Autor original: Huang Wenjing, Yan Xuesong
Ao olhar para o início de 2026, 2025 foi um ano de transformação no mundo das criptomoedas — o Bitcoin atingiu máximos históricos, projetos-chave foram implementados e o mercado avançou de forma estável e racional. Mas a mudança mais profunda veio da maturidade da regulamentação global: stablecoins, regras de licenciamento e combate à lavagem de dinheiro foram claramente implementadas em vários países, trazendo uma nova certeza ao setor.
Dentre elas, o regulamento MiCA da UE, que entrou em vigor no final de 2024, entrou numa fase crucial de implementação em 2025. Este quadro unificado, que cobre 27 países, funciona como um farol, delimitando fronteiras de conformidade e iluminando novas oportunidades de crescimento. Quando o período de transição de vários países terminou no quarto trimestre do ano passado, o mercado europeu já apresentava uma estrutura consolidada — 68 novas entidades licenciadas entraram em cena, enquanto plataformas tradicionais de VASP se transformaram com sucesso em CASP, e novas forças emergiram com vigor.

Linha do tempo de 36 meses para entidades licenciadas que oferecem serviços de ativos digitais (origem: orientação mais recente do site da ESMA)
Este artigo abordará as atualizações regulatórias mais recentes, analisando tipos e características das novas entidades licenciadas, interpretando as diferenças entre os países e revelando as próximas tendências de evolução do setor. Assim, ajudará você a compreender as mudanças, captando o verdadeiro pulso do mercado europeu.
1. Lógica de licenciamento de serviços: licença ≠ omnipotência
O núcleo do regulamento MiCA é estabelecer um padrão de entrada unificado para provedores de serviços de ativos digitais em toda a Europa. Por meio da aprovação pelas autoridades nacionais (NCA), as entidades licenciadas podem operar legalmente na UE usando o mecanismo de “passaporte” (EU Passport). Segundo o MiCA, as entidades licenciadas podem oferecer 10 tipos de serviços, incluindo custódia, operação de plataformas de negociação, troca, execução de ordens, aconselhamento de investimento, entre outros.
No entanto, o escopo de autorização varia bastante, dependendo da combinação de serviços escolhida na solicitação. As lógicas de negócio mais comuns incluem:
É importante notar que as combinações de serviços acima não são obrigatórias, apenas exemplos de lógicas de negócio comuns: plataformas integradas (como Coinbase, Kraken) costumam solicitar múltiplos serviços, pois podem criar um ciclo fechado de experiência do usuário. Já instituições menores ou especializadas podem optar por oferecer apenas um serviço, como apenas custódia, apenas aconselhamento ou apenas pontes entre blockchains, o que também é totalmente viável.
Na prática, diferentes combinações de serviços aparecem principalmente em cenários que visam oferecer “serviço completo”; se a intenção for atuar em uma única área ou por limitações de orçamento, é possível evitar dependências de outros serviços, economizando custos e simplificando operações. Assim, quando uma entidade anuncia possuir uma licença MiCA, é melhor não presumir automaticamente que ela possa fazer “de tudo”.
Compreender isso ajuda a avaliar de forma mais objetiva as estratégias e capacidades das novas entidades licenciadas, além de esclarecer alguns equívocos comuns:
2. Características principais das entidades licenciadas que entraram no Q4
No quarto trimestre de 2025, surgiram 68 novas entidades licenciadas, resultado direto do fim do período de transição regulatória unificada do MiCA na maioria dos países membros. Antes disso, muitas operavam sob os regimes nacionais de VASP, enfrentando o prazo final de “licenciar ou sair do mercado”, o que gerou uma onda de pedidos de conformidade e conversões.
Esse fenômeno é uma consequência natural do período de transição, refletindo também as estratégias adotadas pelas instituições na adaptação às novas regras — seja por gigantes internacionais ou por startups locais, todos concluíram suas mudanças de status antes do prazo, evidenciando uma evolução estratificada e uma integração ecológica no setor de criptomoedas.
De modo geral, essas novas entidades podem ser agrupadas em três categorias: gigantes, players intermediários e novos entrantes. Essa classificação baseia-se na escala, influência de mercado e amplitude de serviços.
1. Gigantes: liderando a unificação do mercado
No Q4, a entrada de grandes players chamou atenção. Essas entidades costumam solicitar mais de 5 tipos de serviços, formando plataformas “tudo-em-um” que abrangem custódia, negociação, troca, respondendo rapidamente às demandas do mercado unificado da UE.

