O índice Kospi da Coreia do Sul ultrapassou a marca de 5.000 pela primeira vez em 22 de janeiro, desafiando a turbulência do mercado global causada pelas ambições do Presidente dos EUA, Donald Trump, de tomar a Groenlândia.
O índice de referência Kospi da Coreia do Sul ultrapassou a marca de 5.000 pela primeira vez em 22 de janeiro, um marco histórico que alimentou a excitação em todo o país. De acordo com um relatório local, o índice Kospi fechou em 4.952,53 após atingir uma máxima intradiária de 5.019,54. Comparado a um ano atrás, quando terminou em 2.547, o índice aumentou quase 94 por cento.
A recuperação ocorreu mesmo com os mercados globais sendo abalados nas últimas semanas por tensões geopolíticas em torno das ambições do Presidente Donald Trump de tomar a Groenlândia. Enquanto as ações nos EUA e na Europa sofreram vendas acentuadas devido a temores de tarifas e instabilidade, o Kospi continuou a tendência de alta, impulsionado por desempenhos fortes dos setores de tecnologia e automotivo da Coreia do Sul. Analistas disseram que a resiliência destacou a confiança dos investidores nas empresas blue-chip domésticas, apesar dos choques externos.
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Hyundai Motor, Samsung Electronics e SK hynix — há muito considerados âncoras do mercado blue-chip — impulsionaram a recuperação. Hyundai Motor saltou de 208.500 won há um ano para 574.000 won. Samsung Electronics subiu de 54.100 won para mais de 150.000 won, enquanto SK hynix quase quadruplicou de 199.700 won para 768.000 won.
Reagindo à notícia, Lee, um empresário autônomo na faixa dos 50 anos, é citado no relatório dizendo que o ritmo de ganhos o deixou dividido entre cautela e medo de perder a oportunidade. “Ações blue-chip normalmente não se movem tão rápido, então eu ficava me dizendo que não duraria. Antes que eu percebesse, a recuperação simplesmente continuou,” disse ele.
O Presidente sul-coreano Lee Jae Myung fez campanha no ano passado para inaugurar uma “era Kospi 5.000,” até transmitindo ao vivo ele investindo 40 milhões de won em dois fundos negociados em bolsa. De acordo com a Koscom, o ETF Kodex 200 que ele comprou subiu 115,8 por cento, enquanto o Kodex Kosdaq 150 ganhou 37,9 por cento.
Entretanto, o relatório afirmou que, para os investidores coreanos mais jovens, a recuperação tem sido tanto social quanto financeira. Jeon Ji-won, uma estudante de 25 anos, disse que se sentiu pressionada a investir após ver colegas ostentando grandes ganhos online. “Eu não queria me sentir excluída, não só financeiramente, mas socialmente, então comecei a investir,” ela teria dito.
Suas escolhas — YG Entertainment, Kakao e APR — não corresponderam aos maiores performers do setor de tecnologia na recuperação. “Samsung Electronics e SK hynix continuam a fazer manchetes por atingirem recordes históricos. Sinto que já subiram demais, mas as pessoas ao meu redor dizem que são os investimentos mais seguros,” ela afirmou.
Alguns investidores disseram que os preços em alta criaram confusão em vez de confiança. “Porque os preços continuam subindo, sinto-me apreensiva sobre quando vender, qual vender, qual comprar e se devo seguir o que os outros estão fazendo,” disse Park Jung-ho, um trabalhador de escritório de 37 anos.
Ainda assim, outros permanecem céticos. Hwang, um funcionário de banco de 33 anos nos Estados Unidos, afirmou que grande parte do entusiasmo é hype impulsionado por colegas e redes sociais. “Muitas pessoas não investem após estudar ações como um compromisso de longo prazo. Em vez disso, entram após ouvir amigos ou assistir histórias no YouTube sobre outros ganhando muito dinheiro,” disse ele.
Investidores veteranos como Choi Won-ho, um contador de 40 anos, disseram que não se deixam afetar. “Tenho investido em ações há quase duas décadas, então não tenho ansiedade,” afirmou. “Foco nos temas do mercado e se investidores estrangeiros ou institucionais estão entrando antes de fazer negociações. Como faço negociações com base nisso, não sinto um forte medo de perder a oportunidade.”
Alguns analistas, por sua vez, acreditam que a capacidade do Kospi de manter uma tendência de alta mesmo com os mercados ocidentais em declínio sugere que investidores regionais podem continuar a ver a Coreia do Sul como um refúgio relativamente seguro, especialmente em setores ligados à inovação e exportações.