O governo sul-coreano revela mais um grave incidente na gestão de ativos criptográficos. Recentemente, a Agência Nacional de Impostos (NTS) publicou um comunicado oficial onde, inesperadamente, revelou a frase-semente de uma carteira criptográfica confiscada, levando à transferência de cerca de 4,8 milhões de dólares (aproximadamente 64 bilhões de won) em ativos digitais em poucas horas. Com a polícia iniciando as investigações, este incidente, que começou com uma simples foto, tornou-se o mais recente e emblemático caso de alerta de segurança na história da regulação de ativos digitais na Coreia do Sul.
Foto de alta resolução sem ocultar a frase-semente tornou-se porta de entrada para hackers
A origem do incidente foi um comunicado de imprensa de rotina da NTS. O anúncio tinha como objetivo divulgar resultados de operações contra devedores fiscais de altos valores, incluindo fotos de itens apreendidos, como várias carteiras de hardware Ledger usadas para armazenar ativos digitais.
No entanto, o problema surgiu numa das fotos de alta resolução. Nela, uma nota manuscrita com a frase-semente de 12 palavras aparece claramente ao lado de uma carteira de hardware. Ainda mais chocante, essa informação crucial foi divulgada sem qualquer ocultação ou desfocagem.
No mundo da blockchain, a frase-semente equivale à “chave mestra” da carteira. Quem possuir essas 12 palavras pode restaurar a carteira e controlar totalmente seus ativos. Essa falha básica foi como entregar milhões de dólares de mãos dadas a um hacker.
4 milhões de tokens PRTG transferidos, valor de cerca de 480 mil dólares
Horas após a publicação do comunicado, indivíduos não identificados usaram a frase-semente para restaurar a carteira e transferiram rapidamente cerca de 4 milhões de tokens Pre-Retogeum (PRTG).
PRTG é um token baseado na Ethereum, com valor total na época do incidente de aproximadamente 480 mil dólares, cerca de 64 bilhões de won. Dados na blockchain mostram que os fundos foram transferidos para um endereço desconhecido na Ethereum, em poucos minutos.
De forma ainda mais dramática, o invasor enviou uma pequena quantidade de ETH para pagar as taxas de gás antes de fazer a transferência. Isso demonstra familiaridade com os procedimentos de blockchain, indicando uma ação planejada e calma.
O vice-diretor do Centro de Pesquisa em Blockchain da Universidade de Hanseong, Jaewoo Cho, confirmou imediatamente nas redes sociais o roubo. Ele afirmou que a divulgação da frase-semente “equivale a abrir mão do controle da carteira”, sendo uma grave falha de segurança.
Suspeita de devolução parcial após cerca de 20 horas? Baixa liquidez como fator chave
Vale destacar que há relatos de que os tokens PRTG roubados foram parcialmente ou totalmente devolvidos ao endereço original após cerca de 20 horas. No entanto, as razões ainda não foram oficialmente esclarecidas.
Analistas de mercado especulam que, devido à baixa liquidez do PRTG — com volume diário de negociação de apenas 299 dólares — uma venda de grande volume poderia causar uma queda rápida no preço, expondo o fluxo de fundos. Assim, o suspeito pode ter optado por devolver os ativos por dificuldades de liquidação ou por receio de rastreamento.
A NTS afirmou apenas que “está verificando a situação”, sem fornecer detalhes sobre a recuperação total dos ativos ou possíveis falhas internas.
Polícia inicia investigação; terceiro incidente de perda de ativos em três meses
A Polícia Nacional da Coreia do Sul iniciou oficialmente uma investigação, designando uma unidade especializada em resposta a ataques cibernéticos para apurar o caso e verificar possíveis falhas na gestão interna.
De fato, este é o terceiro incidente envolvendo a custódia de ativos criptográficos por parte de órgãos governamentais em menos de três meses.
Em janeiro de 2026, a Procuradoria de Gwangju enfrentou controvérsia após perder cerca de 48 milhões de dólares em Bitcoin apreendidos em uma operação contra fraude; em fevereiro, a polícia de Gangnam, Seul, relatou o desaparecimento de 22 BTC (aproximadamente 1,4 milhão de dólares) apreendidos em 2022, devido à má gestão por terceiros.
Esses incidentes consecutivos levantam dúvidas sobre a competência do setor público sul-coreano na gestão e operação de ativos digitais.
Regulação mais rigorosa, mas o próprio governo pode ser o maior risco?
Como um dos países com maior volume de negociações de criptomoedas per capita, a Coreia do Sul tem reforçado suas regulações sobre exchanges, marketing por influenciadores e manipulação de mercado. No entanto, após a forte queda do Bitcoin no final de 2025, investidores de varejo migraram seus recursos para ações locais de IA e semicondutores.
Nesse contexto de regulação mais rígida, o incidente revela um risco adicional — o de falhas operacionais do próprio governo.
Vários pesquisadores de blockchain e parlamentares de oposição criticaram que o incidente poderia ter sido evitado com procedimentos básicos de segurança, como ocultar informações sensíveis, estabelecer processos padronizados de revisão de documentos e treinar funcionários públicos em segurança de ativos digitais.
Uma foto não desfocada, que custou milhões de dólares
A investigação ainda está em andamento, com as autoridades rastreando os fundos e possíveis suspeitos por meio de análises na blockchain. A NTS ainda não divulgou detalhes adicionais.
Este episódio reforça a lição de que, no universo de finanças descentralizadas, a tecnologia pode ser segura, mas falhas humanas continuam sendo a maior vulnerabilidade. Para órgãos governamentais responsáveis por ativos confiscados de grande valor, o custo de 4,8 milhões de dólares serve como um alerta que pode impulsionar reformas institucionais futuras.
No mundo da blockchain, um único erro pode, com uma única foto, fazer um ativo desaparecer instantaneamente.
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