Revolut, banco digital do Reino Unido, obteve licença em Chipre para oferecer seis serviços, incluindo custódia, operação de plataformas e câmbio de moeda fiduciária, podendo atrair mais de 50 milhões de usuários ao setor de criptomoedas. A exchange global KuCoin obteve licença em Áustria para cinco serviços principais, incluindo custódia, troca e underwriting; ao mesmo tempo, Blockchain.com (Malta) e o banco de criptomoedas Amina EU (Áustria) também entraram no mercado como provedores de serviços integrados.
Características:
2. Players intermediários: força consistente e estável
Ao lado dos gigantes, há entidades de porte médio, com uma base de usuários estável e tecnologia madura, que anteriormente operavam sob registros nacionais de VASP.

Por exemplo, a Bitonic B.V., fundada em 2012, é a corretora de Bitcoin mais antiga e maior da Holanda, focada no mercado local, confiável e sem incidentes de segurança relevantes. Em 21 de novembro, obteve licença MiCA para oferecer serviços de custódia, troca, execução de ordens e transferências, representando o padrão de desenvolvimento das plataformas principais do país — outras entidades holandesas também seguem essa linha.
Outro exemplo é o banco espanhol Renta 4, em fase de transição, com reputação sólida e atuação no setor de investimentos tradicionais, agora autorizado a oferecer custódia e transferências.
Essas entidades têm vantagem por entender profundamente o mercado local, optando por combinações de serviços de porte médio, com custos de conformidade controlados, evitando competição direta com grandes plataformas internacionais, o que as torna confiáveis para usuários comuns.
Características:
3. Novos entrantes: promessas emergentes
As novas entidades ou instituições locais geralmente são de menor porte, surgindo como uma tentativa de não perder o “bonde” do MiCA.
Por outro lado, preenchem lacunas locais. Exemplos incluem seis bancos alemães (Volksbank Mittlerer Schwarzwald e outros), todos aprovados em dezembro, oferecendo apenas execução de ordens. Essas novas entidades destacam-se pela flexibilidade e custos menores.
Características:
As diferenças regionais refletem as economias, hábitos de usuários e ambientes regulatórios locais. Países como Alemanha, França e Holanda lideram a entrada de novas entidades, enquanto países do Leste Europeu (Eslováquia, Eslovênia, Letônia) apresentam foco mais no varejo.
1. Diferenças regionais:
Leste Europeu: foco no varejo, corrida por conformidade
No Q4, 10 novas entidades surgiram na região, principalmente na Eslováquia, Eslovênia e Letônia. Geralmente, oferecem combinações de serviços “custódia + troca + transferências”, com pouca atuação em plataformas de negociação. Por exemplo, a FUMBI na Eslováquia possui mais de 5 serviços; a BlockBen na Letônia foca em “tokenização de ouro”.
Isso ocorre por:
Europa Ocidental: França, Alemanha
Na Alemanha, 16 entidades novas, maioria bancos tradicionais, oferecem apenas execução ou transferência. Na França, 5 novas, incluindo a divisão de criptomoedas do banco Société Générale, focam em serviços restritos, como custódia e transferências.
Apesar de infraestrutura financeira madura, os altos custos de conformidade levam muitas a restringir seus serviços iniciais, mostrando que o dinamismo do mercado não acompanha necessariamente o tamanho da economia regional.
EEE e Liechtenstein
Liechtenstein, com apenas duas entidades licenciadas, concentra-se em custódia, posicionando-se como um mercado de alta qualidade e nicho, atraindo bancos privados e gestores de ativos, mesmo não sendo membro da UE, mas com validade do passaporte MiCA. O país é atrativo por seu ambiente neutro e baixa tributação, além de seu mercado ser voltado a clientes profissionais, como family offices.
2. Tendências de consolidação: reestruturações invisíveis, não aquisições explícitas
Embora não tenham ocorrido fusões ou aquisições evidentes no Q4, o setor já está em processo de consolidação silenciosa. Muitas grandes empresas preferem estabelecer subsidiárias na UE ao invés de adquirir outras, garantindo controle total e evitando riscos de due diligence e aprovação.
Dados indicam que, em 2025, várias pequenas entidades foram adquiridas por plataformas principais, e no Q4, muitas “seguiram seu próprio caminho” — solicitando licenças de forma independente antes do fim do período de transição.
Com base em dados incompletos e feedback do mercado, a taxa de sucesso na obtenção de licença MiCA ainda não é tão alta quanto se imagina. As autoridades continuam priorizando a substância: a licença não é uma pilha de documentos, mas o resultado de um modelo de negócio confiável e real.
Os custos de obter uma licença MiCA também não devem ser subestimados. É importante questionar-se: realmente preciso dessa licença? Uma postura proativa de conformidade é válida, mas entender seu posicionamento e objetivos de longo prazo é mais inteligente. Esperamos que este artigo ajude você a identificar oportunidades no mercado europeu de criptomoedas durante essa fase de transformação.