De 3040 mil milhões a 10,3 biliões: insights aprofundados sobre os dados de stablecoins

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Escrito por: Will 阿望

A Meta anunciou recentemente planos de integrar pagamentos com stablecoins de terceiros na sua plataforma; a Bridge obteve em fevereiro a licença de banco fiduciário nacional do Escritório de Supervisão Financeira dos EUA (OCC); a Payoneer ativou funções de stablecoin para 2 milhões de empresas; a Anchorage lançou serviços de stablecoin compatíveis para bancos fora dos EUA. Instituições e reguladores estão acelerando sua entrada no mercado, mas o que eles realmente precisam é de uma resposta mais profunda do que apenas o volume de emissão de stablecoins.

Embora existam estatísticas sobre o volume de pagamentos reais com stablecoins (ver artigo “A ilusão do pagamento com stablecoins: 3,5 trilhões de volume de transações versus 390 bilhões de pagamentos reais”), claramente esses dados são insuficientes para uma análise aprofundada.

Todo mundo cita dados de emissão. Em relatórios, chamadas de resultados, audiências regulatórias, esses números aparecem constantemente. Mas, além de “circulação superior a 300 bilhões de dólares”, quanto realmente sabemos sobre stablecoins? Quem as detém? Qual é o grau de concentração? Qual a velocidade de circulação? Em quais blockchains elas circulam? Quais são seus usos reais — liquidez em DeFi, pagamentos ou fundos ociosos?

O artigo “Stablecoins are a $300B market. What do we actually know beyond the headline?” do Dune apresenta uma metodologia de análise de dados, usando múltiplas dimensões para fornecer referências precisas para análises institucionais, modelagem de risco e outras aplicações, respondendo às principais dúvidas do mercado sobre os dados de stablecoins.

Até janeiro de 2026, 15 stablecoins principais, com emissão totalmente diluída, atingiram US$ 304 bilhões, um crescimento de 49% em relação ao ano anterior. USDT e USDC continuam dominando com 89% de participação de mercado, sendo Ethereum e Tron as principais blockchains de circulação; em 2025, stablecoins desafiantes apresentaram crescimento diferenciado, ampliando significativamente a competição.

Quanto à estrutura de detenção, as exchanges centralizadas são os maiores detentores (US$ 80 bilhões), com 172 milhões de endereços independentes possuindo essas stablecoins. Mas o alerta importante é: além de USDT, USDC e DAI, as demais stablecoins apresentam alta concentração — os 10 maiores endereços detêm entre 90% e 99% do volume emitido. Os números de emissão devem ser interpretados junto com a concentração de detenção, caso contrário, há risco de uma avaliação incorreta da demanda real.

Em janeiro de 2026, o volume de stablecoins em circulação na cadeia atingiu US$ 10,3 trilhões, mais que o dobro de um ano antes. Cerca de 90% desse volume corresponde a atividades específicas na cadeia: maior uso é para liquidez em DEX (US$ 5,9 trilhões), seguido por empréstimos instantâneos (US$ 1,3 trilhão), movimentações em CEX (US$ 599 bilhões), entre outros, demonstrando claramente as diversas formas de circulação na cadeia.

A velocidade de circulação diária (volume de transferências dividido pelo volume emitido) é um dos indicadores mais subestimados na análise de stablecoins. USDC na rede Base tem uma média de 14 rotações por dia, enquanto USDT na Ethereum é de apenas 0,2 — o mesmo ativo, em blockchains diferentes, operando em mundos completamente distintos. A velocidade revela a função: se é um meio ativo de troca ou apenas fundos ociosos.

Stablecoins não dolarizadas representam sinais de longo prazo que não podem ser ignorados. Apesar de seu volume total de emissão ser de apenas US$ 1,2 bilhão, já há 59 tokens disponíveis em 6 continentes, com infraestrutura de stablecoins em moedas locais como euro, real brasileiro, iene, naira, entre outras, acelerando a construção de redes de pagamento locais e delineando uma visão global de pagamentos descentralizados.

O valor central dessa análise não é apenas a quantidade de dados, mas uma mudança de paradigma: de “estatísticas de emissão” para “análise de comportamento” — rastreando cada transferência, o perfil e a concentração de detentores, transformando logs na cadeia em inteligência estruturada para modelagem de risco, conformidade e insights de mercado.

  1. Emissão de stablecoins

Até janeiro de 2026, as 15 stablecoins mais relevantes nas redes EVM, Solana e Tron totalizaram US$ 304 bilhões em emissão diluída, crescimento de 49% YoY.

USDT (US$ 197 bilhões) e USDC (US$ 73 bilhões) continuam dominando com 89% do mercado.

