A tendência de turismo da Argentina para o Brasil impulsiona inesperadamente o uso de criptomoedas, com pagamentos em stablecoins a serem o principal motor

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4 de março de 2024 - Uma nova reportagem revela que a adoção de criptomoedas na América Latina está a acelerar significativamente, com a Argentina destacando-se como um dos países com maior crescimento. Dados da instituição de pesquisa Lemon indicam que, no último ano, a velocidade de adoção de criptomoedas na região foi aproximadamente o triplo da dos Estados Unidos, com a Argentina a liderar em utilizadores ativos mensais no mercado latino-americano.

O relatório aponta que o aumento na utilização de criptomoedas na Argentina não se deve apenas à procura de investimento, mas também às mudanças na infraestrutura de pagamento. Maxi Raimondi, diretor financeiro da Lemon, afirma que a tecnologia de criptografia está a integrar-se progressivamente no sistema financeiro, tal como a internet, sendo utilizada diariamente por muitas pessoas sem que percebam que dependem de redes criptografadas.

Dados indicam que o uso de stablecoins para pagamentos tem desempenhado um papel importante no crescimento de utilizadores na Argentina. Em 2025, devido à desvalorização do real brasileiro e à valorização do peso argentino, muitos turistas argentinos viajam ao Brasil para turismo e compras. Durante as compras no Brasil, os turistas geralmente utilizam aplicações móveis compatíveis com o sistema de pagamento Pix para concluir as transações.

O Pix, lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020, tornou-se o principal método de pagamento no país, com uma taxa de utilização que supera até mesmo os cartões de crédito e débito tradicionais. Muitas aplicações que suportam Pix utilizam stablecoins como USDT na fase de liquidação, permitindo que turistas argentinos usem criptomoedas de forma indireta nas suas despesas diárias.

Raimondi afirma que, atualmente, o número de argentinos a usar ativos criptográficos já é quatro vezes maior do que em 2021, embora muitos utilizadores não percebam que estão a fazer transações com stablecoins. Enquanto no início as criptomoedas eram principalmente uma forma de preservar valor, hoje as stablecoins estão a tornar-se ferramentas essenciais para consumo transfronteiriço e pagamentos diários.

O relatório também destaca que muitos argentinos adquiriram anteriormente ativos digitais denominados em dólares americanos, principalmente para se protegerem contra a inflação de longo prazo. No entanto, com a inflação a diminuir gradualmente, espera-se que a taxa de inflação na Argentina em 2025 atinja o nível mais baixo em oito anos, e o uso de criptomoedas começa a expandir-se do refúgio de valor para o setor de pagamentos.

Ao mesmo tempo, a adoção de criptomoedas no Peru também está a crescer rapidamente. O relatório prevê que, até 2025, o número de downloads de aplicações de criptomoedas no país ultrapassará 2,9 milhões, um aumento de cerca de 50% em relação ao ano anterior. Apesar de os investidores locais continuarem a valorizar o Bitcoin a longo prazo, as stablecoins e ativos digitais denominados em dólares continuam a ser mais populares nas transações diárias.

Analistas acreditam que a América Latina está a desenvolver um padrão de uso de criptomoedas centrado em pagamentos com stablecoins, consumo transfronteiriço e proteção contra a inflação, uma tendência que poderá continuar a impulsionar a penetração de ativos digitais na região.

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