Após o fracasso do projeto Libra em 2019, a Meta parece estar pronta para retornar ao mercado de stablecoins. Segundo três pessoas familiarizadas com o assunto, esta gigante tecnológica liderada por Mark Zuckerberg planeja iniciar a integração de stablecoins no segundo semestre deste ano, colaborando com terceiros para gerenciar pagamentos ligados ao dólar, além de lançar uma nova carteira digital.
Esta estratégia não só indica que a Meta voltará a desafiar o mercado de pagamentos em criptomoedas, como também pode reacender a competição em “pagamentos sociais” e “remessas internacionais”, concorrendo diretamente com outras plataformas tecnológicas que buscam criar super apps.
Integração de stablecoins e nova carteira digital no segundo semestre
De acordo com informações, a Meta pretende concluir a primeira fase de integração de pagamentos com stablecoins no início do segundo semestre. Diferente de estratégias anteriores, onde a empresa liderava a emissão de tokens, agora adotará uma abordagem de “distanciamento”, colaborando com empresas terceiras, que serão responsáveis pela gestão e execução dos pagamentos com stablecoins.
Uma fonte revelou que a Meta planeja integrar um fornecedor externo para ajudar na gestão do processamento de pagamentos ligados ao dólar, além de lançar uma nova carteira digital que permitirá aos usuários realizar pagamentos e transferências dentro do seu ecossistema.
Outra informação indica que a Meta já enviou solicitações de propostas (RFP) para várias empresas, destacando a Stripe como potencial parceira piloto. Vale lembrar que a Stripe adquiriu no ano passado a empresa especializada em stablecoins Bridge, fortalecendo sua infraestrutura nesta área.
A relação entre Stripe e Meta é próxima, com o CEO da Stripe, Patrick Collison, tendo ingressado no conselho da Meta em abril de 2025. Apesar de nenhuma das empresas ter comentado oficialmente, o mercado já está atento às possibilidades de colaboração.
Base de 3 bilhões de usuários como maior vantagem, com foco em pagamentos sociais
A Meta possui plataformas como Facebook, WhatsApp e Instagram, com mais de 3 bilhões de usuários globalmente. Se a integração de pagamentos com stablecoins for bem-sucedida, a Meta poderá criar canais de pagamento diretamente em suas redes sociais e comerciais, reduzindo a dependência do sistema bancário tradicional e cortando custos de taxas elevadas.
Essa estratégia dará à Meta uma vantagem competitiva nos mercados de “social commerce” e remessas internacionais. Especialmente no WhatsApp, onde a integração de transferências com stablecoins, de forma fluida, melhoraria significativamente a experiência do usuário e a eficiência das transações.
Mais importante, a movimentação da Meta colocará a empresa em confronto direto com a plataforma X, de Elon Musk. Nos últimos anos, a X tem investido na incorporação de funções de pagamento, visando transformar-se em um super app. Além disso, o Telegram também continua promovendo integrações de pagamento e criptomoedas.
De fato, criar um ecossistema de pagamentos sempre foi o objetivo central do antigo projeto Libra — integrar redes sociais, comunicação e comércio para estabelecer uma moeda digital global própria.
De Libra a Diem: uma experiência fracassada com criptomoedas
A Meta tentou lançar o projeto Libra em 2019, posteriormente renomeado para Diem. Na época, o projeto enfrentou forte resistência regulatória e política. Além disso, o escândalo do Cambridge Analytica e a crise de confiança prejudicaram a reputação da empresa perante reguladores e o público.
Sob forte oposição do Congresso dos EUA, a Libra Association ajustou sua estratégia em 2020, mudando de uma moeda global apoiada por uma cesta de moedas para o desenvolvimento de várias stablecoins atreladas a moedas fiduciárias específicas. No entanto, o projeto nunca foi lançado oficialmente e, no início de 2022, seus ativos foram vendidos e a iniciativa encerrada.
Essa experiência certamente ensinou lições à Meta. Segundo fontes, a empresa agora prefere depender de fornecedores externos de stablecoins, ao invés de emitir seus próprios tokens. “Eles querem fazer isso, mas vão manter uma certa distância”, descreveu uma fonte.
Mudanças regulatórias e a Lei GENIUS de Trump abrem portas para stablecoins
Em comparação com 2019, o ambiente regulatório de criptomoedas nos EUA evoluiu significativamente. A Lei GENIUS, promovida pelo então presidente Donald Trump, estabeleceu uma base legal para emissores de stablecoins nos EUA, abrindo caminho para a emissão de novos tokens no mercado.
Embora as regulamentações ainda estejam em fase inicial de elaboração, a direção geral das políticas está mais permissiva do que antes. Essa mudança favorece a entrada da Meta no mercado de stablecoins novamente.
Porém, a incerteza regulatória ainda existe. Como integrar pagamentos com stablecoins de forma legal e segura, evitando repetir os erros do Libra, será o maior desafio para a Meta nesta nova tentativa.
A Meta pode conseguir “reentrar” com sucesso?
Do ponto de vista estratégico, a decisão de colaborar com terceiros ao invés de emitir seus próprios tokens mostra que a Meta busca equilibrar a pressão regulatória e os riscos de marca. Com fornecedores externos de stablecoins, a empresa pode focar na experiência do usuário e na implementação de pagamentos, deixando a emissão e conformidade para parceiros.
Por outro lado, a competição no mercado está mais acirrada do que nunca. Além do X e Telegram, instituições financeiras tradicionais e empresas de criptomoedas estão ativamente investindo em stablecoins, pagamentos e liquidação transfronteiriça. Para se destacar, a Meta precisará não só de uma integração tecnológica eficiente, mas também de convencer reguladores e usuários a confiar novamente na sua proposta.
O mercado de stablecoins está amadurecendo rapidamente, e a entrada de grandes empresas de tecnologia certamente trará novas variáveis ao setor. A volta da Meta ao mercado de stablecoins pode ser uma oportunidade de superar a sombra do Libra ou uma nova aposta de alto risco. A resposta talvez seja revelada ainda neste segundo semestre.
Este artigo sobre o retorno da Meta ao mercado de stablecoins foi originalmente publicado no Chain News ABMedia.
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