Países estrangeiros estão a retirar-se gradualmente dos mercados de dívida dos EUA, sinalizando uma possível mudança na confiança relativamente à saúde fiscal a longo prazo da América. Dinamarca, por exemplo, reduziu as suas holdings de Títulos do Tesouro dos EUA para mínimos históricos, enquanto a Índia e a China continuam a diminuir a exposição a títulos do governo dos EUA. Esta diminuição persistente entre os principais detentores estrangeiros destaca preocupações sobre disciplina fiscal e sustentabilidade da dívida dos EUA, com implicações mais amplas para os custos de capital globais, condições de liquidez e avaliações de ativos de risco.
Dinamarca Lidera a Retirada
No último ano, a Dinamarca cortou as suas holdings de Títulos do Tesouro dos EUA em $4 mil milhões, uma redução de 30%, de acordo com a The Kobeissi Letter. A nação escandinava agora detém cerca de $9 mil milhões em Títulos do Tesouro, o valor mais baixo em 14 anos e menos de 1% da exposição total da Europa à dívida do governo dos EUA, de $3,6 trilhões. O fundo de pensões dinamarquês AkademikerPension também anunciou planos de desinvestir completamente cerca de $100 milhões em Títulos do Tesouro até ao final do mês, citando preocupações com as finanças do governo dos EUA. Embora o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, minimizou a saída da Dinamarca como insignificante, o movimento reflete uma cautela mais ampla entre os menores detentores estrangeiros.
China e Índia Reduzem Holdings
A retirada da Dinamarca não é isolada. As holdings de Títulos do Tesouro da China caíram para $682,6 mil milhões em novembro, o nível mais baixo desde 2008, e alguns analistas alertam que reduções contínuas podem empurrar a exposição chinesa abaixo de $500 mil milhões. A Índia seguiu um caminho semelhante, diminuindo as suas holdings para cerca de $190 mil milhões até outubro de 2025. Estas tendências apontam para uma reavaliação fundamental do risco de crédito dos EUA por parte dos principais investidores estrangeiros, além de uma simples reequilibração de portfólio.
Japão e Reino Unido Oferecem um Contrapeso
Nem todos os investidores estrangeiros estão a reduzir a exposição. O Japão aumentou as suas holdings de Títulos do Tesouro em $2,6 mil milhões, para $1,2 triliões, enquanto o Reino Unido expandiu a sua posição em $10,6 mil milhões, para $888,5 mil milhões. Estes movimentos oferecem alguma estabilidade, mas é improvável que compensem totalmente a retração mais ampla de outros grandes detentores.
Implicações para os Mercados Globais e Cripto
Analistas alertam que a venda contínua de Títulos do Tesouro dos EUA pode desencadear efeitos de ripple nos mercados globais. A queda nos preços dos Títulos do Tesouro aumenta os rendimentos, elevando os custos de empréstimo e restringindo a liquidez. Como os Títulos do Tesouro servem como colateral principal para bancos, fundos e formadores de mercado, a diminuição dos valores enfraquece o colateral e obriga as instituições a reduzir a exposição ao risco. Esta cascata pode impactar ações e criptomoedas, que dependem fortemente de liquidez fácil e financiamento barato.
Como explicou Wimar, um comentador de mercado, “Acções e cripto não vivem num vácuo. São construídas com financiamento barato + liquidez fácil. Portanto, quando os títulos são atingidos, não é ‘coisa chata de títulos’. É o colateral a enfraquecer.” Nesta sequência, os Títulos do Tesouro reagem primeiro, seguidos pelas ações, com as criptomoedas frequentemente a experimentar as oscilações mais acentuadas devido ao aumento da alavancagem e sensibilidade ao risco.
A retirada de investidores estrangeiros da dívida dos EUA assim sinaliza não só uma mudança na confiança na política fiscal, mas também o potencial de maior volatilidade nos ativos de risco, incluindo os mercados de cripto.