Os Estados Unidos procuram acalmar os parceiros europeus após surgirem especulações sobre um potencial choque financeiro de vários trilhões de dólares ligado ao aumento das tensões comerciais sobre a Groenlândia. Falando no Fórum Económico Mundial em Davos na terça-feira, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, pediu aos governos europeus que não reajam de forma precipitada às tarifas que o Presidente Donald Trump ameaçou impor. Bessent destacou que a Europa deve esperar e evitar escalar a situação. Trump já anunciou anteriormente planos de impor tarifas de até 25% a vários países europeus como parte da disputa sobre a Groenlândia, que continua a ser um território autónomo sob soberania dinamarquesa. Segundo a administração dos EUA, quaisquer medidas retaliatórias poderiam ter consequências negativas para os mercados financeiros globais. Nas suas declarações, o Secretário do Tesouro apontou para a disputa comercial do ano passado entre os Estados Unidos e a China como um exemplo que a Europa deve evitar. Avisou que respostas politicamente motivadas poderiam desencadear mais quedas nos mercados numa altura em que os investidores já estão altamente sensíveis ao risco geopolítico. “Estamos a ver o mesmo tipo de histeria que vimos no início de abril. Houve pânico,” disse Bessent aos jornalistas. “Incentivo todos a fazer uma pausa, respirar fundo e deixar que isto se desenrole. A pior coisa que os países podem fazer é escalar contra os Estados Unidos.” Bessent argumentou que a situação atual difere das disputas comerciais convencionais. Segundo ele, Trump está simplesmente a insistir que os acordos comerciais existentes sejam respeitados, pois esses acordos proporcionam estabilidade e previsibilidade para todas as partes envolvidas.
Tesouro Rejeita Medidas de Venda de Dívida O Secretário do Tesouro também rejeitou veementemente as alegações de que os países europeus poderiam responder vendendo dívida do governo dos EUA. Classificou essas previsões como uma “história completamente fabricada” que não faz sentido económico. Bessent criticou os meios de comunicação por aquilo que descreveu como uma cobertura exagerada de um relatório recente do Deutsche Bank, chamando a narrativa em torno dele de histérica. “Acho que é uma história totalmente falsa. Vai contra a lógica, e discordo totalmente dela,” afirmou. A questão é particularmente sensível dado que a dívida federal dos EUA ultrapassa $38 trilhões e o país registou um défice orçamental de 1,78 trilhões de dólares em 2025. Se os principais investidores estrangeiros deixarem de comprar títulos do Tesouro dos EUA, os custos de empréstimo aumentariam drasticamente e o valor das holdings de dívida existentes cairia. Bessent respondeu a uma pesquisa publicada pelo economista do Deutsche Bank, George Saravelos, que destacou a forte posição financeira da Europa em relação aos Estados Unidos. Saravelos observou que a Europa não só tem um interesse na Groenlândia, mas também detém uma participação significativa de ativos financeiros dos EUA. Segundo Saravelos, os países europeus possuem aproximadamente $8 trilhões em títulos e ações do governo dos EUA — quase o dobro do resto do mundo combinado. Questionou por que a Europa continuaria a apoiar o financiamento dos EUA numa escala tão grande se a estabilidade económica entre os parceiros ocidentais estivesse seriamente comprometida. No entanto, o Tesouro dos EUA mantém que a dívida do governo dos EUA ainda é vista globalmente como um ativo livre de risco e que os governos europeus não têm incentivo para vender as suas participações.
União Europeia Sinaliza Resposta Unificada Scott Bessent faz parte da maior delegação dos EUA já enviada a Davos. O Presidente Trump está agendado para discursar no fórum na quarta-feira. Entretanto, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, descreveu as ameaças económicas de Trump relacionadas com a Groenlândia como um erro que mina o acordo comercial alcançado entre a UE e os EUA no ano passado. “A União Europeia e os Estados Unidos concordaram com um quadro comercial em julho passado,” disse von der Leyen no seu discurso. “Na política, como nos negócios, um acordo é um acordo. Quando os parceiros apertam as mãos, isso deve significar algo.” Adicionou que a resposta da UE seria firme, unificada e ponderada, embora não tenha delineado medidas específicas de retaliação. Líderes europeus realizaram reuniões de emergência no fim de semana, durante as quais discutiram a reativação de planos para impor tarifas a bens dos EUA no valor de aproximadamente £81 mil milhões. Essas medidas tinham sido suspensas após o acordo comercial do verão passado com a administração Trump. A França já pediu à UE que ative o seu instrumento anti-coerção, que poderia visar não só os fluxos comerciais, mas também investimentos estrangeiros e mercados financeiros. Os líderes da UE estão agendados para se reunir em Bruxelas na quinta-feira para uma cimeira extraordinária para discutir respostas potenciais.
Impacto Económico Limitado, Riscos Políticos Muito Maiores Neil Shearing, da Capital Economics, observou que aumentar as tarifas de 10% para 25% provavelmente reduziria o PIB nos países da NATO afetados entre 0,1 a 0,3 pontos percentuais e elevaria a inflação dos EUA entre 0,1 a 0,2 pontos. No entanto, alertou que as consequências mais amplas seriam políticas, e não económicas. “As repercussões políticas seriam muito maiores do que as económicas,” disse Shearing. A advertiu que qualquer tentativa dos EUA de tomar a Groenlândia à força ou por coerção poderia causar danos duradouros à NATO. Funcionários europeus têm reiteradamente afirmado que a independência da Groenlândia é uma linha vermelha que não será ultrapassada. No entanto, a administração Trump não mostrou sinais de recuar.
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