IPO de criptografia de 2026: BitGo pretende levantar 200 milhões de dólares, avaliado em 1,96 mil milhões, visando ser a "primeira ação de custódia"

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Os gigantes da custódia de criptomoedas nos EUA, BitGo, apresentaram oficialmente o pedido de IPO à Securities and Exchange Commission (SEC), planejando emitir 11,8 milhões de ações a um preço entre 15 e 17 dólares por ação, levantando até 201 milhões de dólares, com uma avaliação de até 1,96 mil milhões de dólares. Isso faz dela a primeira empresa de criptomoedas a iniciar o processo de listagem em 2026.

BitGo向美国证券交易委员会提交 IPO 申请

(Fonte: X)

A BitGo revelou que, nos primeiros nove meses de 2025, alcançou uma receita de 10 bilhões de dólares, um lucro líquido de 8,1 milhões de dólares, e uma gestão de ativos de aproximadamente 104 bilhões de dólares. A listagem será liderada pelos bancos de investimento Goldman Sachs e Citigroup, com intenção de listar na Bolsa de Nova York, sob o código de negociação “BTGO”. Em um cenário de regulamentação global mais clara e aumento da demanda institucional, a entrada da BitGo no mercado é vista como um marco importante na maturidade e conformidade do setor de infraestrutura de criptomoedas.

Plano de listagem da BitGo: avaliação, captação de recursos e respaldo de Wall Street

No início de 2026, o setor de criptomoedas volta a anunciar sua entrada nos mercados tradicionais de capitais. A sede da BitGo Holdings Inc., em Palo Alto, Califórnia, enviou nesta segunda-feira à SEC os documentos oficiais de seu pedido de IPO, revelando seus planos detalhados de se tornar a “primeira ação de custódia de criptomoedas”. Segundo o documento, a BitGo planeja emitir 11,8 milhões de ações a um preço entre 15 e 17 dólares por ação. A própria empresa venderá 11 milhões de ações, enquanto acionistas existentes, incluindo executivos, venderão 821.595 ações. Com o limite superior do intervalo de preço de 17 dólares, o IPO poderá levantar até aproximadamente 201 milhões de dólares.

Este volume de captação é considerado médio-alto em relação a IPOs recentes de empresas de tecnologia, mas seu significado simbólico supera os números. Com base no preço máximo de emissão e no total de ações emitidas, a avaliação de mercado da BitGo após a listagem atingirá cerca de 1,96 mil milhões de dólares. Este valor é ligeiramente superior à avaliação de 1,75 mil milhões de dólares obtida na rodada de financiamento privado de 2023, indicando que, após a consolidação do mercado em 2024, os investidores estão adotando uma lógica de avaliação mais estável e racional para empresas de infraestrutura de criptomoedas de alta qualidade. Ainda mais importante, a BitGo escolheu os principais bancos de investimento de Wall Street para apoiá-la: Goldman Sachs e Citigroup atuarão como principais coordenadores da emissão. A participação profunda dessas duas gigantes financeiras certamente reforça a credibilidade do IPO e envia um sinal claro ao mercado — que as instituições financeiras tradicionais estão adotando uma postura sem precedentes de apoio a provedores de serviços essenciais de criptografia cuidadosamente selecionados.

De acordo com materiais de apresentação da gestão, a precificação está prevista para 21 de janeiro. A BitGo pretende listar na NYSE, com o código “BTGO”. Pelo cronograma, a empresa busca aproveitar a janela de mercado no início de 2026. Como apontado pelo analista Lukas Muehlbauer, da IPOX, o desempenho excelente dos índices de small e mid caps desde o início do ano criou um ambiente favorável para empresas de porte médio como a BitGo. Após a correção de avaliações de inteligência artificial e ações de tecnologia em 2025, o mercado busca ativos mais defensivos e com maior previsibilidade, e a BitGo, como fornecedora regulamentada de infraestrutura de criptomoedas com modelo de lucro estável, encaixa-se perfeitamente nesse perfil de “foco na qualidade”.

