22 de janeiro, notícias, durante o Fórum Económico Mundial, o Banco Central Europeu (BCE) emitiu a sua mais recente declaração oficial sobre a questão do euro digital, tentando acalmar o sistema financeiro europeu. O membro do Conselho Executivo do BCE, Fabio Panetta, afirmou claramente que o euro digital não pretende substituir os depósitos bancários nem enfraquecer o sistema bancário tradicional; seu objetivo é atuar como uma ferramenta complementar às formas de pagamento em dinheiro e eletrónicas.
Esta declaração ocorre num momento em que o debate sobre moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) está a intensificar-se globalmente. Ao contrário de alguns legisladores nos Estados Unidos, que mantêm uma postura reservada ou até de rejeição em relação às CBDCs, a Europa insiste na implementação do euro digital, considerando-o uma parte integrante da infraestrutura financeira de longo prazo. Panetta destacou que a estratégia europeia não é contornar os bancos, mas fazer o euro digital operar dentro do sistema bancário existente, evitando assim a ruptura da estrutura financeira.
Para evitar que os depositantes transfiram grandes quantidades de fundos para contas de euro digital, o BCE já estabeleceu uma “parede de fogo” antecipadamente. O limite de holdings de euro digital por usuário foi fixado entre aproximadamente 3.000 e 5.000 euros, sendo que esse ativo não gera juros, de modo a evitar competição direta com contas de poupança. Este design visa, em períodos de volatilidade de mercado ou pressão financeira, reduzir a possibilidade de corridas bancárias e proteger a capacidade de empréstimo e a liquidez dos bancos.
No que diz respeito às funcionalidades, o euro digital também suportará pagamentos offline. Mesmo sem conexão à internet, os usuários poderão concluir transações, mecanismo considerado capaz de oferecer uma camada adicional de segurança em caso de eventos imprevistos ou falhas técnicas, além de cobrir populações que não conseguem acesso estável à internet, tornando a experiência de uso mais próxima do dinheiro tradicional.
Com base nos sinais políticos atuais, o BCE está a avançar com o euro digital de forma prudente. Por um lado, limitando o risco ao estabelecer limites e mecanismos de não pagamento de juros para manter a segurança do sistema bancário; por outro, aumentando a sua utilidade em cenários de pagamento diário através de funcionalidades como pagamentos offline. À medida que a legislação e a estrutura tecnológica relacionadas se tornarem mais claras até 2026, o euro digital poderá tornar-se uma peça fundamental no sistema de pagamentos europeu, mantendo um delicado equilíbrio entre estabilidade financeira e inovação.