Nova tarifa global de 10% sobre bens importados assinada pelo presidente Trump na sexta-feira, visando reestruturar rapidamente sua agenda comercial diante de desafios judiciais. Anteriormente, a Suprema Corte dos EUA, com uma decisão de 6 a 3, declarou ilegal a tarifa “recíproca” imposta por Trump no ano passado com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), levando à invalidade de várias tarifas aplicadas a principais parceiros comerciais. Para contornar essa derrota legal, Trump passou a invocar o poder conferido pelo Artigo 122 da Lei de Comércio de 1974, tentando preencher as lacunas legais. Essa medida não só elevará o nível médio de tarifas nos EUA, mas também gerará controvérsias legais sobre reembolsos de tarifas passadas.
(A Suprema Corte rejeitou claramente a alegação de Trump de autoridade tarifária, com uma decisão de 6 a 3 que prejudicou a estratégia econômica da Casa Branca)
Trump impõe nova tarifa global de 10% sobre bens de todo o mundo
Após uma derrota significativa na Suprema Corte, Trump adotou uma postura firme, afirmando que encontrará outras formas de implementar a tarifa global rejeitada. Posteriormente, ele publicou nas redes sociais:
“Tenho a honra de ter assinado na Casa Branca uma lei que impõe uma tarifa global de 10% sobre todos os países, que entra em vigor imediatamente. Agradeço a todos pelo apoio!”
Trump invocou o Artigo 122 da Lei de Comércio de 1974, que confere ao presidente o poder unilateral de impor tarifas para lidar com desequilíbrios na balança de pagamentos internacionais. No entanto, essa ferramenta legal possui limites de tempo claros, com um máximo de 150 dias, podendo ser prorrogada apenas com aprovação do Congresso. Em comparação com a autorização permanente da IEEPA, anteriormente rejeitada pelo Supremo, o Artigo 122 oferece uma proteção legal imediata, mas também aumenta a pressão sobre o executivo para influenciar a legislação.
Impacto nos parceiros comerciais e na tarifa média
Segundo estimativas da Bloomberg Economics, se a tarifa base de 10% for aplicada de forma abrangente, a tarifa efetiva média dos EUA pode subir de 13,6% para 16,5%. Embora Trump tenha declarado que manterá as tarifas sob as seções 301 e 232, as tarifas punitivas específicas para Canadá, México e China foram prejudicadas pela decisão judicial. No futuro, a Casa Branca planeja iniciar mais investigações comerciais direcionadas a setores específicos, como a indústria automotiva, onde as tarifas podem variar de 15% a 30%, substituindo o modelo atual de tarifas únicas.
Riscos jurídicos e expectativas fiscais
A decisão da Suprema Corte gera grandes preocupações financeiras: será que as tarifas ilegais arrecadadas até agora precisarão ser devolvidas? Mais de 1.500 empresas já entraram com ações judiciais, com um potencial de reembolso que pode chegar a 170 bilhões de dólares, mais da metade da receita total de tarifas. Apesar disso, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, mantém uma postura otimista, acreditando que, fortalecendo a aplicação das seções 232 e 301, as receitas tarifárias de 2026 permanecerão estáveis. Isso indica que a equipe administrativa está tentando compensar os riscos legais por meio de múltiplas ações executivas.