O caminho de ascensão da BitGo: de carteira digital a gigante de custódia de trilhões de dólares

Para entender a confiança por trás do IPO da BitGo, é preciso revisitar sua trajetória desde sua fundação em 2013. A empresa foi cofundada pelo atual CEO, Mike Belshe, inicialmente como uma provedora de carteiras de criptomoedas. Na época, a segurança do armazenamento digital era uma das principais dores dos primeiros adotantes, e a BitGo rapidamente construiu uma reputação com sua tecnologia de múltiplas assinaturas. No entanto, sua visão de futuro foi além do mercado de carteiras pessoais, percebendo a chegada de uma onda de institucionalização.

Com hedge funds, escritórios familiares e até empresas listadas começando a incluir Bitcoin e outros ativos digitais em seus balanços, a demanda por soluções de custódia e segurança de nível institucional explodiu. A BitGo realizou uma transformação estratégica de “fornecedora de carteiras” para “provedora de serviços integrados de segurança, custódia e liquidez de ativos digitais”. Hoje, seu core business é armazenar e proteger ativos digitais de clientes globais, além de oferecer serviços financeiros relacionados, como negociação, empréstimos e staking. Essa posição a coloca como um elo crucial entre o mundo das criptomoedas e o sistema financeiro tradicional.

Os dados financeiros da BitGo reforçam sua posição de mercado. Segundo o prospecto, nos primeiros nove meses de 2025, a empresa atingiu uma receita impressionante de 10 bilhões de dólares, com um lucro líquido de 810 mil dólares atribuível aos acionistas. Em comparação, no mesmo período de 2024, a receita foi de 1,9 bilhão de dólares, com lucro de 5,1 milhões de dólares. O crescimento expressivo da receita reflete, por um lado, a maior atividade do mercado de criptomoedas em 2025, e, por outro, a ampla adoção de seus serviços por clientes institucionais. Dados adicionais mostram que, até 30 de setembro de 2025, a BitGo gerenciava aproximadamente 104 bilhões de dólares em ativos sob custódia, suportando mais de 1550 tipos diferentes de ativos digitais. Essa escala de ativos sob custódia, na casa dos trilhões, consolida a posição da empresa como uma das maiores custodiantes independentes de criptomoedas nos EUA e no mundo.

Visão geral dos principais dados financeiros e operacionais do IPO da BitGo (até 30 de setembro de 2025)

Receita: 10 bilhões de dólares nos primeiros nove meses de 2025; 1,9 bilhão de dólares no mesmo período de 2024.

Lucro líquido: 810 mil dólares nos primeiros nove meses de 2025; 510 mil dólares em 2024.

Ativos sob gestão: aproximadamente 104 bilhões de dólares.

Diversidade de ativos: suporta mais de 1550 tipos de ativos digitais.

Estrutura acionária: CEO Mike Belshe possui 2,6% de ações Classe A e todas as ações Classe B, com votação prevista de 56% após o IPO.

Avaliação histórica: avaliação de 1,75 mil milhões de dólares na rodada privada de 2023; avaliação máxima de 1,96 mil milhões de dólares no IPO.

Captação de recursos: até 201 milhões de dólares, com limite máximo.

O sucesso da BitGo não é por acaso, tendo passado por testes e reveses importantes ao longo de sua trajetória. Em 2021, a famosa Galaxy Digital anunciou uma aquisição de 1,2 bilhão de dólares, mas a transação foi cancelada em 2022, durante o período de baixa do mercado. Hoje, com uma avaliação próxima a 2 bilhões de dólares, a empresa entrou na bolsa de forma independente, demonstrando que sua estratégia de manter-se independente foi reconhecida pelo mercado. No âmbito da governança, após o IPO, o fundador Mike Belshe, com suas ações de voto superpreferenciais (B), manterá aproximadamente 56% do poder de voto, garantindo estabilidade na estratégia da companhia. Investidores de destaque como Valor Equity Partners e Redpoint Ventures terão aproximadamente 4,6% e 3,9% de participação de voto, respectivamente.

