
Segundo o Wall Street Journal, o governo Trump está a avaliar a possibilidade de exigir que os bancos norte-americanos recolham sistematicamente informações sobre a cidadania dos clientes através de ordens executivas ou outras medidas. O plano relevante está a ser avaliado pelo Departamento do Tesouro dos EUA e pode exigir que os bancos solicitem documentos adicionais de identificação, como passaportes, a clientes novos e existentes, como pré-requisito necessário para abrir ou manter contas bancárias nos Estados Unidos. Esta medida é vista como a mais recente tentativa da Casa Branca de estender a repressão à imigração ilegal ao sistema financeiro, e ainda não foram oficialmente divulgados detalhes ou cronogramas de implementação.
Desde que tomou posse, o governo Trump tem reforçado continuamente a fiscalização da imigração, e as medidas financeiras nesta avaliação representam uma nova rodada de extensão desses limites. Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, o governo está a considerar autorizar a Financial Crimes Enforcement Network (FinCEN) como agência responsável pela recolha de informações. A FinCEN é uma agência do Departamento do Tesouro dos EUA responsável por fazer cumprir as leis de combate à lavagem de dinheiro (AML) e ao financiamento do terrorismo, tendo o poder de exigir que as instituições financeiras reportem informações específicas das transações.
O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, respondeu às perguntas da imprensa dizendo: “Quaisquer relatos sobre decisões potenciais que ainda não tenham sido oficialmente anunciadas pela Casa Branca são especulações infundadas.” Um responsável do governo Trump também confirmou que as discussões relevantes estão em andamento dentro da administração, mas ainda não receberam aprovação.
Regras atuais de Conheça o Seu Cliente (KYC): Exigem que os bancos recolham passaportes e números de segurança social para prevenir branqueamento de capitais e atividades criminosas, mas não abrangem informações sobre cidadania.
Medidas propostas: Podem obrigar os bancos a recolher e registar sistematicamente o estatuto de cidadania dos clientes, como pré-requisito para a abertura ou manutenção de contas.
Lei atual em branco: Atualmente, nos EUA, não existe nenhuma lei que proíba os bancos de fornecer serviços de conta a não cidadãos, e as regras atuais não preveem uma obrigação regular de declaração de cidadania.
Em janeiro de 2025, o FinCEN emitiu uma ordem especial para dois condados do Minnesota, exigindo que bancos locais e transmissores de dinheiro reportassem transações transfronteiriças superiores a 3.000 dólares, bem abaixo do limiar habitual de 10.000 dólares que normalmente desencadeia obrigações de reporte. O contexto desta ordem resultou de um escândalo de fraude no apoio social que ganhou atenção nacional, levando o governo Trump a enviar mais agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) ao Minnesota e a continuar a expandir a presença policial nos motins subsequentes.
A aplicação da ordem no Minnesota pela indústria bancária revela dificuldades significativas. Segundo pessoas familiarizadas, a indústria acreditava inicialmente que o limiar de 10.000 dólares para reporte de dinheiro em espécie deveria ser aumentado, não reduzido, mas uma redução súbita para 3.000 dólares elevou drasticamente os custos de conformidade. Recentemente, as discussões sobre a recolha de informações de cidadania têm causado inquietação no setor bancário, que teme que a implementação de medidas de vigilância financeira ampliadas possa aumentar ainda mais a carga de conformidade e afetar profundamente o acesso a serviços financeiros para imigrantes legais e clientes não cidadãos.
Esta medida é vista como uma extensão dos meios financeiros para combater imigrantes ilegais nos EUA. Ao exigir que os bancos recolham e registrem informações de cidadania, o governo pode identificar e restringir o uso do sistema financeiro por imigrantes ilegais, em coordenação com o reforço geral da fiscalização de imigração.
As regras atuais de “Conheça o Seu Cliente” (KYC) obrigam os bancos a recolherem informações como passaportes e números de segurança social, principalmente para prevenir branqueamento de capitais, mas não incluem o estatuto de cidadania. A proposta de novas medidas acrescentaria a obrigatoriedade de recolha de informações de cidadania, estabelecendo pré-requisitos para a abertura ou manutenção de contas por não cidadãos, uma exigência que não existe atualmente na legislação.
A FinCEN (Financial Crimes Enforcement Network) é uma agência do Departamento do Tesouro dos EUA responsável por fazer cumprir as regulamentações de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, tendo autoridade para emitir ordens especiais de reporte às instituições financeiras. Segundo fontes, o governo está a considerar usar o FinCEN como órgão executor da nova medida, aproveitando a legislação existente para ampliar a recolha de informações sobre a cidadania.