Distribuição por blockchain:

  • Ethereum: US$ 176 bilhões (58%)

  • Tron: US$ 84 bilhões (28%)

  • Solana: US$ 15 bilhões (5%)

  • BNB Chain: US$ 13 bilhões (4%)

Apesar do crescimento quase dobrado, a distribuição entre blockchains permaneceu estável no último ano.

Por outro lado, em 2025, surgiram novos desafios com o crescimento de stablecoins alternativas:

  • USDS (Sky / MakerDAO): +376%, chegando a US$ 6,3 bilhões

  • PYUSD (PayPal): +753%, atingindo US$ 2,8 bilhões

  • RLUSD (Ripple): de US$ 5,8 milhões para US$ 1,1 bilhão (+1803%)

  • USDG: expansão de 52 vezes

  • USD1: de zero para US$ 510 milhões

Nem todos os challengers cresceram na mesma proporção: USD0 caiu 66%; USDe da Ethena, após quase triplicar em outubro, subiu 23% no ano. Ainda assim, a competição sob USDT e USDC se ampliou significativamente.

  1. Quem detém stablecoins?

A maioria dos dados de stablecoins mostra apenas o volume total emitido. Nosso conjunto de dados permite rastrear saldos por carteira e rotular endereços, possibilitando identificar quem realmente as possui.

Na rede EVM e Solana:

  • Exchanges centralizadas (CEX) são os maiores detentores identificáveis, com US$ 80 bilhões, crescendo de US$ 58 bilhões um ano antes.

  • Grandes carteiras de whales detêm US$ 39 bilhões.

  • Protocolos de rendimento quase dobraram, atingindo US$ 9,3 bilhões, refletindo crescimento de estratégias de rendimento na cadeia.

  • Endereços de emissores (tesourarias, contratos de mint/burn) saltaram de US$ 2,2 bilhões para US$ 10,2 bilhões (+4,6x), indicando entrada de nova emissão no mercado.

A qualidade da marcação de dados é alta: apenas 23% do volume emitido está em endereços não rotulados, o que é crucial para entender a distribuição de risco real.

  1. 172 milhões de detentores, mas alta concentração

Até fevereiro de 2026, há 172 milhões de endereços independentes que possuem pelo menos uma das 15 stablecoins:

  • USDT: 136 milhões

  • USDC: 36 milhões

  • DAI: 4,7 milhões

Esses detentores estão amplamente distribuídos: os 10 maiores endereços detêm entre 23% e 26% do volume emitido, com índice de Herfindahl (HHI) abaixo de 0,03.

Por outro lado, para outras stablecoins:

  • Os 10 maiores endereços detêm entre 60% e 99% do volume emitido.

  • USDS, apesar de US$ 6,9 bilhões em circulação, tem 90% concentrados em 10 carteiras (HHI 0,48).

  • USDF: 99% nas 10 maiores carteiras (HHI 0,54).

  • USD0: extremo, com 99% nas 10 maiores carteiras e HHI de 0,84, indicando forte concentração mesmo entre os principais detentores.

Isso não significa que essas stablecoins tenham falhas — algumas são recentes, outras voltadas para o mercado institucional. Mas a emissão deve ser interpretada com atenção à concentração de detenção, pois ela afeta riscos de desacoplamento, liquidez e a validade do volume de emissão como demanda real.

  1. Volume de circulação em janeiro: US$ 10,3 trilhões

Em janeiro de 2026, o volume de stablecoins em circulação nas principais redes atingiu US$ 10,3 trilhões, mais que o dobro de um ano antes.

A distribuição por blockchain:

  • Base: US$ 5,9 trilhões (apesar de emissão de apenas US$ 440 milhões)

  • Ethereum: US$ 2,4 trilhões

  • Tron: US$ 682 bilhões

  • Solana: US$ 544 bilhões

  • BNB Chain: US$ 406 bilhões

Por stablecoin:

  • USDC domina com US$ 8,3 trilhões, com velocidade de circulação e frequência muito superiores às de USDT, quase 5 vezes maior, apesar de sua emissão ser apenas 1/2,7 de USDT.

  • DAI: US$ 138 bilhões

  • USDS: US$ 92 bilhões

  • USD1: US$ 43 bilhões

Importante notar que esses dados são neutros, sem filtrar transferências por atividade econômica real. Podem incluir arbitragem, bots, rotas internas ou ações automatizadas. O objetivo é fornecer uma visão objetiva da atividade na cadeia, permitindo ao usuário filtrar por volume de bots, separar uso real ou definir métricas de circulação mais alinhadas às suas necessidades.

  1. Para que realmente usam stablecoins?

A granularidade dos dados aqui é fundamental. Volume de circulação não é só “volume de transações”, mas atividades específicas na cadeia. Há uma diferença entre “há US$ 10 trilhões em circulação” e “entender por que eles circulam”.