Narrativa política e o impacto na onda de IPOs do setor

A decisão da BitGo de iniciar sua listagem neste momento está relacionada a oportunidades políticas e ao ciclo do setor. Um ponto importante é que a BitGo é atualmente uma das principais fornecedoras de serviços para o projeto World Liberty Financial, ligado à família do ex-presidente dos EUA, Donald Trump. O prospecto menciona que a BitGo é a custodiante e provedora de infraestrutura do USD1, stablecoin emitido pela World Liberty Financial. Donald Trump Jr. e Eric Trump são cofundadores do projeto DeFi, estreitamente ligado à empresa. Essa conexão reforça a relação entre os negócios da BitGo e a narrativa política de criptomoedas que tem ganhado atenção nos EUA.

Em 2025, sob a administração Trump, com forte apoio à indústria de criptomoedas e a legislação de stablecoins, o setor entrou em uma fase de forte crescimento de IPOs. A Circle Internet Group, emissora do stablecoin USDC, lançou seu IPO em junho, levantando 1,2 bilhão de dólares; a exchange Bullish, apoiada pelo gigante Block.one, fez IPO em agosto, com 1,1 bilhão de dólares; a Gemini, fundada pelos irmãos Winklevoss, também entrou na bolsa em setembro, levantando 446 milhões de dólares, com alta de 14% no primeiro dia. Apesar de esses papéis terem recuado após o pico, e do mercado de criptomoedas ter sofrido uma correção geral em 2025 (com o Bitcoin caindo 6,5% no ano), esses IPOs marcaram a abertura definitiva do setor de criptomoedas para o mercado de capitais tradicional.

Como a primeira grande empresa de criptomoedas a avançar com IPO em 2026, a BitGo carrega a expectativa de continuar essa tendência. Analistas acreditam que, em comparação às plataformas de negociação, o modelo de negócios de custódia é mais “leve”, menos afetado por ciclos de volume de negociação, mais estável e, portanto, considerado um investimento mais seguro no cenário macro atual. Sua performance no IPO será um teste de apetite dos investidores tradicionais por ações de infraestrutura de criptomoedas e fornecerá referências importantes para futuras listagens, como a antiga bolsa Kraken, por exemplo.

Infraestrutura como vitória: o que a listagem da BitGo indica para o futuro do setor

Se a IPO da BitGo for bem-sucedida, seu significado ultrapassará o marco de uma empresa. Ela revelará uma das próximas grandes tendências na evolução do setor de criptomoedas: a maturidade da infraestrutura e a integração de serviços institucionais. Quando o foco do mercado mudar de especulação de preços para o uso real de blockchain e a integração com o sistema financeiro, provedores de serviços essenciais, como a BitGo, que oferecem soluções de base, conformidade e segurança, terão seu valor reavaliado sistematicamente.

Primeiro, a custódia é a porta de entrada para a entrada em massa de investidores institucionais. Fundos de pensão, seguradoras e corporações multinacionais, ao alocar ativos digitais, priorizam segurança, conformidade regulatória e confiabilidade operacional. Empresas como a BitGo, com licenças regulatórias e medidas de auditoria e seguro semelhantes às do sistema financeiro tradicional, atuam como uma ponte de confiança entre o capital tradicional de trilhões de dólares e o universo cripto. Sua escala de ativos sob custódia, na casa dos trilhões, é uma prova concreta dessa maturidade.

Segundo, o modelo de receita da BitGo demonstra a sustentabilidade dos serviços de infraestrutura de criptomoedas. Seus ganhos vêm de taxas de custódia (baseadas no valor sob gestão), taxas de transação, spreads de empréstimos e licenciamento de soluções tecnológicas. Essa receita recorrente, baseada na escala de ativos, é mais previsível e defensiva do que a dependência de taxas de negociação de exchanges, sendo mais atraente para investidores tradicionais. Os lucros estáveis divulgados no prospecto confirmam sua capacidade de monetizar sua posição de mercado de forma eficiente.

No futuro, os recursos captados com o IPO serão utilizados para ampliar sua vantagem tecnológica, expandir sua presença global e realizar aquisições estratégicas. Com a tokenização de ativos reais, fundos soberanos e outras tendências emergentes, a importância de serviços de custódia e segurança só aumentará. A entrada da BitGo na NYSE não só abrirá novas possibilidades de captação e reforço de marca, mas também iluminará o caminho para toda a cadeia de infraestrutura de criptomoedas rumo ao mainstream financeiro. Sua performance será um termômetro de quanto o mercado de capitais está disposto a investir na “pedra fundamental” do setor.

