O Japão não está interessado em construir o próximo ChatGPT. No domingo, a SoftBank, a NEC, a Honda e o Grupo Sony criaram em conjunto uma nova empresa com um único objectivo: construir um modelo de IA com um bilião de parâmetros que faça funcionar máquinas, não conversas. O movimento é uma aposta directa no que a comunidade chama “Physical AI”: a ideia de que a próxima fronteira não são modelos de linguagem que escrevem os teus e-mails, mas sistemas de IA que controlam um braço robótico, conduzem um automóvel ou gerem o chão de fábrica. O Japão, com a sua forte base industrial e décadas de tradição em robótica, acredita ter uma vantagem natural que a Silicon Valley e Pequim não conseguem replicar facilmente.
De acordo com os relatórios, a SoftBank e a NEC irão liderar o desenvolvimento real da IA. A Honda vai implementar os resultados na condução autónoma. A Sony leva à mesa robótica e hardware de gaming. A Preferred Networks, um reconhecido desenvolvedor de IA sediado em Tóquio, também está envolvida. A empresa, que se traduz aproximadamente para inglês como “Japan AI Foundation Model Development”, planeia contratar cerca de 100 engenheiros de IA, com um executivo da SoftBank nomeado como presidente. Os bancos e as siderurgias também apareceram. Nippon Steel, Kobe Steel, MUFG Bank, Sumitomo Mitsui Banking e Mizuho Bank constam todos como investidores, pelo que isto é muito mais do que um simples arranque tecnológico. O dinheiro do governo vai fluir através da NEDO, uma agência nacional de I&D, que reservou aproximadamente ¥1 trilião — cerca de $6.28 mil milhões — em apoio à IA ao longo de cinco anos a partir do ano fiscal 2026. Espera-se que a Japan AI Foundation Model Development se candidate e é considerada uma escolha praticamente certa.
O Japão passou anos a enviar os seus dados para infraestruturas de cloud dos EUA e a pagar pelo privilégio — o chamado “défice digital”, que esgotou capital e deixou a indústria japonesa dependente de plataformas tecnológicas estrangeiras. A nova empresa quer treinar a IA com dados japoneses, mantendo-a no Japão, e não alimentando os pipelines da OpenAI ou da Google. Isso cria um contraste bem marcado com as próprias movimentações globais da SoftBank. A empresa liderou a ronda de financiamento de $40 mil milhões da OpenAI em 2025 e agora está do outro lado da mesa — ancorando um modelo doméstico destinado a traçar um caminho independente do mesmo ecossistema de IA americano que tem vindo a financiar. A Physical AI está a aquecer a nível global e as grandes empresas começam a prestar atenção. A Tesla está a construir os seus próprios robôs, a OpenAI também está a apoiar startups de IA/robótica e os planos políticos da própria China incluem investimentos massivos nesta área. Mais cedo este ano, a empresa líder de stablecoin Tether investiu numa startup de robótica humanoide, a Generative Bionics, que comercializa as suas máquinas como sistemas de “Physical AI” concebidos para fundir robótica com inteligência que percepciona e age no mundo — não apenas responde a prompts. O alvo para aplicações práticas de Physical AI é 2030, segundo relatórios locais. A NEDO começou a aceitar propostas para o programa de financiamento no final de Março — o que significa que o relógio já está a correr.
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