Estrutura de uso em janeiro:

  • Infraestrutura de mercado (negociação em DEX e liquidez)

  • Liquidez em DEX: US$ 5,9 trilhões (principal uso)

  • Trocas em DEX: US$ 376 bilhões

Mostra que a principal função das stablecoins é como ativo de base para market making e garantias de troca na cadeia.

Curiosamente, o volume de transações concentra-se em atividades de yield farming e otimização de capital, mais do que em simples trocas.

  • Alavancagem e eficiência de capital (empréstimos + flash loans)

  • Flash loans: US$ 1,3 trilhão (arbitragem e liquidação automática)

  • Empréstimos (depósitos, empréstimos, quitações, retiradas): US$ 137 bilhões

  • Canais de entrada/saída (CEX e pontes cross-chain)

  • Movimentações em CEX: US$ 599 bilhões

  • Pontes cross-chain: US$ 28 bilhões

  • Operações de emissão (mint/burn, ajustes de peg)

  • US$ 106 bilhões, crescimento de quase 5x em um ano

  • Protocolos de rendimento: US$ 270 milhões

No geral, cerca de 90% do volume de circulação pode ser classificado em atividades reconhecíveis, ilustrando claramente as diversas formas de circulação na cadeia.

  1. Velocidade de circulação: o mesmo token, mundos diferentes

A “Velocidade Diária” (volume de transferências dividido pelo volume de emissão) é um dos indicadores mais subestimados na análise de stablecoins. Revela se a stablecoin é usada ativamente como meio de troca ou apenas detida.

Exemplos:

  • USDC na rede Base: média de 14 rotações por dia, impulsionada por alta frequência de DeFi

  • Solana e Polygon: cerca de 1 rotação por dia

  • Ethereum: 0,9 rotações por dia, quase circulação total diária

  • USDT na BNB e Tron: mais rápido, com 1,4 rotações/dia na BNB (alta atividade), e 0,3 na Tron (estável, por sua função de pagamento transfronteiriço)

  • Ethereum: apenas 0,2 rotações/dia, com grande quantidade de fundos ociosos

Stablecoins de rendimento (USDe, USDS) têm velocidade menor, por design:

  • USDe na Ethereum: 0,09 rotações/dia

  • USDS: 0,5 rotações/dia

Essas stablecoins são majoritariamente empenhadas em contratos de poupança, empréstimos ou estratégias de rendimento estruturado. Baixa velocidade não é fraqueza, mas característica: seu objetivo é acumular rendimento, não circulação.

A blockchain é mais importante que o token. Mesmo o mesmo token, em diferentes ecossistemas, apresenta comportamentos distintos:

  • PYUSD na Solana: 0,6 rotações/dia

  • PYUSD na Ethereum: 0,1 rotações/dia

A velocidade conecta emissão e transações, permitindo avaliar se a stablecoin é uma infraestrutura ativa ou apenas fundos ociosos.

  1. Além do dólar

Este estudo foca em 15 stablecoins dolarizadas, mas o conjunto completo cobre mais de 200 stablecoins e 20 moedas fiduciárias, incluindo:

  • Euro (17 tokens, emissão de US$ 990 milhões)

  • Real brasileiro, iene, naira, rand, lira turca, rupia indonésia, dólar de Singapura, entre outros

Embora o volume total de stablecoins não dolarizadas seja de apenas US$ 12 milhões, há 59 tokens em 6 continentes, representando quase 30% do total de tokens no conjunto de dados. Infraestrutura de stablecoins locais está sendo construída na cadeia.

  1. Apenas a ponta do iceberg

Este estudo é baseado em uma análise limitada de um único conjunto de dados. Observamos apenas 15 stablecoins e alguns indicadores principais, enquanto o conjunto completo cobre quase 200 tokens e mais de 30 blockchains.

A verdadeira inovação desse conjunto de dados está na classificação:

  • Cada transferência mapeada para uma ação desencadeada na cadeia, categorizada em 9 grandes atividades

  • Cada saldo separado por perfil de detentor, usando padrão unificado em toda a cadeia

Transforma logs complexos de blockchain em dados estruturados e comparáveis, permitindo análises de:

  • Mudança de paradigma

  • Fluxo de fundos entre plataformas

  • Risco de concentração

  • Estrutura de participação

Essa granularidade possibilita responder a perguntas ainda não formuladas, como:

  • Quais carteiras acumulam stablecoins antes mesmo de serem listadas em exchanges?

  • Como a concentração de detenção muda nos dias que antecedem o desacoplamento?

  • Como ocorre o fluxo cross-chain de stablecoins em euro?

  • Como os emissores ajustam mint/burn em resposta às pressões de mercado?

Este é um conjunto de dados projetado para análises institucionais, relatórios de pesquisa, modelagem de risco, conformidade e dashboards gerenciais. Está pronto para exploração aprofundada.

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