O que é a BitGo: guardiã completa de ativos digitais

A BitGo, fundada em 2013, é uma trust company de ativos digitais dos EUA, líder global em soluções de custódia, segurança e liquidez para instituições. Inicialmente conhecida por sua tecnologia de carteiras multiassinatura, evoluiu para uma plataforma de infraestrutura completa que atende centenas de clientes institucionais, incluindo exchanges, fundos de hedge, escritórios familiares e projetos.

Principais negócios e serviços:

  1. Custódia: oferece soluções de armazenamento híbrido frio/quente, regulamentadas, para mais de 1550 tipos de ativos digitais, sendo uma das poucas empresas nativas de cripto a fornecer custódia qualificada para clientes institucionais.
  2. Tecnologia de carteiras e segurança: arquitetura de múltiplas assinaturas, fragmentação de chaves e mecanismos avançados de estratégia garantem proteção bancária aos ativos.
  3. Liquidez e serviços financeiros: opera a BitGo Prime, que oferece negociação, empréstimos e staking, ajudando clientes institucionais a gerenciar seus portfólios de criptomoedas de forma eficiente.
  4. Soluções white-label e infraestrutura: fornece suporte tecnológico para outros players, como a emissão e custódia do USD1, stablecoin do projeto World Liberty Financial.

Modelo de negócios: a receita da BitGo provém principalmente de taxas de custódia (com base no valor sob gestão), taxas de transação, spreads de empréstimos e licenciamento de tecnologia. Sua estrutura é altamente escalável, com margens de lucro potencialmente crescentes à medida que a gestão de ativos aumenta.

Posição regulatória: possui licenças de trust em vários estados dos EUA e busca ativamente autorizações em centros financeiros globais, reforçando sua credibilidade junto a investidores institucionais e parceiros tradicionais, como o Goldman Sachs.

Revisão do ciclo de IPOs de empresas de criptomoedas: de entusiasmo a avaliação racional

O IPO da BitGo é o capítulo mais recente na onda de listagens de empresas de criptomoedas iniciada em 2025. Essa trajetória, curta mas turbulenta, revela a evolução do sentimento de mercado e da lógica de avaliação.

2025: o boom: impulsionado por expectativas regulatórias favoráveis e clima de mercado mais otimista, 2025 foi o ano de maior entrada de empresas de cripto na bolsa.

  • Circle (CRCL): emissora do stablecoin USDC, entrou em junho, levantando 1,2 bilhão de dólares. Sua IPO foi vista como uma tentativa de trazer o “modelo de dívida soberana na blockchain” para o mainstream, recebendo forte atenção inicial.
  • Bullish (BLSH): apoiada pelo gigante Block.one, entrou em agosto, com IPO de 1,1 bilhão de dólares, destacando sua tecnologia de alta performance e foco institucional.
  • Gemini: fundada pelos irmãos Winklevoss, entrou em setembro, levantando 446 milhões de dólares, com alta de 14% no primeiro dia.

Reação do mercado e desafios atuais: contudo, esses papéis recuaram após o pico, refletindo preocupações dos investidores: 1) sustentabilidade dos lucros dependente do ciclo de alta do mercado; 2) forte competição de outros players; 3) riscos regulatórios de longo prazo. A correção geral do setor em 2025, com o Bitcoin caindo 6,5%, reforçou a volatilidade.

Posição diferenciada da BitGo: ao contrário de empresas focadas em plataformas de negociação, a história da BitGo é sobre “segurança” e “infraestrutura”. Em ciclos de mercado, a demanda por custódia tende a ser mais rígida, até mesmo aumentando em momentos de insegurança. Sua lucratividade comprovada e ligação com narrativas políticas (serviço ao World Liberty) criam uma narrativa de investimento única. Se conseguirá romper o ciclo de “listagem no topo” e mostrar desempenho sustentável a longo prazo, será uma peça-chave para avaliar se o setor de cripto será realmente integrado ao modelo de investimento tradicional.

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