Conhecida como o coração dos mercados de capitais globais, a Bolsa de Nova York finalmente tomou uma decisão. Esta infraestrutura monumental com 233 anos de história lançou oficialmente a chamada estratégia de “duas bolsas”, ou seja, manter o sistema tradicional de negociação de ações enquanto opera paralelamente uma “Bolsa na cadeia” baseada em blockchain, disponível 24 horas por dia. Não se trata de uma simples atualização tecnológica. É uma declaração de mudança na estrutura do mercado de ações e uma jogada positiva da Wall Street no ecossistema cripto.
■ Com “paralelismo” para superar o dilema dos inovadores… “Destruindo enquanto protege”
Os principais operadores do mercado enfrentam uma armadilha inevitável. O chamado “dilema do inovador”: ou eles permanecem com o modelo de lucro atual, sendo eliminados por novas tecnologias, ou impulsionam as inovações, arriscando destruir sua capacidade de gerar caixa existente.
A bolsa-mãe da NYSE, Intercontinental Exchange, resolveu esse problema de forma direta. A resposta não é “escolher”, mas “executar simultaneamente”.
A Bolsa#1 adota o modelo tradicional, operando das 9h30 às 16h (horário de Nova York), com liquidação T+1 e uma infraestrutura madura baseada em transferências bancárias. Como o nome indica, ela é o centro responsável pelo fluxo de caixa atual.
A Bolsa#2 adota o modelo digital, com operação 24 horas, liquidação instantânea na cadeia e liquidação de fundos baseada em stablecoins. É a base avançada para conquistar o campo de batalha do futuro.
O núcleo não é simplesmente operar em paralelo. A chave está em investir o enorme fluxo de caixa gerado pela bolsa tradicional em pesquisa, desenvolvimento e expansão da bolsa digital. Uma vez que as ações tokenizadas se tornem padrão, a NYSE já terá uma posição dominante no mercado. Por outro lado, mesmo que o processo de tokenização seja atrasado, a NYSE continuará sendo a maior bolsa do mundo. É uma “ofensiva com seguro” que não perderá em qualquer cenário.
■ “Criptomoeda não é inimiga… apenas uma ferramenta, o controle está em nossas mãos”
Há muito tempo, o setor cripto propagava a narrativa de que a blockchain substituiria o finanças tradicional. No entanto, este anúncio reafirma o quão frio e implacável é o instinto de sobrevivência de Wall Street.
A plataforma que a NYSE está preparando não é apenas uma “versão estendida” para ampliar o horário de negociação. A ideia é transformar todo o processo — emissão de ativos, negociação, liquidação e custódia — em uma cadeia, integrando-a ao motor de matching da NYSE, que é seu pilar. Isso significa abraçar a tecnologia cripto, mas sem ceder o controle da infraestrutura de negociação.
Particularmente notável é o plano de construir um sistema de “depósitos tokenizados” em parceria com grandes bancos como o Bank of New York Mellon e o Citigroup. A estratégia é eliminar a “restrição de tempo” criticada pelo setor financeiro tradicional, permitindo que garantias sejam depositadas ou fundos transferidos fora do horário bancário. Quase uma declaração de que a NYSE pretende tomar de frente a arma de “24 horas” que o setor cripto tanto se orgulha.
■ ‘Tokenização’ é o ponto de partida… o próximo passo são os ‘títulos digitais nativos’
A mudança mais fundamental neste anúncio é que ela não se limita à simples tokenização de ativos. A NYSE afirma que irá além da fase de migração de ativos existentes para blockchain, apoiando também os “títulos digitais nativos”, emitidos desde o início em formato digital.
Isso não é uma cópia de ativos reais. Significa entrar em um sistema totalmente novo: os títulos serão emitidos na blockchain desde o começo, com direitos de voto e pagamento de dividendos automatizados por contratos inteligentes, formando um sistema de “ações totalmente digitais”.
A NYSE planeja garantir que os detentores de títulos negociados nesta plataforma digital também tenham direito a dividendos e governança iguais aos acionistas atuais. A intenção é criar uma via para investidores institucionais acessarem ativos na cadeia, minimizando riscos regulatórios.
■ Quem será o ‘senhor do futuro’
Recentemente, Jeffrey Sprecher, CEO da Intercontinental Exchange, afirmou ao Polymarket que investiu US$ 2 bilhões, descrevendo isso como uma “medida estratégica para conquistar o futuro da tokenização e das finanças descentralizadas”. Isso simboliza que Wall Street não vê mais as criptomoedas como uma experiência marginal, mas como uma ferramenta para o “financiamento mainstream”.
A indústria comenta que “os tubarões de Wall Street estão levando as tecnologias criadas pelos ‘geeks’ cripto e transformando-as em suas armas”. Em última análise, uma vez que a eficiência seja comprovada, a liquidez migrará para lugares mais rápidos, mais baratos e mais convenientes. E as comissões e a soberania dos dados geradas nesse fluxo provavelmente voltarão a estar sob controle da NYSE.
Usuários e investidores terão que escolher entre a “segurança tradicional” e a “eficiência digital”. No entanto, a NYSE parece não se importar com a escolha de cada um, pois possui duas cartas na manga, reescrevendo as regras do jogo. Quando esse gigante de 233 anos despertar, as fronteiras entre finanças tradicionais e cripto já terão desmoronado.