
Até 4 de março, o número de bitcoins minerados atingiu 19.996.979, ficando a cerca de 3.000 unidades do marco de 20 milhões. Com uma taxa de mineração de aproximadamente 450 bitcoins por dia, estima-se que este objetivo seja alcançado em cerca de sete dias; posteriormente, dentro do limite fixo de 21 milhões, os últimos 1 milhão de bitcoins levarão aproximadamente 114 anos para serem totalmente minerados.

(Fonte: Glassnode)
Este marco significa que mais de 95% da oferta fixa de 21 milhões de bitcoins estará em circulação. Satoshi Nakamoto incorporou esse limite de forma rígida no protocolo do bitcoin, com o objetivo de criar uma moeda com escassez absoluta, contrastando fundamentalmente com as moedas fiduciárias, que podem ser emitidas ilimitadamente pelos bancos centrais.
A velocidade de oferta do bitcoin desacelera devido ao mecanismo de halving — aproximadamente a cada quatro anos, a recompensa por minerar um novo bitcoin é reduzida pela metade. Atualmente, a inflação anual do bitcoin é inferior a 1%, com cerca de 450 bitcoins adicionados por dia. Nesse ritmo, estima-se que 99% da oferta de bitcoin será minerada até janeiro de 2035, com o último bitcoin completo previsto para aparecer por volta de 2105, enquanto a emissão fragmentada de satoshis continuará até aproximadamente 2140.
Ao contrário de commodities como ouro ou petróleo, a oferta de bitcoin não pode ser acelerada pelo aumento de preço. Sua curva de oferta é uma regra de protocolo transparente e imutável, e qualquer proposta de alterar o limite de 21 milhões é vista pela comunidade como uma ameaça à sua propriedade de “moeda forte”.
Marcos-chave na trajetória de 20 milhões de bitcoins:
Para os mineradores, o marco de 20 milhões destaca uma tendência estrutural de longo prazo: à medida que as recompensas de bloco continuam a diminuir, a receita dos mineradores passará de depender principalmente das recompensas de bloco para depender exclusivamente das taxas de transação. Essa transição será concluída por volta de 2140, momento em que a segurança da rede bitcoin será sustentada inteiramente pelas taxas, um dos principais desafios do modelo de segurança de longo prazo do bitcoin.
Satoshi Nakamoto nunca explicou completamente a escolha do número exato de 21 milhões, mas esse limite foi codificado de forma rígida no protocolo do bitcoin, garantindo uma previsibilidade absoluta na oferta. Qualquer proposta de alterar esse limite é vista pela comunidade como uma ameaça à sua propriedade de “moeda forte” e dificilmente obterá consenso suficiente na rede.
Essa é uma das questões centrais discutidas no modelo de segurança de longo prazo do bitcoin. Os apoiadores acreditam que, com o aumento da adoção e do volume de transações, as taxas serão suficientes para manter a motivação dos mineradores; os críticos temem que, se as taxas não forem suficientes para atrair poder computacional, a segurança da rede possa ser comprometida. Ainda não há consenso definitivo sobre essa questão.
O ouro pode ser aumentado por novas descobertas ou extrações, o que oferece uma certa flexibilidade na sua escassez. Já o limite de oferta do bitcoin é fixo e codificado no protocolo, sem possibilidade de ajuste mesmo com aumento da demanda. Sua curva de oferta é transparente e imutável, sendo essa “escassez programada” uma característica central que diferencia o bitcoin do ouro, segundo seus apoiadores.