
A empresa de análise de blockchain Chainalysis revelou que, em 2025, os endereços ilegais de criptomoedas receberam pelo menos 15,4 mil milhões de dólares em ativos digitais, um aumento de 162% em relação ao ano anterior. Entre eles, mais de 3 mil milhões de dólares estão relacionados com redes ligadas ao Irã e à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Após os ataques aéreos dos EUA e de Israel ao Irã, dados na blockchain mostram que cerca de 10,3 milhões de dólares em criptomoedas saíram rapidamente de exchanges iranianas num curto espaço de tempo.

(Fonte: Chainalysis)
O relatório da Chainalysis aponta que, apesar de o Irã enfrentar pressões internas e externas sem precedentes desde a fundação da República Islâmica, o regime continua a integrar criptomoedas na sua estratégia financeira. No quarto trimestre de 2025, endereços ligados à IRGC representaram mais de metade de todos os ativos digitais recebidos por entidades iranianas, totalizando mais de 3 mil milhões de dólares.
Estes fundos são utilizados para financiar grupos militantes regionais como o Hezbollah, Hamas e os Houthis, além de facilitar o fluxo de bens, petróleo ilegal e armas — uma escala sem precedentes na blockchain. O relatório também indica que países sob sanções severas, como o Irã, aprenderam a confundir os fluxos de fundos na blockchain, dificultando a aplicação de sanções tradicionais. A Chainalysis estima que o mercado de criptomoedas do Irã atingirá um total de 7,48 mil milhões de dólares em 2025.
O Irã não é um caso isolado. O relatório da Chainalysis traça um panorama global de países sob sanções que utilizam sistematicamente criptomoedas para contornar restrições financeiras:
Rússia: Stablecoins como A7A5, apoiadas pelo rublo, envolveram mais de 93,3 mil milhões de dólares em transações ilegais em menos de um ano; a exchange sancionada Grinex processou 305 milhões de dólares em 2025, enquanto Meer movimentou 4,76 mil milhões de dólares.
Coreia do Norte: hackers apoiados por Pyongyang roubaram mais de 2 mil milhões de dólares em criptomoedas em 2025, o maior valor registado num ano.
Venezuela: em 2025, o fluxo de criptomoedas atingiu 44,6 mil milhões de dólares, com muitos cidadãos a usar criptomoedas para proteger-se da hiperinflação. Transações informais permitiram até a troca direta de bolívares, moeda sancionada, por ativos digitais.
Grupo Huione do Sudeste Asiático: entre agosto de 2021 e janeiro de 2025, movimentou mais de 98 mil milhões de dólares em criptomoedas, com atividades de lavagem de dinheiro e fraudes a continuar.
O relatório indica que entidades sancionadas representam cerca de 104 mil milhões de dólares, ou seja, uma parte dominante do total global de fluxos ilegais de criptomoedas em 2025.
Após os ataques aéreos dos EUA e de Israel ao Irã, os dados na blockchain mostraram sinais de fuga de capitais: cerca de 10,3 milhões de dólares em criptomoedas saíram de exchanges iranianas, com um pico de 2 milhões de dólares em uma hora, indicando que investidores iranianos buscaram rapidamente transferir ativos após as notícias de conflito.
O mercado de Bitcoin também reagiu com forte volatilidade, com o preço a cair para cerca de 63.100 dólares após o anúncio, recuperando-se gradualmente para perto de 70.000 dólares, chegando a quase 74.000 dólares na quarta-feira, e atualmente estabilizado acima de 71.000 dólares.
O que inclui o valor ilegal de 15,4 mil milhões de dólares mencionado no relatório da Chainalysis?
Inclui todos os ativos digitais recebidos por endereços ilegais em 2025, abrangendo evasão de sanções, financiamento terrorista, ransomware, roubos por hackers, lavagem de dinheiro e fraudes. As entidades sancionadas (Irã, Rússia, Coreia do Norte, entre outras) representam cerca de 104 mil milhões de dólares, sendo a maior categoria.
Como o Irã usa criptomoedas para evitar sanções internacionais?
Segundo a análise da Chainalysis, o Irã, especialmente a IRGC, utiliza técnicas de confusão de endereços na blockchain, além de canais OTC, troca de criptomoedas por receitas de petróleo e redes de agentes (como Hezbollah e Hamas) para dispersar fundos, dificultando o rastreamento e bloqueio por parte das sanções tradicionais.
O que as atividades de criptomoedas do Irã significam para o sistema global de sanções?
O relatório revela que a eficácia das sanções está sendo sistematicamente minada pela descentralização das criptomoedas. Países sancionados como Irã e Rússia criaram ecossistemas completos de evasão financeira na blockchain, desafiando os mecanismos tradicionais baseados em bancos. As autoridades internacionais precisam desenvolver capacidades avançadas de análise na blockchain e cooperação transfronteiriça para fazer face a esses desafios.