão e complemento da definição jurídica existente. Desde 2018, o Supremo Tribunal já reconhecia que o Bitcoin é uma propriedade intangível com valor econômico, passível de confisco em contextos criminosos; em 2021, confirmou ainda que o Bitcoin constitui um interesse patrimonial reconhecível sob o direito penal.
Este caso marca a primeira vez que a apreensão de ativos criptográficos “em contas de exchange” foi tratada de forma clara, preenchendo uma lacuna prática e ajudando a reduzir controvérsias entre aplicação da lei e prática judicial, além de influenciar futuras legislações e investigações relacionadas.
Coreia do Sul reforça silenciosamente a regulamentação de criptomoedas: intensifica controle sobre novos VASP
Vale destacar que, recentemente, a postura regulatória da Coreia do Sul em relação às criptomoedas parece estar se tornando mais conservadora. Por um lado, o FIU (Financial Intelligence Unit) tem relaxado a análise de novos provedores de serviços de ativos virtuais (VASP), com uma redução notável no número de aprovações e aumento no tempo de análise, formando uma barreira de entrada.
Por outro lado, para as exchanges já estabelecidas, as autoridades reguladoras adotam uma abordagem de “multar primeiro, liberar depois”, usando multas elevadas e processos de correção para atualizar licenças, indicando que o foco da regulação na Coreia do Sul está se intensificando na gestão de riscos.
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Convergência de tendências internacionais: ativos digitais sendo incorporados ao sistema jurídico tradicional
Nos últimos anos, vários países têm, por meio de jurisprudência ou legislação, incorporado formalmente os ativos digitais na definição de propriedade. Por exemplo, o Reino Unido aprovou recentemente uma legislação que reconhece explicitamente os ativos digitais como propriedade, aplicável em casos de roubo, herança e falência.
Diante do aumento de crimes envolvendo criptomoedas e do fortalecimento da regulamentação, a decisão do Supremo Tribunal da Coreia do Sul também reflete uma tendência internacional de adaptação do marco regulatório.
Este artigo foi originalmente publicado em Chain News ABMedia.